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Entrevista - O sexo hoje: entre a repressão e a libertinagem

Da masturbação coletiva ao amor

Filme 9 cançõesRecorte do cartaz de 9 canções (2006)

No Brasil, o sexo é a oitava prioridade para elas - as mulheres - segundo pesquisa recente da Universidade de São Paulo. No entanto, estima-se que eles - os homens - sejam os principais contribuintes para a indústria pornográfica brasileira lucrar em média um bilhão de reais por ano, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico. "Vivemos o ranço de uma mentalidade machista que espera da mulher a castidade e do macho um currículo de vasta experiência sexual", diz o psicólogo, professor universitário e mestre em sociologia Valdeci Gonçalves. Autor do livro recém-lançado "Nuances dos Testes Psicológicos e Algumas Iniquitações Pós-Modernas", Gonçalves fala nesta entrevista sobre a atualidade, na qual o sexo é tratado ora com repressão ora com leviandade: "Sexo não é playground, falta educação para se lidar com os sentimentos, sem noções de culpa ou pecado, mas sem esquizoidia - estar com todo mundo sem estar com ninguém".

Basicamente há dois pensamentos: o romântico de quem deseja transar somente com quem ama e o não-romântico de quem não depende de amar o parceiro para transar. Amor e sexo devem ser diferenciados?
V:
As pessoas fazem essa divisão entre amor e sexo, em particular o homem. Mas a relação na qual esses dois aspectos estão em um mesmo “pacote” ou em sintonia, é, sem dúvida, uma vivência enriquecedora. No entanto, acredito que no bojo dessa divisão está a noção de pecado inculcado por meio da religião judaico-cristã. Essa culpa ou noção de pecado, e algumas inquietações pós-modernas, ficou no DNA social, uma terrível herança. Apesar de toda atual liberdade e, em alguns casos, libertinagem, sem se darem conta, muitos revivem a angústia deste “pecado”, talvez a promiscuidade seja o exemplo mais fiel disso, uma tentativa de se desvencilhar desse peso moral.

Uma pesquisa divulgada em 2009 pela Universidade de São Paulo apontou que o sexo é a oitava prioridade na vida das brasileiras. Homens e mulheres têm mesmo necessidades diferentes de fazer sexo?
V:
Sim. O homem pela imediatez, simplicidade e aprovação plena da sua sexualidade se permite com mais frequência; a mulher, devido a um processo de excitação mais elaborado, no qual inclui, geralmente, os aspectos afetivos, também carregados de tabus e proibições construídos pelos vieses da cultura, é menos frequente e/ou menos explícita no sexo. A grosso modo, seria: o homem entra em qualquer “parada” para se aliviar sexualmente, e a mulher somente quando se julga envolvida ou o parceiro ser interessante, porque se for para se excitar e não chegar a um nível de satisfação, ou se envolver com alguém que, no seu conceito não valha a pena, é preferível nem tentar.

"O desconhecimento do outro faz o sexo torná-los mais estranhos. Mas a intimidade excessiva faz a relação perder o tesão e não sobreviver"

Mas, mesmo assim, desconfio que essa diferença não passe tanto pelo biológico, e sim pelo cultural, que obrigou a mulher que, embora mais provocativa enquanto objeto sexual, por meio das vestes etc., é instigada ao recato. Uma contradição. Muitas mulheres ainda vivem o drama que se instalou: “puta” ou “santa”, de novo a consequência do sexo como pecado. A liberação sexual da mulher está sempre associada à conduta da profissional do sexo: “dama na sociedade e puta na cama”. Por que a liberdade sexual, por parte da mulher, denota prostituição? Certamente, uma mentalidade machista que espera da mulher a castidade e do macho um currículo de vasta experiência sexual.

E qual a importância do sexo em uma relação?
V:
O sexo é o complemento da intimidade, esta que, certamente, se dá no campo da atração física e atração subjetiva, como a de compartilhar afinidades, enfim, a cumplicidade que se completa no sexo, assim, fecha-se um círculo que se traduz de satisfação e/ou felicidade. Mas é óbvio que no geral não é assim que ocorre. Poucos casais desfrutam desse privilégio. Há o casal que exercita a exploração sexual, até meio pornográfica, mas que não consegue comungar nenhuma troca de intimidade, digamos assim, de alma. Há um vazio na sexualidade quando a mesma tem pouca ou nenhuma intimidade das singularidades dos sujeitos envolvidos. Um desconhecimento do outro que o sexo pelo sexo ajuda a torná-los mais estranhos ainda. Mas também há o caso oposto, o casal que se aprofundou tanto na intimidade que chega a perder o tesão, a relação assume uma aura fraterna, portanto, sem graça e sem chance de sobreviver.

