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Entrevista - Laços de amor, nós de silêncio: as brigas nos relacionamentos

Os benefícios de se discutir a relação

Filme Cidade dos anjosRecorte do cartaz de Cidade dos anjos (1998)

Laços podem ser vínculos afetivos que nos unem aos outros. No entanto, com a convivência (ou até pela falta dela), os problemas surgem e os laços podem se transformar em nós. "O nó não é entre o homem e a mulher, os problemas existem nos relacionamentos heteros e homossexuais. O nó é entre o 'eu' e o 'outro', sempre", explica o psiquiatra e psicanalista Alfredo Simonetti, autor do livro "O nó e o laço: desafios de um relacionamento amoroso". Em entrevista ao blog, Simonetti diz que a conversa, ou o popular "discutir a relação", é a base para se manter um relacionamento saudável e enfatiza: "É no silêncio que termina uma relação amorosa".

O que são e como se formam os laços em um relacionamento amoroso?
S:
Um relacionamento amoroso é baseado em fatos e fantasias reais. De fato escolhemos o nosso parceiro por causa de certas qualidades evidentes (beleza, simpatia, afinidades, etc..), mas também escolhemos o nosso parceiro por características que nem nos damos conta direito. Por que nos apaixonamos por uma determinada pessoa? Pelo que ela é, pela sua essência – responderíamos de pronto, levados pelas ilusões do amor romântico. Mas é bem pouco provável que seja por isto. Em primeiro lugar a paixão é rápida, quando vem é quase instantânea, e para se conhecer a essência de uma pessoa, se é que isto é possível, leva-se muito tempo. Aliás, quando depois de longo tempo de convivência chegamos mesmo a conhecer o outro, muitas vezes nos surpreendemos com o que encontramos e, assustados, reclamamos: "mas você é isso"?...

O que causa a paixão são pequenas coisas, um detalhe do jeito da pessoa nos captura num enlaçamento vertiginoso. Segundo Barthes, "é a voz, a queda dos ombros, a silhueta esbelta, a quentura da mão, o jeito de sorrir, um jeito rápido, mas expressivo de afastar os dedos, de abrir as pernas, de mexer os lábios carnudos ao comer, etc.".

Quem diria que escolhemos a pessoa com quem queremos viver o resto de nossas vidas de maneira tão prosaica? Pois é... E mais, encantamo-nos com um detalhe da pessoa, mas casamos com a pessoa inteira, com todas as suas outras partes de que não gostamos, e às vezes nem conhecemos.

O que são e como se formam os nós entre um casal?
S:
Nó é o nome que damos às crises e às dificuldades naturais das uniões amorosas: desencontros, brigas, medo de não sermos amados, ciúmes, tédio, falta de liberdade, questões sexuais, fidelidade, problemas financeiros, divisão do trabalho doméstico, problemas de convivência com as famílias, etc.

Os nós acontecem não por falta de amor, pelo menos não necessariamente. Acontece que mesmo com o amor os nós acontecem, é que é da natureza humana esta dificuldade para se relacionar. Os seres humanos são como porcos-espinhos que, quando sozinhos morrem de frio, que é quando buscam ficar juntinhos. Mas passado algum tempo no calorzinho gostoso, começam a ficar inquietos e acabam espetando-se. Somos todos assim, não conseguimos viver sozinhos, e mal sabemos viver juntos.

"Não tem jeito, ou o homem discute minimamente a relação ou vai discutir muito na relação"

Outra razão para os nós acontecerem é o fato de que quando casamos as neuroses também se casam. Sim, as neuroses se casam, e somos todos, num certo sentido, neuróticos, ou se preferirmos, normóticos. Aliás, o período de namoro é o tempo necessário para descobrir se nossas neuroses combinam. Escolhemos para casar quem nos completa, no bom e no mau sentido. Se a pessoa tem uma tendência a se vitimizar, provavelmente escolherá um parceiro dominador, se a tendência for para ser um grande cuidador ou controlador, certamente escolherá um parceiro carente. Duas pessoas dominadoras têm pouca chance de ficarem juntas por um tempo muito longo, todavia duas pessoas que gostam da disputa, sendo uma mais dominadora e a outra mais passiva, estas sim, têm chance de um casamento longo, longo e repleto de reclamações justas.

