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Entrevista - Amor, amor próprio e bem-estar psicológico

Amor sim, egoísmo não

Filme Brilho Eterno de uma mente sem lembranças

Recorte do cartaz de Brilho Eterno de uma mente sem lembranças (2004)

"Posso dizer que fui movida pelo amor", explica a formanda em psicologia Solange Cambraia Lopes. Aos 47 anos ela iniciou o curso de psicologia, no qual se forma, com o objetivo de conhecer melhor o comportamento e o psiquismo humano, para "contribuir de forma mais incisiva na diminuição do sofrimento psíquico das pessoas e, especialmente, de uma pessoa que amo muito", conta Lopes. Em entrevista ao blog, ela fala sobre seus estudos acerca de questões como amor e bem-estar e avisa "achar que não precisamos de ninguém para ser feliz é pura ilusão".

O tão falado amor-próprio. Como desenvolvê-lo e não confundí-lo com egoísmo?
S:
Amar a si mesmo é um pressuposto fundamental para se ser feliz, embora o amor próprio, muitas vezes, seja confundido com ser individualista e egoísta. O amor-próprio é essencial para que nós nos lancemos no mundo com coragem e confiança. Não amar a si mesmo é sentir-se inferior aos demais e, dessa forma, dificilmente o indivíduo conseguirá amar verdadeiramente o outro. Essa consciência do amor-próprio se desenvolve a partir de uma profunda reflexão acerca de nossas qualidades e defeitos. Já o egoísmo (ego + ismo) é o hábito ou atitude do indivíduo de colocar seus interesses sempre em primeiro lugar, em detrimento das demais pessoas com as quais se relaciona.

O amor romântico prega o amor incondicional e com isso há quem pense que não aceitar tudo que o outro faz não seria amor. A senhora concorda?
S:
Considerando que toda relação amorosa é dialética, essa seria uma atitude passiva na qual a pessoa não se posiciona. Pode-se dizer que ela se anula. Dessa forma, reprime seus anseios e desejos em função de ser amada. É um mecanismo de defesa para indivíduos inseguros e com baixa auto-estima.

"O modo que amamos são repetições inconscientes de experiências anteriores"

Como as questões relacionadas ao amor podem impactar o lado psicológico do indivíduo?
S:
O amor é a mola mestra da saúde psíquica do indivíduo. A relação de amor se forma a partir do momento em que o bebê nasce e recebe os primeiros cuidados maternos. Esses cuidados não são apenas o alimento e a higiene, mas o afeto, o toque, o olhar, o sentir-se amado. Essa experiência da conexão mãe-filho, de forma saudável, é fundamental para a saúde psíquica do sujeito.

E por que um grande número de pessoas atribuem a felicidade ao fato de ter ou não um parceiro?
S:
Desde o início, somos programados para amar, portanto, não queremos viver só. Precisamos do outro, é o outro quem diz quem somos. Como disse, anteriormente, precisamos nos sentir amados. Ainda que a experiência de amar possa causar dor, pois quanto maior o amor maior a dor, mesmo assim estamos sempre em busca de uma relação de amor. É uma repetição compulsiva na natureza humana. Um desejo de repetir o que fizemos antes, uma tentativa de restaurar um estado de satisfação anterior do ser. Assim, aqueles a quem amamos e o modo que amamos são repetições inconscientes de experiências anteriores.

Filme Brilho Eterno de uma mente sem lembranças
Cena de Brilho Eterno de uma mente sem lembranças (2004)
Por outro lado há quem pense que "não precisa de ninguém para ser feliz". Há algum risco nesse pensamento?
S:
Quando o indivíduo diz que "não precisa de ninguém para ser feliz" pode estar usando isso como mecanismo de defesa, ele teme sofrer, pois sabe que toda relação envolve amor e dor. Por outro lado, tem pessoas narcisistas, ou seja, se acham auto-suficientes e pensam que não necessitam dessa permuta de afetos. Pura ilusão.

Há pessoas que entram em depressão por amor, com um amor não correspondido, ou com o término de uma relação, por exemplo. Há algum modo de se perceber que a pessoa precisa de ajuda psicológica para lidar com as relações?
S:
A perda é um pressuposto básico da existência, porém lidar com ela é um fato que exige muito do sujeito. Viver é um processo constante de perder e ganhar, ganhar e perder. Quando perdemos algo ou alguém, faz-se necessário elaborar o luto. Obviamente com dor, sofrimento e no tempo de cada um. Caso o indivíduo adoeça, faz-se necessário um maior cuidado, pois ele pode se tornar melancólico tendo sua vida pobre de energia afetiva, pois uma parte dela continua presa no outro que morreu ou que não o quer mais.