Nem todo casal tem a chamada "química" instantaneamente. Deve haver espaço para se aprender a agradar ao parceiro ou é perda de tempo insistir?
V:
A tal “quimíca” pode acontecer e sumir na mesma brevidade com que veio. E possível, sim, aprender, com o tempo, a descobrir aspectos estimulantes no outro. Mas, há casos, que não tem jeito, não cola, ou, usando uma expressão que comumente se utiliza para se referir à antipatia, “os santos não cruzam”. Acho que as pessoas intuem essa questão com bastante facilidade. Por vezes, a decepção se dá porque o sinal de alerta, embora ouvido, não foi acatado. Diria, como falo mo meu livro, que a paixão não cega, mas o sujeito se cega para que a mesma se efetive. Do contrário seria inviável. O apaixonado está o tempo todo consciente dos defeitos do outro, mas precisa desfocalizar para não interditar esse prazeroso estado de alteração hormonal e mental. Prova disso é o fato de que, logo que passa a “febre” da paixão, príncipe vira sapo e princesa gata borralheira.

"A sociedade é anti-prazer. Mas há também a banalização do sexo, tratando-o como masturbação assistida ou coletiva"

Até onde ir para agradar o companheiro e ser "bom de cama"?
V:
Até onde esse ir não consista em um sacrifício, em uma violência aos seus valores e princípios, que te faça perder a sensação de espontaneidade, incondicionalidade. Tudo tem que ser negociado. O que viola a própria pessoa ou passa do seu limite pode matar a relação, cria um nível de cobrança infantil do tipo: “eu fiz aquilo que você me pediu e gosta, agora faça também o que quero”. Enfim, o agradar tem como parâmetro a não invasão ou violência do querer, do desejo.

Mesmo nos casos em que a pele se encaixa com perfeição e sem muito diálogo para tal encaixe, as pessoas constumam diminuir a frequência sexual com o tempo. Por que isso ocorre e há como ser evitado?
V:
O cotidiano é cruel e, geralmente, sem graça. Exige muito do cidadão. A burocracia, a morosidade e burrice do terceiro mundo e dos países em desenvolvimento toma muito tempo que poderia ser dedicado ao prazer em geral. A sociedade é anti-prazer. Somos instigados a trabalhar, produzir, e produzir tanto a ponto de ficarmos doente, ou, quando se tem o tempo livre que poderia ser utilizado como ócio criativo, nos sentimos culpados. Há pouco ouvi uma professora doutora dizendo que estava com síndrome do pânico de tanto produzir textos para publicação. Se isso não é toda verdade, pelos menos em sua fala tem alguma verdade: a maioria dos trabalhos produz mais sofrimento do que prazer.

Onde está a qualidade de vida? Acho que nos dias de hoje isso é uma tremenda falácia. Perde-se muito tempo no trânsito louco, violento, imbecil, para resolver questões que, por conta da burocracia, levam horas e horas de chateação, irritação e desperdício de tempo. Mas, os burocratas, geralmente perversos, gozam exatamente desse incômodo, dessa dor etc., que provocam no outro. A relação amorosa é uma plantinha delicada que tem de ser regada com cuidado, com muita água vai encharcar, sufocar, mas pouca água também pode matá-la de desnutrição. Tudo na vida tem a euforia da estréia, da novidade, que com o tempo diminui ou acaba. É a intensidade dessa afinidade e o cuidado que faz a relação se estender por mais tempo, ou que para seu tempo de vida não seja tão breve. Depois, muito dessa brevidade tem a ver com as ilusões, as expectativa muito altas, os castelos de areia. No geral se espera muito sem a disponibilidade de se doar em correspondente intensidade.

Filme 9 canções Cena de 9 canções (2006)

Do lado oposto de quem vive um relacionamento estável, está a turma do sexo sem compromisso: conheceu alguém, gostou, transou, acabou. São experiências válidas ou pode se tornar um comportamento perigoso?
V:
Antes de qualquer perigo em potencial nessas investidas, tem a coisificação da pessoa e do outro. Um comportamento aquém da condição do animal dito irracional, porque os bichos, pelo menos, são orientados pelo cio com vistas à reprodução. E o humano apenas para extravasar ou desafogar a tensão. Sem qualquer conotação moral, um sexo vazio, portanto, que não acrescenta ou completa nada. Uma esquizoidia: estar com todo mundo e ao mesmo tempo não estar com ninguém. Um corpo que perambula pelas alcovas, um corpo máquina de fazer sexo entregue aos prazeres com qualquer um ou uma. Um corpo público, uma pobreza espiritual.