Há algum modo de fazer com que o laço perdure por mais tempo?
S:
Ao que parece, existem apenas três coisas a se fazer com os nós do casamento, evitar que eles aconteçam, desatar quando já tiverem acontecido, e quando isto não for possível afrouxá-los até poder atravessá-los. Evitar sempre que possível, desatar quase sempre, atravessar sempre, esta é a idéia.

Evitar que os nós aconteçam é a tarefa básica de qualquer casal, tem a ver com aquela história de "regar a plantinha", de cuidar da relação, de ser amoroso e cuidadoso, de aceitar o outro como ele é, de ser criativo para fugir da rotina, e tudo o mais que nos ensina o bom senso. Acontece que todas estas recomendações fazem parte daquelas idéias muito fáceis de serem ditas e extremamente difíceis de serem praticadas. Vejamos um exemplo todos recomendam que a gente seja amoroso, cuidadoso e desprendido. Muito bem, vamos ser, mas o que fazemos com nossa raiva, nossa insegurança, nossa agressividade, e tantos outros "sentimentos ruins" que convivem dentro da gente, lado a lado com os "sentimentos bons"?

E qual seria o caminho para desatar os nós?
S:
O amor é claro! Gostaríamos de responder rapidamente, mas, infelizmente, não é assim. O amor não desata nada, sua tendência natural é, ao contrario, reunir, ligar, atrair, e isto tanto no bom como no mal sentido. No casamento o amor põe o time em campo, mas não garante o resultado. Sem ele, é claro, não há jogo, ou o jogo é sem graça. Com ele, o amor conseguiu o direito de jogar a partida, mas o resultado vai depender de muitas outras coisas.

O que pude descobrir ao longo destes anos trabalhando como psiquiatra e psicanalista - com pessoas que se queixam de algum sofrimento amoroso – foi que o conhecimento sobre como funciona o nó do casamento é capaz de aumentar enormemente a habilidade das pessoas para alcançar um casamento feliz. Entretanto cada um fazia isto de um jeito singular, nunca encontrei uma verdade que servisse para todos indistintamente, nenhuma mesmo.

"É preciso ter coragem e abandonar as fantasias do amor romântico, amor incondicional e tudo mais"


Além do conhecimento sobre como se formam os nós também ajuda muito ter coragem para abandonar as ilusões do amor romântico, aquelas histórias de duas metades da laranja, de almas gêmeas, de amor incondicional, de felizes para sempre, de sintonia total, e tudo o mais. Reconhecer as nossas fantasias e nos responsabilizarmos por elas ajuda muito a desatar os nós.

Mas o grande desatador de nós no casamento é, feliz ou infelizmente, a palavra, a conversa amorosa. Mas não é qualquer palavra que serve para a tarefa de desatar os nós. A palavra pode ser monólogo, pregação, aula, debate, bate-boca, solilóquio, reunião, narração, enganação, confissão, argumentação, discurso, comunicado, sedução, xingamento, enunciação, análise, revelação, verso e prosa. Pode ser tudo isto e mesmo assim não ser capaz de desatar os nós.

Ao que parece, é somente a palavra que vai-e-vem entre duas pessoas que se amam, assumindo a forma de uma conversa, que possui aquela magia necessária à arte de desatar os nós.