"Alguns pedem conselhos ao outro para se algo der errado ter a quem culpar"

Muitas vezes as pessoas desabafam com os amigos e recorrem aos conselhos deles para solucionar seus problemas amorosos. Isso pode ajudar mesmo as pessoas ou há riscos nesses aconselhamentos?
S:
Falar sobre um problema ou conflito é sempre bom. Ter alguém para escutar é melhor ainda. Só o fato de você estar ouvindo o que você próprio está falando já é algo positivo, pois alivia as tensões emocionais que o conflito causa no sujeito. Quanto aos riscos do aconselhamento, depende de quem os recebe e de quem os dá. Tem pessoas que não querem se posicionar ou fazer escolhas, então pedem conselhos para o outro, pois se não der certo ele terá a quem culpar.

Como saber se o problema é no relacionamento ou no modo de amar do indivíduo?
S:
O problema central, em geral, é a relação amorosa. Seja com os pais, com irmãos, amigos ou com o parceiro. Muitas vezes, seguimos padrões de relacionamentos ditados pela cultura. Porém, há que se considerar a história de vida do sujeito que é singular, bem como a sua subjetividade para poder opinar. Não se pode generalizar.

Não é homofobia: uma história real

Infelizmente, as histórias na crônica abaixo são reais. A crônica também.

"Homofobia: descrédito, opressão e violência contra homossexuais, isto é, os ditos lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual ou transgêneros"
(Dra. Sônia Vieira - Unicamp, 2009)


Do que não foi e nunca será

Recorte do cartaz de Meninos não choram (1999)

"- A Constituição nos dá o direito à livre expressão.
- O direito à livre expressão não dá a ninguém o direito de cometer um crime"

(Law & Order: Special Victims Unit)


Eu tinha dois anos de idade e gostava de imitar Michael Jackson, quando o via dançando na TV. Era louco com ele. Saí um dia com meu pai e fiquei murmurando a música do Michael e rebolando com minha mãe. "Seu filho já nasceu boiola", disse o amigo do meu pai que só parou de rir quando fomos embora. Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.

Aos quatro anos comecei a dançar Ballet no Núcleo Artístico em Belo Horizonte, meus pais, irmão, avó e madrinha estavam nas apresentações e premiações, o restante da família e amigos não: "Isso não é coisa de homem. Não faz essas coisas de mariquinha", eles diziam. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.

No pré-primário a professora me colocava sempre junto das meninas, pois os meninos me batiam, e não gostavam de sentar "perto da bichinha". Não era homofobia, eles apenas estavam se expressando.

Na primeira série pedi à diretora para apresentar uma peça de teatro na escola, apresentei e alguns me xingaram de "boiola, bicha" etc. Meu pai foi à escola reclamar e a professora disse a ele "tratam seu filho assim porque ele não é normal". Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.

Na quarta série um colega de sala me deu um tapa na cara e gritou comigo, "veadinho, essa vozinha de galinha". Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.

Na quinta série, no colégio, o diretor e a pedagoga mandaram chamar minha mãe. "Seu filho dança ballet, escreve teatro, só anda com as meninas, não joga futebol. Seu filho tá virando veado e a senhora apoia, não faz nada?". Minha mãe me defendeu, a chamaram de louca e ela me levou embora, aos prantos. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.

Também na quinta série, participei das Olimpíadas da escola, na modalidade salto à distância. Quando você corre e pula, naturalmente seus olhos arregalam. Quando pulei, jogaram areia nos meus olhos e gritaram "pula, bichinha". Fiquei alguns dias com os olhos feridos. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.

Algumas mães e irmãs de alguns dos poucos amigos homens que tinha pediram a eles, na minha frente, para se afastarem de mim, pois poderiam "ficar mal falados". Não era homofobia, elas estavam apenas se expressando.

Entre a sexta e a oitava série, me batiam de vez em quando no final da aula, me derrubavam nas aulas de educação física, alternavam meus apelidos entre "RuleBambi" e "Bailarina", e sempre repetiam "vira homem, veado". Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.

Na oitava série eu queria dançar quadrilha. Nenhuma das meninas quis dançar comigo, elas riam "Ah, Ru, você tinha que ser mais homem ou dançar com homem". Fiquei triste, e a professora de educação física disse "eu danço com você". Não era homofobia, elas estavam apenas se expressando.