Há o risco de se banalizar o sexo, de torná-lo uma espécie de "masturbação assistida": não importa quem está ali, porquê está ali, o que importa é o que ele vai me dar, o gozo?
V:
Sim, isso é uma banalização do sexo. Uma masturbação assistida ou coletiva, sim. No meu livro, chamo de sexo playground, ou seja, sensações solitárias e de prazeres masturbatórios a dois, cada um que aproveite ao máximo, do contrário que esteja atenta(o) para não perder o gozo nas próximas “rodadas”.

Agora, a masturbação em si, solo, serve apenas para alivar os momentos em que não temos abundância nas relações sexuais ou há outros benefícios?
V:
A natureza é sabia, ela nos deu também essa condição do prazer sexual consigo, e isso não nos obriga a nos vulgarizarmos, porque na masturbação solitária o sujeito não se dispersa, está com ele mesmo, e seu imaginário a mil. Nesse caso, é uma masturbação mais segura, menos esquizóide. Lógico que é um paliativo, mas não degradante ou terrivelmente solitário como a masturbação coletiva. A mastrubação com o outro abre - nesse contexto que estou falando - um abismo de solidão que eu diria estéril, ao passo que, na individual o sujeito está só e pode ter algum insight da sua vida, um momento de autoconhecimento.

"O amor romântico é sim uma construção social. E daí? O homem pós-moderno despreza o amor, mas não consegue substituí-lo por algo saudável"

Hoje assistimos a uma cultura da erotização. Estima-se que somente a indústria brasileira do sexo lucre cerca de 1 bilhão de reais por ano, segundo a Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico (ABEME). Qual o preço que se paga pelo consumo e/ou cobrança de tanto sexo?
V:
Essa grande quantidade existe em decorrência da pouca qualidade. As pessoas têm que entender que o sexo sem amor, paixão, não preenche, é um como saco sem fundo, logo em seguida quer mais. Torna-se um ciclo vicioso. O sexo com afeto nutre, remete à sensação de conforto do colo materno, do enriquecimento humano. Essa quantidade de consumo pornográfico é um sintoma do vazio desta Era. É uma dor do vazio existencial que as pessoas tentam tamponar com o sexo, pois elas tem a ilusão de que toda essa manipulação e parafernália que a modernidade oferece, vai tirá-las do seu processo de alienação.

Essa busca por sexo pode ser uma fuga, e é muito fácil se esconder ou tentar se proteger no gozo sexual, dado que ele atenua, mesmo momentaneamente, esse mal-estar, mas o sujeito continua daqui a pouco tão infeliz como antes. Não se paga com esse uso apenas o preço material, mas o preço da distância do indivíduo para consigo, do quanto estaria gozando de fato, se tivesse a coragem, a capacidade para se entregar. O amor romântico é uma construção, e daí? Que mal tem isso? Diria que essa é uma das poucas e boas construções da civilização. O amor não faz sofrer, e sim a sua não correspondência e falta do mesmo, como exploro em meu livro. O homem pós-moderno, na sua arrogância, despreza o amor, mas não consegue colocar outra coisa saudável ou útil no lugar, daí o vazio que ele tenta preencher com pornografia, sexo promíscuo e outra formas de drogas e consumos. Afinal, ele não é educado para lidar com os sentimentos, é isso que falta.

Uma vida sexual plena é mais qualitativa ou mais quantitativa?
V:
Por tudo que já disse: com certeza, é qualitativa. O dado qualitativo sempre tem um ganho sobre a valência quantitativa, este é imediato, superficial, vazio. O qualitativo é reflexivo, têm raízes, profundidade, beleza, consistência, vida, mesmo que breve. O quantitativo tende ao vício, a busca frenética que não preenche, um querer sempre mais e mais que não tem fim, porque seu fim é o próprio consumo desenfreado.