Filme O Segredo de Brokeback Mountain
Recorte do cartaz de O segredo de Brokeback Mountain (2005)

Muitos casais discutem a relação deles com os amigos e se satisfazem somente com o desabafar com os outros, sem falar sobre os problemas com o parceiro. Qual o risco de agir assim?
S:
É legal conversar com os amigos, ajuda muito a superar os problemas da relação, mas ficar apenas nisto é que é o perigo. O grande risco é que conversando só com os amigos a pessoa acaba mergulhando ainda mais nas suas fantasias e neuras. Quando escolhemos um amigo para conversar escolhemos aquele amigo que já sabemos que vai nos apoiar, que está do "meu lado". Este é o problema, se não conversamos com o parceiro perdemos a chance de "ver o outro lado". Na verdade são duas conversas necessárias, uma não substitui a outra. É claro que a conversa com o amigo, como expliquei acima, é mais segura. Conversar com o parceiro implica em ouvir coisas que a pessoa talvez queira evitar, mas que são muito importantes.

É mito ou os homens não gostam de discutir a relação? Se sim, por quê?
S:
Sim, é fato corriqueiro que os homens não gostam de discutir a relação. O que acontece é que os homens são muito bons em resolver problemas, em buscar soluções, mas fazem isto de uma maneira objetiva e direta, e as mulheres, por seu lado, tem uma tendência maior à subjetividade, à sutileza. Os homens ainda não descobriram que discutir a relação nada tem a ver com resolver problemas. Discutir a relação serve, principalmente, para nos sentirmos escutados, considerados, amados enfim. E não tem jeito, ou o homem discute minimamente a relação ou vai discutir muito na relação.

Como o senhor percebe as diferenças entre o modo de amar do homem e da mulher?
S:
A diferença entre homens e mulheres, tão divulgada hoje em dia, é sem dúvida uma das causas dos nós no casamento. Homens e mulheres são iguais em seus direitos, ou pelo menos deveriam ser, mas do ponto de vista psicológico, na forma como encaram a vida, na forma como amam, gozam e sofrem são muito diferentes. Se tivesse que resumir numa frase diria que os homens são simples, objetivos e diretos, as mulheres são complexas, subjetivas e curvilíneas.

"Não é quando o amor acaba que termina uma relação, mas quando acabam as palavras"

Mas é preciso enfatizar que não é a diferença entre a alma feminina e a alma masculina a principal causa dos nós do casamento, porque se fosse assim os casamentos homossexuais seriam harmônicos e pacíficos, e não é o que acontece, neles os mesmos nós do casamento heterossexual também existem. O nó não é entre o homem e a mulher, é entre o "eu" e o "outro".

Por mais saudáveis os laços (os relacionamentos) um dia chegam ao fim. Como saber o momento em que não vale mais a pena tentar desatar os nós?
S:
Embora não exista uma resposta simples e direta para esta questão, já que na verdade não se trata do momento em que não vale mais a pena, e sim do momento em que uma pessoa escolhe, decide não mais tentar, é sempre possível apontar alguns indícios do fim de uma relação. Quando é que uma relação termina de verdade? Seguramente não é quando as pessoas se separam fisicamente, ou mesmo judicialmente, porque para muitos é justamente ai, pela ausência, pela falta é que se evidencia a força da ligação afetiva com o outro.

Não é quando o amor acaba que termina uma relação, mas quando acabam as palavras, instalando-se certo estado de indiferença no qual inexistem intenções de palavra em direção ao outro. É no silêncio que termina uma relação amorosa, embora, é claro, nem todo silêncio signifique o fim da relação.

Rapidinhas - notícias de amor

Direto ao que interessa e sem dramas

Filme Todas contra John
Recorte do cartaz de Simplesmente complicado (2010)

Um giro ligeiro e prazeroso sobre o que anda sendo publicado na Internet sobre amor e relacionamentos.

Facebook pode ser responsável pelo aumento em número de casos de doença sexualmente transmissível?
Grupo de especialistas em Saúde do Reino Unido associa o uso do maior site voltado à formação de redes sociais virtuais, o Facebook, ao aumento no número de casos de sífilis nas cidades britânicas de Teesside, Durham e Sunderland, segundo os jornais Telegraph e Sun. De acordo com as publicações, o diretor de Saúde Pública de Tesside, Peter Kelly, teria dito que sites como o Facebook "tornam mais fáceis os encontros para sexo casual entre as pessoas", e que no número de casos de sífilis que quadruplicaram recentemente, várias pessoas infectadas pela doença teriam se conhecido por meio do site. Entretanto, o porta-voz do diretor de saúde negou mais tarde que Kelly tenha dado tais declarações, pois a pesquisa realizada por ele baseou-se em apenas 30 casos.