No segundo grau mudei de escola e lá apanhei também. A diretora me mudou de sala, os novos colegas riam, mas não me batiam. Não era homofobia. Eles estavam apenas se expressando.

Quando trabalhei de garçom junto com meu pai, um dia fui sozinho. O cara que ficou de chefe no lugar do meu pai ordenou que "carregasse sozinho os botijões. Vamos ver se ele é homem mesmo". Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.

Na faculdade, um colega de turma me agrediu fisicamente, pois eu o abracei quando o vi durante o almoço. "Tá me estranhando? O que você quer?", me disse ele. Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.

Formado, trabalhando em um jornal impresso em início de trajetória, meu chefe me comunicou minha demissão "meu sócio, dono das máquinas disse que não quer veado no jornal". Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.

Pouco depois uma amiga me convidou para a festa da irmã, eu e nosso grupo de amigos. Todos ganharam dois convites. Eu ganhei só um. Quando pedi o segundo convite ela me disse "Ru, é uma festa de família, não fica bem se você for acompanhado". Não era homofobia, ela e a família dela estavam apenas se expressando.

Certa vez, na Savassi, região nobre de Belo Horizonte, estava sentado na praça com meu par, um cara passou e cuspiu em nós. "Que nojo" ele disse, fomos defendidos por um policial. Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.

Em 2008, escrevi sobre o preconceito contra gays e divulguei o texto no Orkut. Uma comunidade dita católica contra "homofacistas" (como alguns chamam os gays anti-homofóbicos) fez uma série de denúncias contra meu perfil ao Google, dizendo ter conteúdo impróprio, me perseguiram e ameaçaram virtualmente. Tive que criar outra conta no Orkut. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.

São alguns dos tristes trechos dos quais me recordo. Já fui e sou desacreditado, oprimido e violentado verbal e fisicamente por pessoas que nunca esconderam o motivo para tal: eu ser gay. Mas, não se preocupe, não vou me fazer de vítima, não vou culpar a sociedade ou algum participante bronzeado, prateado ou dourado do Big Brother Brasil. Não, não era homofobia, nunca é. Eles sempre estavam e estão apenas se expressando. Eu também.

"- Eu não entendi o que você quis dizer...
- Eu não esperava que você entendesse!"

(Heroes)

De dentro da xícara - Siga o amor em nossa comunidade no blogger

Seguindo o amor por onde for

Filme Coffee and cigarettes
Recorte do cartaz de Coffee and cigarettes (2003)

Você tem Orkut, GMail, Yahoo! Mail, Twitter, Blogger, Conta Google, AIM, NetLog ou Open ID? Então que tal prestigiar o blog e fazer parte da nossa comunidade virtual dentro do Blogger? Você poderá:

- trocar mensagens com os outros membros da comunidade;
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O leitor só queria...

Danniele Dantas (PA)

Danniele Dantas

"Eu só queria... ter a competência de dizer o quanto eu te amo. Amo cada partezinha tua, amo com tanto amor. E eu poderia terminar esse texto dizendo assim, só assim: fica pra sempre comigo, eu te amo, eu te quero mais do que tudo nesse mundo, eu te amo, casa comigo? Porque eu te amo... mas sei lá, eu não quero. Na verdade, o que eu queria mesmo era poder dormir contigo de conchinha, e no dia seguinte nem levantar, ficar ali, com bafinho e tudo, decompor naquela cama, mas nunca, nunca mais levantar, nunca mais te deixar sair do meu lado, nem por um instante, nem mesmo pra tomar um café. Tu me fazes querer viver só de amor, só de amar, meu Deus! Mas isso é tão irresponsável e inconseqüente. Uma vez li uma coisa que dizia mais ou menos assim: 'Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele', então, não sei... eu só sei que tu és mais do que a minha metade, tu és o meu inteiro, porque eu sou completamente vazia sem você!

Amor pra mim é: Alexia.

Na vida eu aprendi que amar requer entrega, requer você por inteiro, requer cada pedaçinho de você.

Minha frase preferida é: 'Tenho achado viver tão bonito..' (Caio Fernando Abreu)"

Danniele Dantas - estudante, nasceu e mora em Belém no estado do Pará - conheceu o blog através de um outro blog do qual não se lembra mais.