"Falar sobre sexo ainda tem ranço de tabu, geralmente se esboçam risinhos nervosos ou de curtição"

Para finalizar, a pesquisa "The Face of Global Sex 2008: Sexual Confidence" ("A Face Global do Sexo: Confiança Sexual"), realizada pelo fabricante de preservativos Durex, aponta que a principal fonte de informação sexual do brasileiro são as conversas entre amigos e parceiros. Indústria do Sexo de um lado, amor romântico do outro, amigos com opiniões distintas. Como se encontrar e construir sua própria forma de viver a sexualidade?
V:
A educação sexual na escola é babaca, se prende apenas ao aspecto fisiológico, e não às nuances complexas das relações afetivas, da sua subjetividade. Falar sobre sexo ainda tem ranço de tabu, geralmente se esboçam risinhos nervosos ou de curtição, enfim, quase não se fala sobre sexualidade de modo natural. A família não tem informação ou não tem condição suficiente e segura para tal, a escola é um fracasso, a saída é aprender por meios dessas representações sociais.

A televisão que poderia ser um excelente veículo para essa demanda se mostra negligente, preconceituosa ou mais preocupada em prender a atenção do público pela excitação. O melhor momento da televisão, nesse sentido, foi o antigo e extinto TV Mulher. Se a Marta hoje é esse trambolho da política, não podemos negar que a mesma deu uma excelente contribuição para a educação sexual e afetiva ao país.

Hoje, quando se oferece alguma coisa é em canal fechado, e com enfoque apenas fisiológico do sexo. Sue Johanson, por exemplo, é uma verdadeira mecânica do sexo, respondendo, na maior parte do tempo, às perguntas idiotas de meio mundo de americanos, perguntas que fariam as crianças das escolas primarias morrerem de rir. A sexualidade discutida por essa sexóloga canadense não tem amor, alma, é apenas um prazer mecânico. No final das suas apresentações, essa idosa sexóloga canadense de rosto tão marcado de vincos tanto quanto as velhas miseráveis castigadas pelo sol escaldante do sertão nordestino, ainda incrementa sua aridez trazendo uma sacola de brinquedos masturbatórios como se fossem a oferta da própria felicidade. Enfim, talvez essa sexóloga, com suas informações e orientações tão práticas quanto uma máquina de apertar parafuso, esteja bem coerente com a condição artificial da Era atual. Como dizem os Titãs: "as flores de plástico não morrem".

Rapidinhas - notícias de amor

Direto ao que interessa e sem dramas

Filme O passado
Recorte do cartaz de O passado (2007)

Um giro ligeiro e prazeroso sobre o que anda sendo publicado na Internet sobre amor e relacionamentos.

Por que é difícil esquecer um amor? A ciência explica o que nem o tempo apaga
ATENÇÃO! A Folha.com.br traz os resultados de uma pesquisa que tenta entender o que muitos apaixonados não entendem: por que é tão difícil esquecer um amor? O neurologista Antoine Bechara, da Universidade de Iowa nos Estados Unidos, descobriu que a dificuldade vem de um conflito cerebral. As impressões formadas durante o relacionamento (que não se relacionam às memórias) ficam registradas no cérebro que, involuntariamente - mesmo sem a intenção do apaixonado, mesmo sem o outro fazer parte da vida dele, mesmo sem que se queira relacionar novamente com o outro -, provoca reações físicas que sequestram os pensamentos do indivíduo dificultando tanto o esquecimento quanto a mudança de foco, o que pode impedir a pessoa de amar novamente. E será que o tempo apagaria esse amor? "Não apaga. Esse sentimento é próximo ao dos vícios", diz o neurologista.

Então, o que se pode fazer? O pesquisador indica: reforçar as emoções negativas ligadas à pessoa (sim, odeie a pessoa!), ficar longe da pessoa (como um viciado em drogas deve ficar longe das drogas) e se esforçar em mudar o foco (arranje outro amor), pois ficar só não ajuda a superar.

A alguns traz certo conforto saber disso, e parece que os ditos populares de que o amor nem o tempo apaga e que só se cura um amor com outro amor estavam mesmo certos...

Rede social cria banco de espermas só com belos
De acordo com o InfoOnline, a rede social virtual que permite somente usuários bonitos em seu site, o BeautifulPeople, acaba de lançar um banco de esperma. O objetivo, para o diretor do site, Greg Hodge, é o de aumentar as chances de quem deseja ter um bebê belo conseguir realizar o sonho, sem qualquer interesse financeiro. Os belos usuários do site que se interessarem doaram o esperma, que poderá ser doado a pessoas julgadas como feias pelo site e que, por isso, não fazem parte da rede. Segundo o BeautifulPeopple, mais de 600 bebês já nasceram a partir da união de casais que se conheceram no site.

Prefiro não comentar...