Exagero da mídia? Puritanismo? Preconceito? O uso do Facebook realmente contribuiu para o problema? Seja lá qual for a verdade e em que espaço você busque parceiros casuais e também no sexo com quem possui um parceiro fixo a mensagem é uma só: USE CAMISINHA, SEMPRE!

Ministério da Saúde usa Twitter para esclarecer declaração homofóbica sobre AIDS no BBB
Por falar em camisinha e rede social... O twitter do Ministério da Saúde está sendo utilizado para corrigir informação incorreta e declaração homofóbica divulgada pela TV Globo. No dia nove de fevereiro deste ano, o Big Brother Brasil (BBB) 10 exibiu, em horário nobre e em rede nacional, a declaração do participante Marcelo Dourado que disse que heterossexuais não pegariam e nem transmitiriam AIDS, doença que, segundo tal participante, seria exclusiva aos gays e/ou bissexuais. O programa não corrigiu a fala de Dourado e o poder público tem se manifestado contra a falta de uma informação correta ao grande número de telespectadores da atração, líder de audiência. Além de o Ministério Público de São Paulo ter solicitado à TV Globo que corrija a informação no programa, o que ainda não ocorreu, o Ministério da Saúde está rastreando mensagens no Twitter sobre a fala de Dourado e informando: "Homens e mulheres de qualquer idade e orientação sexual estão vulneráveis ao HIV".

Bela iniciativa do Ministério da Saúde, que soube usar o Twitter, que diariamente tem o BBB como tema mais discutido no Brasil, para ajudar a extinguir o preconceito com os gays, esclarecer a população e também incentivar o uso do preservativo. "Estamos de olho"!.

Homens se divertem 32 minutos a mais por dia do que as mulheres
Que elas geralmente gostam de se arrumar por horas antes de sair de casa, tanto eles, os homens, quanto elas, as mulheres, já sabiam. A novidade, no entanto, é que, segundo pesquisa da Organisation for Economic Co-operation and Development, aquelas atividades tidas como tipicamente femininas, por exemplo, cuidar da beleza e fazer compras no shopping, podem custar em média, 32 minutos de diversão a menos para as mulheres se comparado com o tempo gasto pelos homens com lazer. O estudo avaliou como homens e mulheres ocupam o tempo livre e percebeu que eles gastam mais tempo se divertindo com amigos, assistindo televisão, dentre outras atividades relaxantes, enquanto elas enfrentam sessões de beleza e compras em shoppings e/ou supermercados.

Talvez, o estudo sirva como alerta para as mulheres se divertirem mais, entretanto, fico na dúvida de se a pesquisa não seria um pouco machista, pois, quem disse que elas não se divertem nem sente prazer fazendo compras e/ou se embelezando? O que você acha?

Foi bom pra você? Até a próxima rapidinha!

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Ex-perança

Maldade, bondade e responsabilidade

Filme Hancock

Recorte do cartaz de Hancock (2007)

“- E o que estraga a vida?
- Gente!”
(Tarde demais para esquecer – 1957)

Eu vim com dois defeitos de fábrica: um cérebro pensante e sentimentos pulsantes. Não sei a quem culpar por esse erro, mas eu vejo, sinto, percebo, falo, escuto e, portanto, penso e tento não me enganar. O defeito não é defeituoso para mim, mas para quem se aproxima e eu até entendo as queixas, deve ser mesmo muito complicado me tolerar. Eu não sei ver uma injustiça e fingir que não vi. Eu não consigo sentir ou perceber a real intenção de alguém e seguir o jogo. Eu não consigo perceber e enlouquecer pensando que não era nada disso, não sou capaz de me iludir para tornar real a ilusão preguiçosa de alguém. E isso incomoda. Eu incomodo. Incomodo, como me incomoda o mundo em que vivemos. Mundo que, às vezes, me dá nojo. E o pior de sentir nojo desse mundo no qual vivo é não poder sequer me dar ao luxo de vomitar: alguém seria capaz de me pedir para limpar!