Para participar, clique aqui ou envie e-mail para ruleandson@gmail.com e desabafe! Os leitores que já enviaram os textos terão seus desabafos publicados nos próximos meses, desabafe você também!

Deu vontade de sambar

Daquele samba que é teu cheiro

Filme O mistério do sambaRecorte do cartaz O mistério do samba (2008)

"A tristeza é senhora, desde que o samba é samba é assim"
(Caetano Veloso)


Deu vontade de bater à sua porta e fingir que por algum motivo em algum momento você iria me atender. Deu vontade de ficar na chuva e deixar ela molhar meu corpo até lavar e levar minha alma a caminhos e destinos mais leves. Deu vontade de me perdoar pelos erros que nós cometemos. Deu vontade de te perdoar pelas vezes que você não veio. Deu vontade de voltar ao tempo nas vezes em que você veio. Deu vontade de desistir de qualquer outro, fazer greve de amor, até que o mundo desse voltas e fizesse a gente se reencontrar. O mundo dá voltas, mas volta. E eu sempre volto para esse sentimento inacabado que você me deixou. Deu vontade de não sentir mais essa vontade de matar a sua saudade que insiste em me invadir. Deu vontade do nosso aconchego, de fazer de ti meu samba-enredo, para o nosso amor na avenida desfilar. Deu vontade de sambar até o amor voltar. Deu vontade de te abraçar apertado, de ouvir a sua voz, de sentir o teu cheiro, de ouvir você reclamar de algo que não tem solução. Deu vontade de você. Deu vontade do que eu não posso ter. Ouço meu coração suspirar e procurar de novo um lugar no meu peito ao encarar que o bom da vontade é que ela dá e passa. Sempre passa.

"Não, eu não sambo mais em vão, o meu samba tem cordão, o meu bloco tem sem ter e, ainda assim, sambo bem à dois por mim"
(Marcelo Camelo)

Rapidinhas - notícias de amor

Direto ao que interessa e sem dramas

Filme Um Beijo roubado
Recorte do cartaz de Um beijo roubado (2007)

Um giro ligeiro e prazeroso sobre o que anda sendo publicado na Internet sobre amor e relacionamentos.

Os segredos do beijo na boca
Carnaval e muito beijo na boca são quase sinônimos. Se você está ou pretende passar o resto da folia beijando muito que tal aproveitar a oportunidade para conhecer um pouco mais os segredos do beijo? Não, não se trata de nenhum técnica revolucionária para melhorar seu beijo. O site G1 reuniu uma série de estudos científicos sobre o beijo na boca que fazem algumas revelações curiosas como: há mais de 484 formas de beijar; pessoas costumam beijar com a cabeça inclinada para a direita; beijar reduz o stress; nojo de beijar irmãos é instintivo e não cultural; beijo é antídoto contra depressão; chocolate excita mais do que beijo; homens não costumam beijar durante o sexo; já existe vacina contra a doença do beijo. Curioso, não? Confira todas essas pesquisas no site do G1!

Aproveite para beijar bastante, mas lembre-se do conselho sábio de uma comunidade do Orkut: "Não achei minha boca no lixo", hein? Relembre também a crônica "Amor de carnaval" sobre a doença do beijo.

Existe uma idade certa para se apaixonar, diz pesquisa
O professor australiano de matemática Tony Dooley da Universidade de Nova Gales do Sul criou uma fórmula, a fórmula do noivado, para calcular a idade ideal para um indivíduo solteiro se apaixonar. De acordo com o professor o cálculo, de fórmula desconhecida, é feito com base na idade em que alguém começa a procurar um parceiro para se casar e a idade máxima que deseja encontrar tal parceiro. Além de bastante ousada a fórmula foi testada por Dooley, mas alcançou apenas 37% de acerto.

Daqui a pouco vão calcular a idade ideal para separar, beijar etc. Agora como desenvolver melhor seu jeito de amar poucos pesquisar, né? Querem só milagres e controlar fatores externos! Recado tá dado...

Namorado "coelho"? Que nada, o melhor é o namorado "tartaruga"
Essa é para descontrair... Não é de hoje que os coelhos têm a fama de terem uma grande frequência sexual, além de serem bastante rápidos. Mas parece que não é só na famosa fábula que a tartaruga vencerá o coelho não. Pelo menos se depender de Dirty Dirk tartaruga macho do zoológico de Londres que anda surpreendendo biólogos e visitantes do local por seu apetite sexual que não cessa nem com o fio do cio: o animal é visto cruzando com duas tartarugas que dividem espaço com ele no zoo. Segundo os visitantes as cenas são calorosas!