Esqueça os "olhos nos olhos", a conquista (também) se dá pela "voz nos ouvidos"
A coluna Fórmula do Amor da Galileu apresenta resultados do estudo da pesquisadora da Universidade de Albany nos Estados Unidos Susan Hughes, segundo os quais a voz tem papel importante na sedução. Ao pesquisar voluntários que ouviram vozes gravadas contando de zero a 10 e depois as avaliaram de "muito desagradável" a "muito atraente", a pesquisadora percebeu que os donos das vozes consideradas mais sexys eram homens com ombros largos e mulheres com cintura fina - características tidas como sedutoras em várias culturas -, e pessoas mais sexualmente experientes, por terem começado a vida sexual mais cedo e terem tido mais parceiros. Para a pesquisadora, a voz é um fator importante na conquista, principalmente à noite quando a visão está comprometida, pois a voz "oferece informações importantes sobre características biológicas de seu portador, como sua configuração corporal e comportamento sexual".

Complexo, não?

Foi bom pra você? Até a próxima rapidinha!

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Se eu te falo sobre te esquecer

Meu amigo, meu amor

Filme O melhor amigo da noiva
Recorte do cartaz de O melhor amigo da noiva (2008)

"Isto não é um adeus. É apenas o caminho pelo qual o amor continua quando as palavras não aquecem o bastante para afastar o frio"
(Pat Monahan/Ryan Tedder)

Em meio a tantas dúvidas encontrei a certeza de que nada era exato ao te amar. Entre tanta gente covarde eu tive a coragem de me entregar. Rodeado de amores medíocres eu ousei desejar o sublime. Então que ninguém me peça para desistir ou voltar se o que há na volta ainda é o que me fez partir. Se por acaso não há mais a gente, me diga, qual motivo eu tenho para não querer daqui embora ir? E veja o tanto que eu pedi. Eu desejei, eu implorei, eu me ofereci por inteiro a qualquer um por algum pedaço a menos de saudade. Mas ninguém nunca trouxe o seu abraço, ninguém nunca trouxe o seu cheiro, nenhum nunca teve o seu jeito, todos erraram onde você acertou e acertaram onde você errou, ninguém nunca trouxe o seu medo e também nunca pensou em levar de mim esse desejo. Só quem sente sente o que sente. Só quem sabe sabe o que sabe. Só a gente sente e sabe o que a gente viveu. Não me importa se o nome do que havia era amor, se era amizade ou se ainda estávamos no vazio complexo que habita entre os dois. Talvez se todos também pudessem sentir e saber haveria mais vida na vida, mais dia nos dias e mais corda nos corações desses tantos que já se esqueceram que precisam bater, que amar é viver, e que a recusa ao amor faz nascer aquelas estrelas que à noite todos esquecem de notar. Apesar de te amar eu gostaria que não houvesse amor, pelo menos que não houvesse o meu amor por você. Eu estava ao seu lado, você estava ao meu e isso bastava aos dois. Havia alegria, havia o gostar da companhia e de um estranho modo a gente se pertencia sem se comprometer, nos unia o compreender. Acho que era amizade. Mas teve que chegar ele, o amor, e bagunçar os desejos trazendo a necessidade do corresponder, para me fazer precisar de mais para sentir alegria, me fazer querer mais da tua companhia e o jeito que a gente era não era o mais o jeito que nos bastava. Se eu não te amasse seria ainda tudo igual, sabia? Eu gostaria de não gostar para que ainda fosse tudo igual, e o amor, o amor seria um detalhe que se esconderia entre nós. O amor seria o silêncio que me calava ao fim do abraço desejoso por você não me soltar. O amor seria o embrulho de cada presente que eu te dava desejoso por você notar. O amor seria o olhar que desviava ao te ver com outros desejoso por você ser feliz com cada um deles, mas reservar algum espaço na tua vida, um espaço qualquer no qual eu pudesse continuar. O amor estaria sempre onde o nunca o impedisse de se concretizar. É então que eu vejo que o amor sempre esteve lá e eu posso pensar que não era para ter sido, que pode dar um bom livro o amor do qual a vida nos livrou, que eu nunca te amei e parti, que você nunca foi um amigo de verdade e não se importou. Há várias possibilidades que eu posso me dizer agora para confortar a alma. E há tantos motivos aqui que eu não saberia por onde começar. Então, se eu te falo sobre te esquecer eu confesso, eu não te esqueci, eu desisti. E desistir é apenas um jeito de seguir em frente e lembrar do que não se pode ter. Eu voltarei, não sei de onde nem para onde, mas eu vou te procurar, meu amor, quando eu puder te chamar de "meu amigo", sem sentir que isso é pouco, sem que por isso haja dor. Até lá eu quero que você guarde todo dia um sorriso para mim e mesmo que eu não volte entregue a cada dia esse sorriso para o mundo e saiba que a vida pode sim ser feliz. E se eu não voltar, você já sabe o motivo, mas também saiba que eu vou recomeçar e encontrar algum jeito de a vida ser feliz sem a gente aqui comigo. Não que eu não seja feliz, mas eu vou achar um jeito de amar alguém de novo. Até lá - se assim for -, meu amigo. Até nunca - se assim for -, meu amor.