É isso mesmo, estou revoltado, Mas a culpa não é minha, é de um sistema que nos presenteia diariamente com doses de desesperança e realidade. Aliás, culpa. Vamos falar sobre ela… Há um bom tempo algumas psicologias de botequim, livros de auto-engano e papagaios da espécie humana que saem repetindo falácias sem refletir, tentam te convencer de que você é o único responsável por tudo que lhe ocorrer, a culpa, dizem, será sempre sua. Isso seria verdade se cada um de nós vivesse isolado, em uma bolha de auto-suficiência, mas não, vivemos em sociedade, convivemos com o outro, com os outros. A nossa responsabilidade é administrar com maturidade e coragem o que fizerem conosco, incluindo o que nós mesmos nos proporcionamos, mas isso não isenta o outro da responsabilidade dele sobre nós.

Hoje, são feitas as perguntas erradas. Vou exagerar, mas como recurso retórico para ser compreendido (ou faltou à aula de Literatura?). Se alguém leva um tiro as perguntas são: por que ele levou um tiro? mas por que ele não conferiu se essa pessoa não tinha uma arma antes de se aproximar dela? sabendo que estamos em um mundo tão violento, por que ele não andava 24 horas por dia com um colete à prova de balas? mas será que ele não mereceu levar um tiro? Poucos se lembram de buscar pela justiça, da punição do erro e da única pergunta que deveria ser feita: quem atirou já está preso?

A vítima hoje se tornou o vilão, ou pelo menos o culpado. Diante de toda injustiça e maldade alguns ainda querem te convencer de que você mereceu aquilo. Eu grito “NÃO!”. Alguém magoou seu coração? Querem te culpar por se permitir sofrer, querem te condenar por não ter o que eles julgam ser maturidade para lidar com a situação. Ninguém questiona o erro de quem te magoou, a imaturidade de quem causou dor em você, querem que você acredite que o erro, a culpa e a solução são responsabilidades suas e só suas. Se você reclama é dramático, histérico, exagerado, radical. O erro será apontado como sendo da reação, nunca como da ação que a provocou. É porque "é sua escolha sofrer", é porque "tinha que ser assim", são milhares de eufemismos e papéis de seda cobrindo um espelho, para evitar que eles vejam quem realmente são.

Estamos nos preocupando com as pessoas erradas, é essa a verdade. Não se preocupe com quem sempre parece a vitima, se preocupe com quem sempre parece o vilão. Não se preocupe com quem quer sempre ajudar os outros, se preocupe com quem sempre atrapalha. Não se preocupe com quem sempre chora de tristeza, se preocupe com quem sempre faz alguém chorar de tristeza. Não se preocupe com quem se emociona com tudo, se preocupe com quem não se emociona com nada, é para esses que você não vale nada, NADA.

O problema é que a humanidade pensou ter evoluído. Pseudo-intelectuais pensaram ter evoluído quando conseguiram nos convencer de que não existe pessoa perfeita. Eles estavam certos, não existem pessoas perfeitas, mas ainda existem pessoas boas e pessoas más. Não existe o perfeito, mas ainda existe o certo e o errado. O ideal é inalcançável, mas isso não significa que ele não deve ser buscado.

Melhor parar por aqui. Eu falo demais. Só acrescento que não perdi a esperança, mas perdi, por opção, a ilusão. Aprenda: esperança não é sinônimo de ilusão. Também não me tornei amargo, mas me permito a revolta, não a burra, a descolada da ação, mas a revolta necessária, a expressão do que me dói.

