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Entrevista - Rejeição: lidando com o amor não correspondido

Respeito aos sentimentos do outro

Filme Maluca paixãoRecorte do cartaz de Maluca paixão (2009)

A poeta Clarice Lispector dizia que "ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca", às vezes, porque amar nunca foi garantia de ser amado. Muitas vezes, no lugar da reciprocidade surge a rejeição e o sofrimento parece ser inevitável. Parece. "Ser rejeitado deveria ser natural e comum, mas o problema é que vínculamos nossa autoestima com o número de pessoas que nos apreciam", diz o agente de transformação humana e psicoterapeuta Chris Almeida. Nesta entrevista, Almeida fala sobre a rejeição no amor e diz que não devemos tratar o amor "como se ele fosse um comércio afetivo no qual o outro deve me amar por eu amá-lo".

Amando não temos a certeza de que seremos amados. Por que é tão difícil ser rejeitado por quem se ama?
C: Porque aquilo que supostamente chamamos de amor, não passa muitas vezes de um comércio. O amor não deveria nunca depender da outra parte. Nunca. Devemos cultivar a arte de sermos pessoas amorosas e emanar este amor sem a necessidade de possuir. Posso viajar e ficar encantado com uma determinada cidade. Posso ir para Paris e amar tudo aquilo que apreciei por lá. Mas não posso carregar Paris em minha bagagem de volta. Sim, eu amei aquela cidade, mas agora é bom que ela permaneça por lá e eu aqui. O mesmo se dá com as pessoas. Amar alguém deve estar desvinculado do desejo de possuir este mesmo alguém. Mas parece que aprendemos tudo errado. Assim, quando este outro alguém não corresponde ao nosso amor - e por não corresponder, leia-se: não quer devolver aquilo que lhe entregamos - nos sentimos mal e chamamos isto de rejeição.
"Fingir que nada acontece e não rejeitar o outro fortalecerá um vínculo kármico-emocional entre ambos"
E como lidar com a rejeição no amor?
C: Não ser correspondido por alguém significa que esta outra pessoa não possui por mim o mesmo sentimento que possuo por ela. Isto deveria ser natural e comum. Mas criamos um problemão sobre esta situação porque, no fundo, vinculamos a nossa autoestima com a quantidade de pessoas que nos apreciam. Quanto mais desenvolvo o meu amor próprio, menor será a minha sensação de rejeição.

Após ser rejeitado ou para tentar conquistar quem ama há pessoas que simulam ser o que não são. Há algum risco em tentar ser algo somente para o outro te amar?
C: O risco desta condição é a própria condição em si. Veja só: Eu simulo ser alguém para que você me aprecie. Na verdade, não sou nada daquilo, mas agora você se apaixona por aquela máscara. Então, resta perguntar: quem está sendo amado? Eu ou minha máscara? Se for a fundo nesta reflexão, verá que não existe benefício algum neste jogo pois, o amor que tanto desejo, no final das contas, não esta vindo para mim, apesar de meu esforço e sim para um personagem que não existe.

Por mais que possa doer, rejeitar pode libertar quem nos ama. O senhor acha que se deve rejeitar ou fingir que nada está acontecendo?
C: Tudo depende do nível de envolvimento de ambas as partes. Quando existe a possibilidade de diálogo, a coisa mais libertadora a ser feita é dizer claramente a outra parte que você não está interessado. Fingir que nada acontece só irá fortalecer um vínculo kármico-emocional entre ambos.

Filme 500 dias com elaCena de 500 dias com ela (2009)

Nos casos de um amigo que se apaixona pelo outro o medo da rejeição parece ser ainda maior. Como lidar com esses casos de um amigo nos amar e não sentirmos o mesmo?
C: Seja grato pelo amor que lhe é oferecido. Diga para a outra pessoa que você a respeita e que valoriza o amor que ela tem por você. Mas seja também sincero em dizer que, neste caso, em específico, você não tem nada para oferecer para ela pois seus sentimentos não são os mesmos.