"Não me escondo do medo de não me reerguer do silêncio de uma vida sem você de tudo que faltou ser"
(Sandy Leah)

De dentro da xícara- Revista sobre amor do blog

Além das palavras doces
Filme Coffee and cigarettesRecorte do cartaz de Coffee and cigarettes (2003)

Além das crônicas sobre amor, o "Eu só queria um café..." também possui uma revista eletrônica virtual com conteúdos diversificados sobre comportamento e relacionamentos amorosos. Na revista você encontra:
  • Entrevistas mensais com psicólogos e autores que estudam e/ou escrevem sobre o amor;
  • Rapidinhas - Notícias com resultados de pesquisas científicas sobre comportamento e amor, além de curiosidades e novidades sobre relaciomentos;
  • O leitor só queria... - participação mensal de você leitor desabafando sobre o amor por meio de um texto seu publicado aqui no blog;
  • Especiais - retrospectivas com as principais crônicas do blog.

O leitor só queria...

Sabrina Garcia (PR)

Sabrina Garcia

"Eu só queria... saber o porquê sempre me apaixono e me entrego pra quem nunca me dá o valor necessário, eu só queria um inteiro de quem eu amo, porque de pedaços e de migalhas eu estou fartas, eu só queria paz, só queria uma boa pitada de amor pra vida toda.

Amor pra mim.. é algo que não se explica, é algo que me faz perder o chão, que me deixa flutuando, que faz enxergar tudo de uma maneira diferente, que me faz acordar e dormir com o riso no rosto e a vontade de que nunca se acabe.

Na vida eu aprendi... que quem erra uma vez, erra duas, que paixão é linda, é sofrida e acaba rápido, que amor de uma vida não se esquece jamais, aprendi que quando se quer tem que ir a luta, pois todo esforço vale a pena.

Minha frase preferida é: 'Se tu vens às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz' (Antoine de Saint-Exupèry)

Sabrina Garcia - profissional de marketing, moradora de Barbosa Ferraz no estado do Paraná - conheceu o blog através da indicações de amigos, "e não deixo de acompanhar todas as postagens".

Benildes Coura Maculan (MG)
Benildes Maculan


"Eu só queria poder ser eu mesma o tempo todo, sem alguém a questionar-me, sem alguém a julgar-me, sem alguém a invejar-me, sem alguém a apiedar-se de mim... Queria não precisar ser exemplo de vida, não ter alguém a seguir meu caminho, não ser mais e nem menos do que sou! Queria apenas ser...

Amar para mim é transcender... É se enroscar no outro de tal maneira que não há eu e você - mas nós. É detestar suas chatices, implicar com suas roupas, maldizer suas manias, e, ainda assim, inebriar com seu cheiro e ansiar por seus carinhos! É presenciar sua partida, mas continuar alimentada por sua presença... É não esquecer nunca, e, apesar da dor que não se apaga, continuar a ter sede de vida, pois o amor transborda em mim.

Na vida eu aprendi que, a despeito dela ser curta, o caminho a percorrer é longo. Dessa forma, a bagagem a carregar não deve ser pesada. O melhor a fazer é levar na sacola apenas os sorrisos, o bom humor, a paciência, a coragem, o equilíbrio, a tolerância, e outras coisas similares, tão leves quanto elas... E deixar de fora a angústia, o pessimismo, a incompreensão, o medo, ou qualquer outro item semelhante... Somente assim se terá a leveza necessária para continuar amando...

Minha frase do momento: 'Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura' (Florbela Espanca)".

Benildes Maculan - bibliotecária, nasceu em João Monlevade-MG e mora em Belo Horizonte-MG - conheceu o blog quando trocou "idéias com meu colega de mestrado - e hoje amigo -, o Ruleandson, autor e desabafador do 'Eu só queria um café...'".

Para participar, clique aqui ou envie e-mail para ruleandson@gmail.com e desabafe! Os leitores que já enviaram os textos terão seus desabafos publicados nos próximos meses, desabafe você também!