Mas, parei por hoje (repito, por hoje)! Pegue minha garantia e peça para trocarem alguma peça. Mas não se esqueça: se tirar minha fala, eu ainda escreverei, se tirar minha escrita, eu ainda pensarei, se me tirar minha visão, audição ou todos meus sentidos, ainda lutarei pelo fim desse mundo sem sentido. Só não tire meu cérebro ou meus sentimentos. É que eu até aguento o mundo, mas não aguentaria ser você (não, não foi um elogio).

“Eu tinha um ponto de vista? Oops, eu não sabia que não podia falar sobre você! E eu não vou me desculpar, não vou me desculpar! É a natureza humana. Não sou sua puta, não jogue sua merda em mim”
(Madonna/ Dave Hall)

O leitor só queria...

Fernanda Mirabelli (RJ)

Foto Fernanda Mirabelli
"Eu só queria... ser qualquer coisa que você precisasse, o objeto entre seus dedos, estar somente, presente, poder te acompanhar, queria ser o sim no meio na dúvida, o olhar lá longe, a inquietação que tira teu sono, a mesma que tira o meu, a falta de apetite, o excesso de vontade, a tara, o mau humor, a felicidade, a agonia, a aflição, o telefone que não toca, a espera, a falta de coragem, o silencio constrangedor, a hora que não passa, ou a que passa rápido demais, o sorriso bobo, a lágrima contida, a falta de tesão, o fio de cabelo na blusa, o sossego entre lençóis, o cheiro na curva, eu queria ser qualquer coisa que você quisesse. Estar na medida, ficar na tua vida, ate quando eu merecer.

O amor para mim é algo que 'Não sei responder, não sei explicar. Mas sei que o amor nasceu dentro de mim...' (Maria Rita)

Na vida eu aprendi... que 'Convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros. Há no ser humano, e ainda nos melhores, uma série de ferocidades adormecidas. O importante é não acordá-las' (Nelson Rodrigues)

Minha frase preferida é 'Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo" (Fernando Pessoa)"

Fernanda Mirabelli - estudante, da cidade do Rio de Janeiro - conheceu o blog visitando outros blogs e diz que por meio dele é "bom saber que não estamos sozinhos no mundo, que outras pessoas passam e sentem o que sentimos".

Vitor Morgado (BA)

Foto Vitor Morgado


"Eu só queria... Ser amado. sentir que sou essencial e importante pra alguém. Queria compartilhar momentos, deitar no colo, assistir um filme juntinhos num dia frio. Queria parar de ouvir o 'eu gosto muito de você' e passar a ouvir um eu te amo, ou será que é tão difícil assim fazer alguém me amar de verdade? Eu só queria mesmo era não ficar sozinho....

O amor pra mim é um sentimento que causa diversas reações na gente desde alegrias a frustrações, é o amor que nos faz dizer besteiras e mudar por alguém.. Amor é fazer tudo "errado", mas fazer de coração!

Na vida eu aprendi que migalha de amor dói mais do que a falta dele, porque mata lentamente e nem sempre a importância que se dá é a mesma que se tem. Normalmente não é.

Minha frase preferida é: " Se não houver frutos, valeu a beleza das flores. Se não houver flores, valeu a sombra das folhas. E se não houver folhas, valeu a intenção da semente". (Maurício Francisco Ceolin - eternizada por Henfil)

Vitor Morgado - administrador financeiro, nasceu e mora em Salvador no estado da Bahia - conheceu o blog através de uma indicação no
Ocioso.

Para participar, clique aqui ou envie e-mail para ruleandson@gmail.com e desabafe! Os leitores que já enviaram os textos terão seus desabafos publicados nos próximos meses, desabafe você também!