Após algumas rejeições é quase impossível não ficar com a autoestima abalada. Há algum modo de saber se o outro realmente se interessaria antes de se entregar ao sentimento, ou sempre se tem que correr o risco?
C: Para a mente comum, é muito difícil saber quais são as intenções alheias. Mas, talvez seja melhor assim, pois amar é correr riscos. Se o meu amor signfica que preciso ter a aceitação da outra parte, então não posso chamar isto de amor e sim de troca ou de comércio afetivo. Amar não implica que o outro me aceite ou me escolha. Além disso, não é vergonhoso dizer para outra pessoa que você a aprecia, a admira e que tem bons sentimentos por ela.
"Se a pessoa sofre pode ser positivo se afastar de quem ela ama, a não ser que se seja masoquista"
Há pessoas que temem se apaixonar somente por quem não gosta delas. Existe a possibilidade do indivíduo procurar ser sempre rejeitado?
C: Sim. Se eu cultivo em minha mente a idéia de que não mereço ser amado, então, por uma questão de afinidade vibracional, vou procurar pessoas que me confirmem esta tese.

Quando se está muito apaixonado e sofrendo com a rejeição, afastar-se de quem se ama pode ser uma boa alternativa para se recuperar?
C: Coloquemos o tema do amor de lado e falemos de uma forma mais genérica: Afastar-se daquilo que te faz sofrer é sempre uma boa opção, a não ser que você seja masoquista, não é verdade?

Preguiça define

Sem mais "blá, blá, blá"

Filme Quando me apaixono
Recorte do cartaz de Quando me apaixono (2010)

"A idiotice nos rodeia. Eu mesmo tenho medo de virar um idiota"
(Chico Buarque)


