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Paralelos

No infinito do sem fim amor que sinto

As pontes de MadisonRecorte do cartaz de "As pontes de Madison" (1995)
Tudo estava vazio, as ruas pareciam sem cor, tudo estava deserto, mas nada se assemelhava à ausência que havia dentro de mim. Eu sempre quis me encontrar no mundo, eu queria um lugar no mundo igual a mim. Mas hoje não. Hoje eu implorei para que o mundo naquele momento não tentasse se parecer com o meu sentimento, o mundo não merece essa tristeza e solidão. A verdade é que a sua ausência se tornou tão grande que só sobrou um espaço feliz em mim, a lembrança de você talhada em marca profunda no peito. Mas de que me adianta guardar esse coração se a sua ausência não deixa espaço para que você chegue? Quando você partiu só me restaram palavras, palavras para quando há esperança de um dia ainda dar certo - são palavras para um tempo feliz; palavras para quando só há saudade e fuga da minha-vida-sem-você-aqui - são palavras do que não se diz. Eu dei amor e só me restaram palavras. Não quero mais essa troca injusta. Estranho constatar que o amor que dei não foi motivo para o amor que não recebi. Deve haver reciprocidade, escondida em algum lugar em que eu não posso alcançar. Já achei o "te amar" e o "ser amado por você" deve estar no alto de alguma estante que eu esqueci de desempoeirar, no meio de alguma sujeira que varri para debaixo do tapete, no meio da página de alguma notícia do jornal que eu só li o início, para não deixar tão claro que não me interesso por mais nada no mundo. Deveria existir um mundo melhor, um mundo que não permitisse que a gente no fundo só quisesse fugir dele. Sei que posso dormir, tentar esquecer e tentar acordar com a esperança renovada, mas não quero dormir. Ando tendo muito sono. Tem gente que dá sono, tem gente que dá sonho. Então quando é que você volta para eu voltar a sonhar? Quando você vai tirar da minha vida todos esses que só me dão sono e tomar posse do seu lugar? Lugar que deveria ser ao meu lado se eu pudesse escolher. Por falar em lugar, o seu , o meu (o nosso?), eu já não sei mais em que lugar colocar todos esses planos e sonhos dedicados a alguém que não me deu espaço para guardá-los. Não importa mais que dia será amanhã ou depois, pois eu sei que ainda não veio um dia em que eu não quisesse que você viesse. Nâo que eu esteja parado no tempo ou no mundo deixando de viver, mas não há um momento em que não falte você. Não há um dos meus silêncios para ficar em paz que eu não deseje que seja quebrado pela sua voz me chamando. Não há um momento em que eu viaje em pensamentos em que eu não esteja fugindo até você. Não há um "que" que eu use sem me lembrar que você sempre dizia que eu usava "que" demais para escrever. Não chame de carência, é saudade. Carência é geral, saudade é específica e é especificamente sempre, sempre você que me falta aqui. Não chame de covardia, é coragem. Covardia é deixar de tentar, coragem é continuar tentando amar mesmo sem quem se ama. E eu tento e eu amo mesmo paralelamente ainda amando você. Talvez seja o que somos: duas paralelas. Mas, ainda que sejamos paralelas, haverá no mundo algum infinito e nem que seja só nele, mas a gente vai se encontrar, no infinito do sem fim amor que sinto.

O leitor só queria..

Maryane Eire (SP)

Maryane Eire
"Eu só queria... alguém pra eu contar meus medos, meus sonhos. Alguém que se interesse pelas minhas estórias, alguém que esteja feliz comigo, que queira mais acordar comigo do que queira dormir, alguém que me proteja, mas que também queira meu colo. Quero brincadeiras antes e depois de dormir, quero amor, quero, quero prazer. Quero deixar de apenas querer ...

Amor pra mim é inexplicável, acho que não se explica o amor, mas sim o amar. E amar pra mim é a oportunidade de ser uma pessoa melhor, uma mulher melhor, uma filha melhor, uma amiga melhor ...

Na vida eu aprendi que muitas vezes é bem melhor deixar só a música rolar do que acompanhar a canção no tom errado.

Minha frase preferida é 'E se antes um pedaço de maçã, hoje quero a fruta inteira' (O Teatro Mágico - De ontem em diante)"

Maryane Eire - técnica em hidrologia, nascida em Praia Grande no estado de São Paulo e hoje habitante de Mongaguá também em São Paulo - conheceu o blog pesquisando por imagens no Google: "me encantei e ainda continuo me encantando pelo blog".


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A esperança (d)e nós

Filhote de estrela

Namorados para sempreCena de Namorados para sempre (2011)

"Quanto filhotinho de estrela jogado no lixo"
(Mario Quintana)


Esperança. Esperança mais do que amor. Não era paixão, ainda não era um desejo incontrolável, estava longe de ser qualquer tipo de "amor da minha vida". O que eu sentia por você era esperança. O que você significava para mim era a esperança de felicidade, felicidade eterna, momentânea, não importa, você era a minha esperança, uma promessa daquelas que a gente mesmo se promete e não conta para ninguém, mas ainda não era amor. O problema (é um problema?) é que eu sou intenso. Você vai achar que eu faço drama, mas drama é fingir que sente o que não sente e eu não, eu sinto mesmo. Sou tão intenso que mesmo que eu sinta só esperança eu vou sentir tanto que você vai achar que eu te amo, mesmo sem a gente nem se conhecer direito. Mas sentir hoje em dia é perigoso. Em um mundo e em um tempo no qual a sensação basta, o sentimento afasta. Só que depois que você tem seu coração partido uma vez e aprende que ele continua batendo, não existe mais medo de amar. Pode até haver um medo de ser amado, mas de amar não: amar é nosso, ser amado é do outro, e só nos compete o que é nosso. Então eu sentia por você só uma vontade de que não fosse só hoje, de que tivesse um amanhã, de que pudesse ficar uma hora a mais além do planejado, de que pudesse sobrar algum espaço na agenda para me encaixar. E eu sentia sobretudo vontade de te ver feliz, com aquela esperança, silenciada em meus sorrisos, de que eu pudesse fazer parte. É isso, eu sentia esperança por você e eu queria fazer parte, não sei do quê, não sei se da sua vida ou se pensava em uma vida nossa, mas eu queria fazer parte. Sei que nem te beijei, mas eu tenho essa capacidade de sentir esperança por quem me encanta. Você me encanta, me dá vontade de abraçar, de ter por perto, de tocar, de ser feliz. Me aperta o desejo de guardar no bolso sua foto, como um mapa de um lugar para o qual eu posso fugir quando tudo der errado (e quando tudo der certo também). Eu gosto de você, mas eu não queria te namorar, não ainda, não agora, não sei se sempre, nem se talvez nunca. Eu queria que continuasse, só que sem fazer de você uma única chance de ser feliz, a esperança era de ser mais feliz por você estar aqui também, não só por você. É esperança, é te querer, mas sem desespero. Desespero no amor é isso, desesperar, deixar de esperar por quem vale a pena, quando vale a pena. Parece que eu te afastei, mas a esperança continua. A esperança ficou e a pergunta também: quanto o mundo ficou mais triste desde que deixamos de ser felizes juntos? Quanto futuro feliz se perdendo em passado durante um presente que não se consegue mudar. Então agora eu já sei o que responder quando perguntarem: "é amor ou amizade?", vou dizer "é esperança". E eu espero com a certeza de que esperançar parece às vezes tão mais livre, bonito e completo do que amar.

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