Rapidinhas - notícias de amor: Especial Dia dos Namorados

Direto ao que interessa e sem dramas
Filme Aprendendo a amar

Recorte do cartaz de Aprendendo a amar (2009)

Diante do dia dos namorados, comemorado no Brasil em 12 de junho, os jornais e revistas preparam edições especiais sobre o amor, esse sentimento tão indecifrável que une os casais. Confira alguns desses especiais.

O amor e a ciência! 

O programa Globo Universidade da Globo News exibiu neste sábado um programa especial sobre pesquisas científicas dedicadas ao amor. Na atracão, foram apresentados estudos sobre a química do amor no cérebro, sobre como as pessoas estão usando a Internet para encontrar o parceiro ideal, sobre a representação do amor na literatura e o dia-a-dia de uma fotógrafa de casamentos. Assista ao programa completo no site do Globo Universidade e tenha acesso a diversas sugestões de leituras sobre o tema.

Imperdível!

O início, o meio e o fim do amor

A revista Super Interessante publicou uma edição especial sobre o amor, focando nos relacionamentos amorosos e em suas três fases: o início, o meio e o temido fim. Em todas elas a revista aborda descobertas científicas sobre a conquista, a paixão, e a superação após o fim! Há inclusive o curioso estudo de um neurocientista que diferencia amor de ódio, por vezes, tão próximos: "A diferença entre os dois é que, no ódio, existe mais capacidade de planejar as ações. No amor, o julgamento está prejudicado", diz Semir Zeki.

O que a ciência não sabe ainda é como evitar o fim do amor (ou nós queremos mesmo que ele termine?).

Quer esquecer o dia dos namorados? O cinema pode te ajudar

Está solteiro no dia dos namorados e quer uma programação para esquecer o dia 12 de junho? A Veja SP fez uma lista com 10 filmes para esquecer o dia dos namorados, a maioria filmes de terror e comédias besteirol. Curioso para ver a lista? Acesse a matéria no site da revista.

Fazer algo para esquecer não é o pior jeito de lembrar? Hum, fica a dúvida...

Foi bom pra você? Até a próxima rapidinha!

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Meus 25 anos

O mistério da estrela
Porque eu tive que pedir

Recorte do cartaz de Stardust- O mistério da estrela (2007)

Há cinco anos, no meu aniversário de 20 anos, eu prometi a mim mesmo que nunca mais sopraria sozinho a vela do meu bolo de aniversário, pois eu nunca mais queria me sentir só naquele momento em que todos esperam desejos, votos, primeiros pedaços de um bolo. Como fazer novos desejos quando um desejo antigo ainda não se realizou? Há cinco anos eu não tenho um bolo de aniversário e não preciso te explicar o motivo. Promessa boba, eu sei. Mas eu queria alguém comigo, ao meu lado, para comemorar comigo. Só que esse alguém não veio, ou melhor esse alguém não se concretizou ao meu lado, mesmo que há três anos eu tenha achado que o havia achado. Houve um ano em que até fiz um bolo e pensei que sopraria as velinhas novamente, com ele, é claro. Mas durante a comemoração eu me esqueci que havia um bolo. Deve ter sido um sinal.

Sinais, me enganei com tantos, ignorei muitos outros, emiti alguns desnecessários e (te) escondi os principais. 25 anos. Erros e acertos. Me alternei entre eles e por vezes me deparei com a vitória ou com o arrependimento. Perdi tanta felicidade buscando ser feliz. Encontrei tanta tristeza evitando entristecer. E o que eu guardei em meio a isso tudo foi a esperança e a vontade de não crescer, de nunca me sentir totalmente maduro ou pronto. Quero me sentir idiota e sábio, alternadamente, não importando a idade, muito menos a vontade, não buscar errar ou acertar, mas quero ter sempre o que aprender, para onde ir, criticas a ouvir e esse desejo de amar e escrever.

Às vezes me sinto agindo como se eu tivesse bem menos idade do que o espelho me mostra. E às vezes me sinto tendo vivido muito mais do que o calendário me mostra. Calendários contra espelhos, quantas vezes a nossa consciência transforma nossas vidas em uma disputa entre ambos. Sou uma criança com barba na cara. Sou um adulto com revistas em quadrinhos a tira-colo. Sou um velho rabugento que às vezes não quer sair de casa. Sou um adolescente revoltado que em alguns dias quer dançar até se esquecer da vida, a real, a que você, eu e tomo mundo tem que viver, crianças, jovens, idosos. Todos temos que viver. E nada pode ser melhor e mais difícil do que viver.