Há, por vezes, uma grande (in)diferença entre quem somos e quem pensamos que somos, e isso é fato. No entanto, algumas pessoas exageram no modo como pensam que são e há até as que se orgulhem de não valerem nem um centavo. Todo mundo erra, isso é outro fato, mas há pessoas que só erram e, pior, pensando que acertam. Isso dá raiva, muita raiva, mas enquanto dá raiva, enquanto alguém te faz sentir raiva é sinal de que a relação - seja ela qual for - ainda tem salvação, o problema é quando a pessoa não te dá mais raiva, mas sim preguiça. Quando se sente preguiça de alguém, meu bem, já era! Preguiça define aquele momento em que alguém faz coisas que você reprova, mas isso não te atinge mais, não te incomoda, e a sua reação não é de raiva, desprezo ou de ignorar, é só preguiça mesmo. E ultimamente tem muita coisa me dando uma preguiça tremenda. Preguiça leve de gente que acha que só as produções culturais das décadas passadas são boas, que pensa que só filme velho e música velha prestam e que se sente inteligente por assistir e comentar arte antiga. Ei, acorda, música velha, filme velho é só isso: música velha e filme velho, se é bom ou não é outra história. Preguiça moderada de gente que só namora com cara que tem carro. Olha, sabia que os bens materiais vêm e vão em um piscar de olhos? O carro do seu namorado pode bater, pode estragar ou o papai dele pode pedir o carro de volta e aí você faz o quê? Vai em busca daquele pobre que você rejeitou por que andava de ônibus - apesar de ele te amar como ninguém - e que agora subiu de vida e anda de carro do ano? Tarde demais! Preguiça crescente de gay que acha que não pode parecer gay. Meu caro, você é gay, então para que ficar fingindo que é hétero, fingindo ser "macho"? Qual a graça de ser gay e "discreto"? Gente discreta não presta, ok?! Preguiça latente de quem acha que todo político não presta e que o Brasil é uma merda. É mais fácil falar que ninguém presta do que se dar ao trabalho de realmente escolher um candidato, né? Criticar é sempre mais fácil... agora por que você não se candidata, então, já que ninguém presta, só você? E se acha que o Brasil é uma merda vaza daqui, colega! Vai fazer falta não! Preguiça grande de quem só reclama, da vida, do trabalho, dos amigos, do namorado, de si e não faz NADA para mudar! Assume, filhote, você é daquelas pessoas que precisam da infelicidade para estar feliz ou já teria mudado há séculos. Preguiça em nível preocupante de quem há cada mês tem um novo melhor amigo para sempre. Dica preciosa: não confie em ninguém que não tenha pelo menos três amigos que mantém há mais de 10 anos. Preguiça gritante de quem ama todo mundo e de quem odeia todo mundo. Para que tanto amor gratuito? Vende e enriquece! Para que tanto ódio sem motivo? Isso dá ruga, pare já! Preguiça irreversível de quem errou com você e tenta fingir que foi você que errou com ele, simplesmente por orgulho. Amorzinho, pratica comigo que você consegue dizer, tenho certeza: "me desculpa?" Viu, só? Não dói! Preguiça preguiçosa de ex que acha que você ainda é apaixonado por ele e sempre será. Olha, meu caro, você precisa superar o fato de que você não é insuperável, se esforce. Preguiça beirando o desprezo de gente que acha que todos seus nicks e frases no MSN, Orkut, Twitter, Facebook etc. são para ele. Oi, você não é o centro do universo, as pessoas tem assuntos mais importantes do que você (mesmo que você não tenha). Preguiça monstra de gente que é fã de um artista só porque ele é bonito ou gostoso, não pelo conteúdo, pelas mensagens, pelos valores, pelo que representa, mas só porque é bonito. Tipo fã da Gisele Bündchen. Você é fã dela por quê? "Ah, porque ela é linda, loura, branca, rica e poderosa!". Me faz um favor? Se mata! Obrigado! Preguiça gigante de gente medíocre que se acha invejável, que a todo momento acha que alguém está com inveja. Desculpa, mas autoestima em excesso é só baixa autoestima (se enxerga!). Preguiça incalculável de gente que é puta, passa o rodo na balada, acorda cada dia na cama de um desconhecido e depois vem com papo de "amor", de vítima, de que queria amar e ser amado. Meu amor, cuidado, uma DST fruto da sua vida promíscua pode até te acompanhar pela vida toda, mas não vai te abraçar, conversar, presentear etc. Agora, a preguiça maior de todas. PREGUIÇA de quem que não retribui nem em um décimo o que as pessoas que o amam fazem por ele e depois vem com discurso de que precisa mudar, pois sempre "se entrega demais" nas relações. Nossa, dá vontade da gente desistir de viver ver gente assim, gente que não dá a mínima para os outros, para os amigos, amores, para nada e ainda acha que faz muito e sofre. É o cúmulo, Brasil! Sabe o que penso disso? Nem tudo é relativo. Nem tudo é dependente. Há questões que não exigem ponto de vista, exigem apenas vista e ponto final. Vejo você e você não presta (ponto). Não me entendeu? ACORDA, FILHO DA PUTA, VOCÊ DÁ SONO!

"A gente adoece mesmo é de nome feio recolhido"
(Mario Quintana)

O leitor só queria...

Isabel Moraes (CE)

Foto Isabel Moraes
"Eu só queria... poder ter o dom de adivinhar quem será a pessoa certa pra mim, assim evitaria construir e demolir fantasias (como diria Caio Fernando Abreu). Eu só queria poder ter alguém que valesse a pena do meu lado, que olhasse na mesma direção que eu, que tivesse os mesmos sonhos. Queria poder confiar quando as pessoas falassem sobre seus sentimentos, sem ter o medo a me rondar toda vez que ela fosse embora. Queria ter certeza de que tenho alguém que pensa em mim com carinho, que sente saudade e que isso não durasse apenas uma semana, quinze dias...

Amor pra mim é um sentimento supremo, que nem todas as pessoas são capazes de sentir. As pessoas confundem muito amor com desejo, empolgação, e saem por aí dizendo que amam, como se fosse a coisa mais simples do mundo. Para no outro dia esquecerem o que disseram. Amor não é para qualquer um não...

Na vida eu aprendi, por mais que doa, a tomar as decisões na hora certa. Aprendi a não esperar o lógico acontecer para que eu venha a tomar atitudes. Aprendi que não adianta querer, se o outro não quer. Aprendi a gostar mais de mim e a enxergar que ninguém é melhor a ponto de me fazer sentir inferior, em situação nenhuma. Aprendi que tudo na vida precisa de bases sólidas, e que aquilo que vem pra ficar, vem aos poucos. O que vem rápido demais, vai embora da mesma forma.