Até que os dias passem

Meu passatempo é passar o tempo sem você passar

Filme Lembranças

Recorte do cartaz de "Lembranças" (2010)

A gente sempre esteve ao lado, tão unidos, num laço infinito, amizade ou paixão? Mas aqui nessa vida não se pode escolher o que vai acontecer com o nosso coração. Eu não gosto de ficar preso ao passado, mas como agir sem você ao lado? Eu não tenho tido outra esperança senão o passado, com seu "não", sem você e a sua presença - coisas que hoje sei distintas - no presente, sem a promessa de sua companhia no futuro. A certeza de não haver mais um futuro juntos não encerra a saudade do passado no presente. Recordar é o único modo de ainda bater para um coração sem a chance de viver, condenado ao solitário re-viver. A dor que você causou a alguém só muda se você mudar, então, até! Até que os dias passem, e os novos sonhos nos mudem, e alterem o que ainda sinto que você foi, é, e será. Você foi o tempo que já passou. Você é o tempo em que eu estou. E sei que o seu amor será, o tempo que ainda virá. Passa, passa o tempo, mas sem movimento, eu só quero um tempo para lembrar de nós dois. Passa, passa o tempo, vê se não demora já chegou a hora de você escolher. Passa, passa o tempo, a hora e o momento, sei que não aguento se você me esquecer. Passa, passa o tempo, não, não vá embora, e se tiver que ir que me leve com você. Não, eu não me esqueci, mas eu tive que aprender a fingir para seguir.

De dentro da xícara - Facebook do amor

Cultivando amor no Facebook

Foto cartaz filme Coffee and cigarettes

Recorte do cartaz de Coffee and cigarettes (2003)

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Amar o mar

Nada de nadar*

Filme Shelter
Imagem promocional de Shelter (2008)

"Eu que não sei quase nada do mar..."
(Ana Carolina)

Sempre que amei, mergulhei de cabeça. Assim, sem bóia, sem touca, sem roupa especial, sem conferir se havia algum salva-vidas por perto. Afinal, a gente mergulha para sentir a água, para sentir o mar, não para evitar o mar. Do mesmo modo ninguém ama para evitar amar, o medo de amar é o oposto do amor. É que nunca me satisfez ficar na beira da praia, molhando apenas os pés e vendo as ondas passarem, eu sempre precisei fazer parte, estar dentro, me deixar levar. A segurança em um mar de amor não está fora, não está em nada que se compra, em nada que se use, está apenas em estar dentro, disponível, nadando, amando, respirando. É claro, é preciso saber nadar, saber amar, o que só se aprende nadando, amando....

Eu, que muitas vezes tentei me aproximar de você, que te cuido enquanto você nada, não recebi nada, não em troca, mas como motivo para descobrir algum sentido para continuar aqui. Tenho a séria mania de gostar de nadar com as pessoas que eu amo, e não de observá-las desbravando oceanos. Sigo junto, sem ter medo e sem pensar nas consequências, mergulho de cabeça, nada raso me permite nadar. Meu estilo é me entregar nas relações.

Mas você tinha medo, não de amar, não de nadar, mas de me amar, de nadar comigo. Segurei tua mão e pedi que viesse comigo, que me ensinasse, eu queria aprender a nadar com você. Mas você com seu medo preferiu não se envolver. O que você não percebeu é que você se foi, mas eu continuei ali, nadando, e levou algum tempo para que eu percebesse meu sonho solo, meu nado desincronizado de um coração agonizado. Doeu, machucou, alguma parte em mim se foi. E, se não era a sua intenção eu me afogar, então, por que soltou a minha mão?

Meu querido, eu não queria, mas você quis não me querer. Sua escolha foi alguma que eu ainda não sei, foi talvez a aparência, a tranquila comodidade de quem não encara que a calma do mar vem do som feito pela força da correnteza. É preciso correr o risco, é preciso apostar, é preciso mergulhar, é preciso amar, é preciso nadar.

Eu preciso seguir a correnteza e, antes de tudo, lhe desejar coragem para viver um amor. Te desejo agora a essência, a entrega para deixar a covardia, a vontade de querer ser mar, de saber amar. Nunca deixe de tentar por não saber o que vai ser, com medo de deixar de ser. Algumas amizades precisam virar amor, pois o rio precisa virar mar. Mar que não sabe de onde vieram todas as águas que por ele correm, nem conhece o destino certo delas depois que chegam, mas ainda assim está lá, sendo mar, deixando de ser rio, preenchendo um vazio simplesmente por abrigar. Pode ser assim pra mim, começar sem motivo, terminar sem se perceber.