Eu preciso encerrar e, você sabe, eu tenho dificuldade em encerrar. Eu só quero te contar que esse ano haverá um bolo e eu soprarei a vela. Eu não tenho mais medo de me sentir só e eu não tenho mais medo de a minha vida não ser a nossa vida. Então, haverá um bolo e haverá um pedido. E me desculpe a contradição, me perdoe se naquele instante eu sorrir, fechar os olhos, fizer mais um pedido e pensar em você. Eu preciso pedir que um dia faça sentido, de presente eu quero poder entender.
 
Meus amigos, meus amores, que por vezes se confundiram em mim: obrigado por terem feito valer a pena. A nós, meus anos, e que nos céus haja sempre um estrela cadente para se erguer nosso pedido por tudo aquilo que o coração precisa ter ou deixar de ter. Feliz vida!

...

Filme Cartas para Julieta
Recorte do cartaz de Cartas para Julieta (2010)

Grito. Contido. Aperta. E falo.
Silêncio. Intenso. Distancio. E dispenso.
Ausência. Presente. Entendo. E escondo.
Futuro. Incerto. Desconfio. E alcanço.
Passado. Imutável. Recordo. E aprendo.
Dias. Contigo. Rememoro. E apreendo.
Dor. Sufoca. Respiro. E cresço.
Vontade. Incansável. Aparece. E sinto.
Ilusão. Gritante. Afoga. E fujo.
Esperança. Sussurrante. Afaga. E fico.
Discórdia. Conflitante. Ignoro. E venço.
Invisível. Recomeço. Some. E te chamo.
Solidão. Desejosa. Acompanho. E abraço.
Alegria. Camaleoa. Alterno. E encontro.
Lembrança. Doce. Provo. E ofereço.
Tudo. Diferente. Observo. E enfrento.
Amor. Negado. Confirmo. E esqueço.
Falta. Espaçosa. Atormenta. E preencho.
Você. Eternizado. Aceito. E amo.
Saudade. Crônica. Inspira. E escrevo.

De dentro da xícara - Um Twitter sobre o amor

Pios de amor Filme Coffee and cigarettes
Recorte do cartaz de Coffee and cigarettes (2003)

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Quer namorar comigo?

Se eu te peço o que não me pediu

Filme Eu odeio o dia dos namorados
Recorte do cartaz de Eu odeio o dia dos namorados (2009)

Doa-se um coração, esse órgão meu que precisa do corpo seu para funcionar e amar. Não preciso de você para viver, mas você precisa saber que eu ainda assim preciso de você para amar. A vida a gente leva só, amor não. Amor só pode até ser amor, mas, desculpa aí, não é mais o amor que eu quero. Não há amor só de um. Por que amar a sós se podemos ser nós? Quero trocar minha saudade pela felicidade, e não me importa a porta na qual terei que bater. Mas, por favor, não espere meu coração parar de funcionar para (me) levar. Vou doá-lo para nós dois, você doa o seu também e fica combinado assim. Infantil pedir? Você tinha que ver quando eu só sonhava, quando eu só planejava, quando eu só sabia ser só. E nem era por infantilidade era por imaturidade. Agora sim, sou infantil, sei dizer o que realmente sinto e querer agora e só para mim quem eu gosto de verdade. Me escuta, me olha, me leia, me toca, me beija, me ceia com vontade de querer sempre mais. Quero todo o delírio impuro que resulta do puro fascínio de corpos e vidas que se querem juntos. Esquece a fantasia, abandona a monotonia, aposenta o cavalo branco e vem do que jeito que você é que é esse o jeito que eu te quero. Não seremos sempre felizes, não vamos nos tornar um só, não podemos garantir que será eterno, aparecerá de vez em quando a vontade de fugir, vamos ter noites ardentes (manhãs e tardes também - é, sou insaciável), outras serão o dia da "dor de cabeça", e durante isso tudo algo indescritível entre nós nos fará continuar. Não será perfeito, mas será feito por nós e isso já basta. Eu quero ter um amor, não só dentro do meu coração, mas dentro da minha vida, ao meu lado, em cima, embaixo. Não cantarei música brega, não farei serenata, não haverá na mão alguma guloseima gostosa. Quero tudo muito simples. Um pedido. Uma resposta. A gente fazendo sentido. Eu que nunca fui pedido, eu que sempre fui perdido, ainda levo esse desejo, não mais contido. Responde: Quer namorar comigo?

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