
E, sem instruções no verso de nenhuma embalagem, chegam também surpresas boas, do que parecia que nunca ia merecer um espaço, mas de repente se torna peça-chave, daquelas que vão ficar sempre juntas, não por uma cola de obrigação, mas por uma liga de vontade, de bem-estar, de escolha. Se passa a ser obrigação já não é mais amor, é só fazer para evitar cobrança e manter aquela relação-melhor-do-que-ficar-só. Amar e viver sem ter que administrar peças e quebrar a cabeça é só mito. Na vida real, você tira e coloca peças, pessoas, sentimentos, mudando sempre de posição, até encontrar o lugar certo ou menos incômodo para cada um deles (ou para você).
No amor, o que, às vezes, complica essa vida quebra-cabeça que a gente segue montando é aquela pessoa que quando surge se torna mais do que a peça principal, se torna aquela foto que a gente consulta na caixa para saber o que é que devemos montar, aquela referência de como vai ficar se der certo. Tem amor que se faz referencial de felicidade, dias quando tudo se encaixa com precisão, quando a alegria vem sem esforço, como peça que se passa a vida toda procurando. Só que a vida quebra-cabeça é jogo e se é jogo cada um tem uma sorte. Para uns amor da vida é presença, para outros é saudade ou talvez é promessa. Então, às vezes, essa foto da caixa que mostra como tudo deve ficar some da sua vida e por mais que você siga montando as novas peças, você sabe que tem algo faltando, e mesmo que seja só ali no fundo você compara como era e como está. Eu continuo juntando peças e pedaços, mas sei, você é a peça que falta no quebra-cabeça do eu queria viver. Mas nada impede de recomeçar, substituir, apertar para encaixar e ser o mais próximo possível de como o coração sente que deveria ser.
Na vida, o que a gente não pode é deixar de viver, no amor e no quebra-cabeça o que a gente não pode é parar de procurar a peça que falta ou de manter as que já estão no lugar. Pode ser que eu siga a vida sem a peça que falta. Pode ser que sigam a vida comigo em um novo encaixe sem igual. Embaralhe, feche os olhos e recomece. Só nunca se torne você mesmo a peça que falta para você se permitir amar. Amor quebra-cabeça, conserta-coração, cola-almas, segue-vida ainda quando falta-você.
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Muita coisa passou a fazer sentido depois que li este texto. Parabéns!!
ResponderExcluirRaquel Smaniotto,
ResponderExcluirFico feliz por de algum modo o texto ter te ajudado, então. Obrigado! :D
Ótima, tentamos montar aos poucos nossas vidas ou talvez remontar como se uma peça fosse encaixada errada no passado. Força para começar a montar tudo de novo. Tuas palavras se encaixaram tão bem com alguns momentos da minha vida e "Embaralhe, feche os olhos e recomece." é sem dúvida passos dos nosso pés cansados.
ResponderExcluirBjus Ru!
As vezes é tão difícil continuar sem a peça que falsa. Tão difícil...
ResponderExcluirDesculpa, errei. Era a peça que "falta". Mas se bem que dá certo também, muitas vezes é a peça falsa, que finge se encaixar, mas fica toda torta. hehehe
ResponderExcluirLuiz Hick,
ResponderExcluirVamos seguindo em frente, com peças e pedaços, né? :) Obrigado e fico feliz por gostar das crônicas.
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Bel,
Tava sumida daqui, hein? :) Por vezes é mesmo muito difícil, sei bem como é... mas a gente sempre dá um jeito de sobreviver, de alguma forma. Não sei o que é pior, a peça falta ou falsa hahahaha ;) Beijos!
Tudo bem? Quando essa peça falta, penso que podemos diminuir a atenção no encaixe perfeito ou quem sabe escolher um jogo alternativo para substituir. Excelente a reflexão!
ResponderExcluirBeijos.
Luciana Santa Rita,
ResponderExcluirCom certeza podemos buscar novas formas de não impedirmos nossa vida de seguir, ainda que continue sempre faltando algo (ou alguém). :)
Obrigado!
Esta voltando a postar no blog?? Se sim, fico muito feliz..
ResponderExcluirAnônimo,
ResponderExcluirFique feliz sim e eu agradeço, mas eu nunca deixe de postar, estive sempre aqui! :)