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01 outubro 2014

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Décimo primeiro andar

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A andar, a amar 




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Meu primeiro andar foi quase um ano após nascer, para alegrar a quem via. Meu segundo andar foi para chegar perto daqueles que me amavam incondicionalmente - papai, mamãe, vovó, irmão, titia, que hoje chamo de um nome mais complicado, família. Meu terceiro andar foi para explorar o mundo e descobrir assustado que ele era um pouco maior do que um quarto com brinquedos. Meu quarto andar foi para tentar aprender a ler (o mundo e a mim mesmo). Meu quinto andar foi para abraçar aqueles que iam me trazer as melhores risadas, dividir as colas da prova, e, mais tarde, as alegrias e os tombos da vida - os coleguinhas, que hoje eu chamo de amigos. Meu sexto andar, foi para aquelas paixões que nunca se concretizam, amor de criança. Meu sétimo andar foi para deixar de ser criança e começar a pagar as próprias contas. Meu oitavo andar foi para tentar ter algum amor igual a um filme, mas sempre o final não era feliz. Meu nono andar foi para viver só comigo, até quando quis não mais caminhar só. Meu décimo andar foi em direção a ele. Ele, o homem com olhar e jeito de criança contraditoriamente mais perto da maturidade que já conheci. Quando eu o vi ele usava verde, a mesma cor da esperança que ele traria para a minha vida e a mesma cor do que o amor nosso seria, um fruto verde que se envolveria em nosso esforço para amadurecer. Eu o vejo dormir e sinto paz, pois sei que na noite anterior passei mais um dia com ele e que no dia que amanhece vou passar mais um. Eu ouço o que ele fala (e ele fala tudo o que vem à mente) e sinto que o que temos não é perfeito, mas é algo mais raro no amor, é verdadeiro. Ele é a dificuldade para dormir quando não estamos juntos. É a alegria de cozinhar quando temos uma noite inteira para viver. É quem me fez dar mais valor à minha família ao ver o quanto ele amava a dele. É a vontade de que a semana só tivesse terças, quintas e finais de semana. Eu sou o básico, ele é o fashion. Eu sou o falador, ele é o dorminhoco. Eu quero ontem e amanhã em um só dia (e em todos os dias), ele quer hoje. Eu penso em cada vírgula dita e não dita e ele, quando pensa, pensa em por que eu penso tanto. Penso, subo e ando. E meu décimo primeiro andar é até onde subo para vê-lo a cada vez, e é o número de cada passo que dou em meu andar pela vida, em busca de poder fazê-lo feliz. E eu penso e faço tanto, porque já se passaram tantos anos sem você, meu amor, que eu preciso, hoje, recuperar o tempo todo que perdi enquanto eu não te conhecia. Eu queria um amor, você me deu uma vida. E vai ser maravilhoso cada novo andar que puder ser ao seu lado. Porque você resume cada andar, eu ando para te alegrar, para chegar perto, para explorar o mundo, para aprender, para ser  seu amigo, para ser sua paixão, para trabalhar, para respeitar a solidão, para amar. Do passo à corrida, do térreo à cobertura, você é o amor para a vida de hoje até o infinito recomeço de toda doçura. Meu andar, meu amar.

2 dos desabafos - DESABAFE!:

  1. Existem pessoas que tornam nossos dias muito mais brilhantes pelo simples fato de existirem...
    Bela crônica!!!

    Bjo, bjo!!!

    ResponderExcluir
  2. Amei o texto, lindo demais. A leitura fez subir andares lindos ao longo da vida como chegar ao amor, a cada etapa dele como apresentado até a lágrima sair aos olhos e ele trouxe boas lembranças. Todos nós subimos esses andares e que chegue o décimo segundo. Parabéns!
    Abração!

    ResponderExcluir

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"deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar"
(Ronaldo Monteiro/ Ivan Lins)

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