Minha frase preferida é: 'Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz' ( Tati Bernardi)".

Isabel Moraes - estudante de administração, nasceu e mora em Forteleza no Ceará - conheceu o blog por meio de buscas no Google.


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Sobrenome do amor

Sem tempo

Filme Como esquecer
Recorte do cartaz de Como esquecer (2010)

"_Eu queria que nós pudéssemos ser amigos...
_Engraçado. É a última coisa que eu quero"
(House)

Ainda que em dias sem tempo quem sempre arranja tempo para aparecer é ela, a saudade. Em meio a corridas para cumprir horários, leituras dinâmicas para entregar tudo no prazo ela sempre chega trazendo a presença de dias que não voltam. A ciência avança e inventam solução para tudo ou quase tudo, mas ainda não tem um jeito de se voltar de fato ao passado e de se reviver nem que seja por um instante algum momento feliz. Eu trocaria qualquer dia do futuro por um minuto de novo ao lado de quem me rouba os pensamentos. Também não há nada que tenha sido inventado que nos faça viver no presente, estamos sempre presos em um tempo que não é o agora. Estamos no passado, na lembrança feliz, na tristeza ainda não superada ou esperançosos pelo futuro no qual tudo voltará a ser como no passado ou tudo será diferente do presente. Estamos até mesmo no futuro mais próximo aguardando o relógio marcar o fim do expediente para poder ser feliz na volta ao lar ou para aproveitar o fim de semana com os amigos. Nunca estamos no presente nem que seja desejando nunca esquecer o que se vive agora. Algumas vezes a gente queria mudar aquele momento em que tudo mudou, repetir aquele abraço, retribuir aquele beijo, dizer que amava e não sabia, dizer que sabia ou até dizer que amava e sabia, mas temia. Outro dia eu pedi que ele voltasse e durante mais um compromisso eu o vi de novo, à minha frente, lindo. Era ele, era eu, o tempo mesmo que por um instante o trouxe de volta. Mas aos nos olharmos, surpresos, mesmo que por segundos reconhecemos que a gente não mais se reconhecia. Era ele hoje, era eu hoje, e o que vivemos já estava no ontem, não éramos mais como antes e não adianta a gente voltar, pois o que havia não volta junto como que por mágica. O amor é como o sono em noite de insônia, se você não está atento e sonha junto no exato momento em que ele chega o tempo passa. Do mesmo jeito se você não está atento no momento em que alguém chega o tempo passa e te resta a solidão. Então se tem que aceitar que o lugar dos amores que não deram certo é na lembrança e não no futuro. Não na lembrança amarga das culpas e dos erros, mas na lembrança doce de quem te deu momentos felizes. E as lembranças acolhem o que chega ao fim no amor, pois o que termina no amor é o relacionamento e não o sentimento. A relação pode durar dias, meses ou anos e um dia acabar, mas o sentimento pode ser para sempre. Pode se continuar amando, mesmo sem mais ter, ver, ouvir, mas ainda se sentir. A lua minguante tímida intimida a confessar esse amor crescente que deixa a alma cheia de vontade de te ter na nova, nova vida que a gente teria se no céu alguma estrela cadente pudesse mesmo sonhos realizar. Então, lua, eu te digo que você estava sobre nós quando por segundos nós dois nos vimos de novo testemunhando que eu não mais vejo, não mais ouço, mas ainda sinto e amo, e no dia seguinte - e em todos os que se seguiram - chega a saudade, que tantas vezes é o sobrenome do amor, para me dar de volta o nosso tempo. Assim, confesso, sim, ainda quero você como o tempo não quer nada além de ser eterno. E eu sigo pensando em como seria se você estivesse aqui ou quem sabe se eu estivesse aí.

"Algumas histórias de amor são curtas como um conto, mas não deixam de ser histórias de amor"
(Greek - Sexo, livros e rock'n roll)

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