Hum, nada mal um "namorado tartaruga", parece lento, lerdo, mas é insaciável... huuuuummmm!...

Foi bom pra você? Até a próxima rapidinha!

Para sugerir links à seção clique aqui.

O amigo infantil que sou

Da criança em meu coração

Filme Crossroads amigas para sempreRecorte do cartaz de Crossroads - Amigas para sempre (2002)

"Feche algumas portas. Não por incapacidade ou arrogância, mas porque não levam onde você quer”
(Paulo Coelho)

Às vezes as pessoas dizem que sou infantil. Digo para mim mesmo "não quero mais" e desapareço de certas pessoas e situações. É quase um "belém, belém, nunca mais tô de bem", igual ao que as crianças fazem, sabe? Talvez, por isso (é por isso) que alguns dizem que sou infantil. E pode ser bom ser tido como infantil nesse quesito, é sinal de se ser, acima de tudo, sincero com o que se sente e para com quem se sente. Então com criança é mesmo assim, sem se prender ao ontem, sem esperar demais do amanhã, importa o agora, importa a inocente voz do coração. Não se é mais feliz, não se confia mais, não dá mais para "brincar"? Adeus! Há crianças e crianças, mas elas sabem bem quem é o colega que as procura somente para pegar o "video game" emprestado e quem é o amigo que não ri dela por fazer "xixi na cama". Criança sabe quem em sua vida só colhe e quem acolhe.

Na amizade e com as pessoas, a criança é diferente do adulto. O adulto "joga fora" pelo prazer de substituir de descartar as pessoas como se fossem coisas, precisa de "brinquedo novo". O adulto sabe do tamanho do mundo, da quantidade de pessoas e enxerga em cada uma delas uma possibilidade, então para que se prender a uma amizade com tantas outras possibilidades de conveniência por aí? A criança não! Ela é intensa, e se ela foi magoada, se ela não se sente mais amada, ou capaz de amar, se é o que o coração dela pede, ela tem maturidade suficiente para partir. Ela suporta a falta da boneca, quando é chegado o momento da boneca ser de outra. Ela suporta a falta do carrinho quando ele deve andar por outros caminhos. Ela deixa ir o amigo, quando ele não deve mesmo ficar mais.

E é na infância que aprendemos a separar nossos amigos em amigo e melhor amigo (aonde está o seu melhor amigo da infância?). Havia sempre aquele que era o melhor amigo, e, geralmente, da infância à vida adulta, damos esse título à pessoa errada: chamamos de melhor amigo aquele do qual mais gostamos, mas, nem sempre (e geralmente não é) o que mais gostamos é o que é o melhor para nós. Crescemos e passamos para a tola divisão dos amigos e os estimados "amigos de verdade". Não há "amigos de verdade", pois se alguém é "amigo de mentira", simplesmente não é amigo. É colega, é conhecido, é alguém que suporto por me trazer vantagens, mas amigo não é.

Há quem prefira ser polido (ou seria falso?) e, por isso, mesmo magoado, tendo perdido a confiança e até mesmo o respeito mútuo, prefere manter a amizade e a convivência (a que for necessária, claro), viver em uma Guerra Fria de indiretas trocadas diretamente, de palavras intencionalmente para irritar, de farpas compondo a toalha de um agradável piquinique entre "amigos". Afinal, vai que um dia você precisa daquela pessoa? Ou vai que os outros te chamam de infantil por encerrar uma amizade? E aquele dia em que foi bom? E se todos os outros "talvez", talvez, ocorram? E se o passado voltar e se o futuro melhorar? Esquece isso tudo, e me diz: e você? Como VOCÊ se sente agora e na maior parte do tempo? Qual o jeito quando não há mais jeito?

Eu posso estar errado, e há, na verdade, uma parte em mim que implora para que eu esteja, mas eu prefiro dizer "não quero mais"! Se eu não tenho nada de bom para levar para alguém, se eu não confio mais, se eu me sinto desrespeitado, se me dói, se eu não me sinto mais feliz e capaz de fazer o outro feliz, por que manter uma "amizade"? Há palavras que não voltam, situações que não tem como reverter. Levo amizade muito a sério (criança sempre se entrega, nunca está brincando, quem diz que é brincadeira são os outros) para transformar amigos que amei (e ainda os amo) em colegas. Eu prefiro não espernear, não fazer pirraça e fingir que tirei férias, perdi a memória e não lembro mais quem é aquele "amigo", e jogar o "jogo do contente" para continuar a sorrir. Não que eu faça isso com dezenas de pessoas, criança só sabe contar até 10, não costuma ter mais do que esse número de amigos. Criança também não gosta muito de rotina. Quando a coisa não é agradável de ser feita, tolera apenas o que realmente precisa fazer.

