
T: A educação é a matriz da vida futura. A criança aprende desde cedo a ver a vida com os olhos dos pais. Grande parte das dificuldades encontradas pelos pais na educação dos filhos é reflexo de atitudes tomadas, ou omitidas, na primeira infância. Gosto de lembrar aos pais que não nascemos humanos, nos tornamos seres humanos. O papel de formar seres humanos é da família e da escola. Somos um feixe de experiências acumuladas ao longo da vida. Então é certo dizer que a criança amará na vida adulta a partir dos valores e da educação recebida na infância.
T: Como psicanalista acredito que projetamos nossos desejos inconscientes nas nossas relações. Assim, acredito que é preciso o sujeito buscar o autoconhecimento para não se ver presa de situações complexas. Mas também é importante notar que de qualquer maneira estamos sempre buscando essa figura "paternal" nas nossas relações, afinal de contas, carregamos o desejo de ser amado pelo outro. Isso é inevitável.
"Os pais devem ensinar que a solidão é uma condição dos seres humanos, nascemos sozinhos e morremos sozinhos"
T: São mitos da sociedade. A criança precisa mesmo é de pais que as orientem na vida, que lhes ensinem a serem seres virtuosos. Não nascemos com virtude alguma, é preciso ensinar as virtudes aos filhos. Filhos egoístas e mimados são crianças privadas da educação das virtudes. Solidariedade, paciência, prudência, tudo isso se aprende, assim como todas as outras virtudes.

T: Absolutamente! Estudos mostram a importância dos contos de fadas na vida das crianças. Os contos estão cheios de representações simbólicas que ajudam a criança a superar momentos difíceis em sua vida.
T: Quando os pais acharem que é o momento. Quando a criança mostrar curiosidade os pais devem "acalmar" suas expectativas. Isso não significa dar uma aula de sexualidade para a criança. Lembro-me de um comercial interessante, a mãe de costas para filha pequena ouve a seguinte pergunta: " mãe o que é virgem?" A mãe apavorada com a pergunta começa a tecer um longo discurso sobre virgindade para a filha. Quando termina sua explicação longa, ouve a próxima pergunta da filha, que nesse momento está com uma garrafa de azeite de oliva na mão, " e extra-virgem mãe, o que é?".
"Pais de gays devem entender que ninguém escolhe ser gay é uma orientação, e devem ajudá-los a serem fortes para enfrentar o preconceito"
T: Primeiro é preciso lembrar que moramos num país democrático e isso significa respeitar as diferenças. Está na nossa constituição o repúdio a qualquer forma de discriminação. Portanto devemos respeitar as pessoas. Vale lembrar que ninguém escolhe ser gay, isso não é escolha que alguém realiza, é uma orientação. Se fosse uma questão de escolha, penso eu, ninguém iria querer escolher ser gay tendo em vista a sociedade preconceituosa como a nossa. Tem melhorado, mas ainda estamos longe de nos intitularmos uma sociedade sem preconceitos. Mas o que costumo dizer aos pais que me procuram com essa questão, é para colocar seu filho ou filha numa terapia para que ela fique forte o suficiente para enfrentar essa sociedade preconceituosa.