Eu não sabia bem nadar no seu mar e acho que errei esperando que você me ensinasse. Como esperar amor de quem ama o mar e não quem nada nele ao seu lado?

"Amor, você me manteve vivo. Enquanto eu estava na água, eu fiz um trato com Deus. Se Ele me deixasse ver seu rosto mais uma vez, nunca mais pediria nada a Ele. Bom, Ele cumpriu a parte Dele e eu vou cumprir a minha, irei embora sem pedir nada..."
(Pearl Harbor - 2001)


*Crônica escrita por Ruleandson do Carmo e Cristina Ramos, leitora do blog.

Rapidinhas - notícias de amor

Direto ao que interessa e sem dramas

Foto Filme Simplesmente complicado
Recorte do cartaz de Simplesmente complicado (2010)

Um giro ligeiro e prazeroso sobre o que anda sendo publicado na Internet sobre amor e relacionamentos.

Infidelidade masculina é "burrice" (literalmente), diz estudo
Eu sempre achei que só trai quem é burro. Burro por achar que isso não traria problemas ao relacionamento. No entanto, os resultados de uma pesquisa, realizada pelo especialista em psicologia evolutiva da London School of Economics, Satoshi Kanazawa, vão mais além: homens inteligentes, com QI mais elevado, são menos propensos à traição, pois valorizam a exclusividade sexual em um relacionamento. De acordo com o autor do estudo, a fidelidade masculina é uma prática evolucionária, pois historicamente o homem tem sido relativamente polígamo, por isso os mais inteligentes estariam mais abertos à essa evolução. Apesar de a exclusividade sexual significar maior QI entre os homens, tal relação,segundo Kanazawa, não se aplica às mulheres, relativamente monogâmicas na história da evolução humana.

Então, parece ser literalmente burrice trair! Seja inteligente e pense nisso na próxima vez...

Divorciados fazem mais sexo
Resultado de levantamento realizado pelo jornal britânico The Sunday Telegraph, aponta que pessoas divorciadas fazem sexo entre seis e 20 vezes por mês, enquanto os casados fazem sexo nove vezes por mês, em média. O estudo também indicou que uma das prováveis causas para os casados fazerem menos sexo é o stress causado pelo ambiente familiar, associado ao stress do ambiente de trabalho. A solução para ter uma vida sexual mais ativa não seria ficar solteiro, pois o levantamento também apurou que os solteiros fazem menos sexo do que os divorciados, e ainda menos sexo do que os casados. Com uma frequência entre seis e 20 relações sexuais por mês estão 68% dos divorciados, 44% dos casados e 38% dos solteiros.

Não dá para saber se tais resultados se repetiriam em todo o mundo, mas fica a dúvida do por quê os divorciados fariam mais sexo do que os solteiros... vai saber!

Doentes de amor?
Pesquisa de mestrado em andamento na Universidade de São Paulo (USP), desenvolvida pela psicóloga Andréa Lorena da Costa procura voluntários para pesquisar diferenças entre o amor patológico e o ciúme patológico. Segundo a psicóloga, o amor se torna uma doença quando há atenção e cuidados excessivos com o parceiro, enquanto o ciúme se torna patologia quando há o medo de ser perder o companheiro, entre outros. Para ser voluntário é preciso ter disponibilidade para comparecer semanalmente ao Hospital das Clínicas de São Paulo, para responder a entrevistas e questionários sobre o tema da pesquisa.

Quem puder e quiser basta entrar em contato com o Ambulatório de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria da USP (Amit) pelo telefone (11) 3069-7805 ou pelo e-mail contato@amiti.com.br

Oportunidade interessante para quem sente sofrer de alguma dessas patologias ajudar a ciência a entender melhor o sentimento amoroso.

Foi bom pra você? Até a próxima rapidinha!

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