Pensando bem, sou mesmo um amigo infantil, se me entender nessa infantilidade confessa. E o bom de ser criança é ter ainda que crescer. O ruim de ser adulto é ter apenas que ser.

"Entrevistador: 'E como você dá conta?'
Britney Spears: 'Eu levo a vida como se fosse o Karatê Kid'!"

(Britney for the record)

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Filme Coffee and cigarettes
Recorte do cartaz de Coffee and cigarettes (2003)

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Mundo pós-moderno

Falando sobre o que ninguém fala

Filme Ensaio sobre a cegueira
Recorte do cartaz de Ensaio sobre a cegueira (2008)

No começo o homem andava curvado. Precisou de algumas gerações para que conseguisse se erguer e andar. Séculos e séculos para que andássemos eretos e o homem de hoje - para alguns, o homem pós-moderno - retrocedeu e se curva: seja para usar as tecnologias que solucionam problemas que muitas vezes não existiam, seja para viver sob a ditadura de pensamentos que não são dele e o tornam escravo de si. Tão virtuoso mundo pós-moderno. Nele, chique é gastar o dinheiro que não se tem com aquilo que não se precisa. Culto é ser bilingue ou poliglota sem antes dominar com propriedade o próprio idioma. Experiência é conhecer o mundo inteiro e menos de meia dúzia de cidades do país no qual se vive. Política é quando você desliga a TV para não ver os candidatos a governar seu país, não acompanha, não se preocupa, e depois critica. Ativismo é divulgar causas pelas quais você mesmo não age. Esporte é ignorar o time para o qual se torce e tentar provar que o time adversário é pior. Vitória não é quando se vence, mas quando se derrota alguém. Conhecimento é acumular informações inúteis sobre o que você nunca vai precisar. Inteligência é ser arrogante. Ecletismo é amar vários cantores do único estilo musical que você gosta, ou pior, admirar várias coisas em um único artista. Ser grosseiro com as pessoas é ter atitude. Falsidade é como te chamam por ser feliz e educado. Autoestima é procurar desesperadamente por alguém pior do que você. Sinceridade é quando não te telefonam mais. É incoerente, mas, ser evoluído é achar que o outro é primitivo. Crentes em Deus toleram sua própria religião e rejeitam as outras. Ateus rejeitam a todas as religiões e mesmo sem ter fé em nada, ainda assim, fazem parte da nova seita mais radical do mundo. O relacionamento mais longo que as pessoas conseguem ter é com o próprio espelho. Sexo agora se chama masturbação assistida. Acreditar é duvidar o mínimo possível. Gratidão é dizer a si mesmo que o outro não fez nada demais por você. Personalidade é dizer que prefere não se definir, não se limitar, para disfarçar que não se conhece, não se importa muito nem consigo. Perdão é se convencer de que a mágoa do outro é na verdade um melodrama. Amor é o "amor da minha vida" durante os próximos quinze minutos. Amizade só enquanto eu puder tolerar o outro e me sentir melhor do que ele. Vizinhos não é mais desejável tê-los, o ideal é não ser vizinho nem daqueles que moram dentro da sua própria casa. Sexualidade não é conhecer seus desejos é viver somente para satisfazê-los. Curtir a vida é mais importante do que viver a vida. Orgasmos são mais importantes do que abraços. Cargos são mais importantes do que valores. Corpos são mais importantes do que o conteúdo do cérebro de quem os habita. Eterno é o que dura até o próximo hit. Pensamento crítico é quando você fala mal de alguém. Para que ter um animal de estimação se você pode se casar? Discernimento é quando te chamam de dramático ou pessimista. Vicioso mundo pós-moderno do coração inflado de um cidadão nada modesto. Adeque-se. Atente-se. Encaixe-se. Ou aprenda a saber quem é você mesmo e não o que eles querem que você seja. Ser é mais do que projetar no mundo uma imagem de si. Viva e deixe viver, mas primeiro saiba (ou tente saber) o que de fato é isso.

"Não é careta. É caráter"
(Eliza Soares)

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