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Entrevista - Machismo e amor: um homem em defesa das mulheres

Ele por elas

Filme As muitas mulheres da minha vidaRecorte do cartaz de "As muitas mulheres da minha vida" (2007)

Ele namora. Mesmo sendo compromissado trai a namorada beijando outra. Depois ainda transa com essa amante. Mas é ela, a amante, que tem seu caráter questionado por milhares de twitters que assistem ao Big Brother Brasil, enquanto ele, o traidor, sai quase que ileso da história. A reação de parte das pessoas à história acima - o romance entre Michel e Tessália, participantes do BBB 10 - é similar a muitas outras e ilustra bem a sociedade machista na qual, infelizmente, vivemos. "Os homens podem, sem vergonhas ou culpas, ser os porta-vozes do falocentrismo e da manutenção da ainda dominante cultura machista, enquanto a maioria das mulheres se cala", explica o responsável pelo blog "Ela nua e crua" César Machado. Através da Internet, ele publica suas reflexões sobre o amor e a condição da mulher. Nesta entrevista, ele expressa o desejo de contribuir para o fim do machismo e, sobretudo de entender o amor. Quanto ao diploma acadêmico para discutir o sentimento, Machado é categórico "a própria natureza te gradua".

Por que acredita que as mulheres precisam de um porta-voz de sua individualidade e sexualidade?
C:
Dentro da cultura e dos preceitos machistas, os homens sempre encontram apoios e reforços, entre seus pares machos, para as suas fantasias, conquistas e aventuras romântico-sexuais, fazendo questão de compartilhá-las e de levantá-las como troféus. Por mais machistas e aberrantes que sejam seus casos, nenhum amigo ouvinte se indispõe ou se declara a favor da reputação da mulher "vítima". Os homens podem, sem vergonhas ou culpas, ser os porta-vozes do falocentrismo e da manutenção da ainda dominante cultura machista.

No caso feminino é muito diferente: elas se calam. A grande maioria se sente forçada a ser aliada dos homens nos julgamentos dos comportamentos das parceiras de gênero, mesmo que as julgadoras estejam cometendo "delitos românticos" idênticos ou piores do que aquela que se encontra no banco dos réus, com a hipócrita finalidade de preservação da própria imagem. Com raras exceções, não confiam umas nas outras e todas as mulheres sabem disso.

"Criei um blog para a mulher perceber que não é um ET pervertido"
Por isso, ao longo de meu trabalho, através de pesquisas e diversos depoimentos, percebi a solidão em que elas vivem, não tendo em quem confiar, convivendo sozinhas com frustrações e pensamentos íntimos. Os maridos, em geral, são os últimos da lista de pessoas confiáveis para tais confissões. Por isso, a idéia do blog, para elas lerem e perceberem, mesmo anonimamente, que suas insatisfações, seus desejos e anseios de liberdade de suas sexualidades são legítimos e que não são coisas de outro mundo, sendo perfeitamente comuns a todas as mulheres.

Resumindo, decidi criar um espaço no qual, através de troca de experiências, elas pudessem concluir que não são ET’s pervertidos. O intuito foi atenuar as malditas culpas geradas pelas culturas machista e romântica.

Há certo senso comum de que as mulheres se preocupam mais com o amor. Seu trabalho é dedicado aos relacionamentos heterossexuais, os homens também não deveriam ser focados por ele?
C:
Mesmo com apenas cerca de quatro meses de criação do blog, o conteúdo já é muito denso, em termos de artigos e comentários. Na verdade, lendo, na íntegra, os artigos e os meus comentários, pode-se perceber que mais tenho filosofado e criticado o romantismo do que escrito especificamente sobre as mulheres. É impossível falar sobre ele sem abordar a postura masculina. Ainda estou no campo da filosofia das interações nos namoros e casamentos e, inevitavelmente, continuarei falando sobre os homens até o final. Tenho falado mais sobre conflitos relacionais do que sobre a sexualidade feminina e o sexo em si, apesar de que, mais à frente, falaremos bastante sobre ele. Têm sido leituras que servem a ambos.

Quando escrevi a proposta do blog mencionei que escreveria sobre as relações heterossexuais por questão de foco mesmo, além de não me sentir seguro para escrever sobre as homossexuais. Mas comentei que tudo me levava a crer que estas estão mergulhadas no mesmo emaranhado de sofrimento. Isso tem sido comprovado em todas as oportunidades que tenho para conversar com gays e lésbicas, como por exemplo, na semana passada, quando entrevistei um casal de namorados gays. Muito do conteúdo que se encontra no blog, até o momento, também pode ser direcionado aos homossexuais.

"Para o amor, a vida é a maior e mais eficiente escola"
Não ser psicólogo traz alguma dificuldade à proposta de discutir e levar à reflexão do amor?
C:
Não precisamos de formação acadêmica para discutir o amor. Precisamos entender que não há como avançar nesse debate se não conseguirmos nos desvencilhar, o máximo possível, da cultura. O que considero ser amor não é cultural, não havendo espaço para a moralidade. Ele é ético, universal, natureza, essência e liberdade. Logo, se você consegue libertar sua alma para desejar compreender os caminhos que podem levá-lo ao entendimento desse sentimento por demais abstrato, subjetivo, puro e anarquista - que podemos chamar de amor incondicional -basta lançar mão da filosofia para se expressar. Assim sendo, a própria natureza te gradua. Sinto-me graduado, nesse sentido, pois me percebo, apesar de um aprendiz da matéria amor, um curioso cada vez mais amoral. Tenho estado atento à natureza que me diz que nasci para ser livre e é ela é quem tem me dado condições para poder falar algo sobre o amor. Um diploma em nada me ajudaria, nesse sentido. Não desejo lançar um foguete, que é invenção humana; quero descobrir e compartilhar minhas descobertas acerca do que é liberdade, que já nos pertence, dádiva da natureza. Para o assunto que me propus a discutir, a vida é a maior e mais eficiente escola.

O que é o amor?
C:
Sem dúvida alguma, a pergunta mais difícil. Não tenho uma definição precisa do que seja e de como é sentir o amor. No entanto, sinceramente, não pretendo tê-la. Defini-la será, mais uma vez, engessá-lo e não me permitir ir além do que eu pensava ser. Por hora, acho suficiente ter em mente que é um sentimento que quer muito conhecer o parceiro profundamente, independentemente das questões morais, que não aprisiona, não sufoca, que respeita as escolhas distintas das nossas, que não permite que nossas inseguranças se interponham no caminho da felicidade do outro.

O amor verdadeiro e incondicional é consequência das verdades irrestritas e da liberdade de poder viver o que realmente somos. Se um desses dois não existir na relação, pode-se ter qualquer outro sentimento, mas jamais o amor puro que toda a sociedade ocidental busca.

O amor é a busca central e a palavra mais repetida no romantismo. Porém, paradoxal e hipocritamente, a própria cultura romântica, com suas mentiras e sentimentos de posse, colocou carcereiros, através de modelos padronizados de relacionamentos heterossexuais e a dois, para um preso de alta periculosidade e nocivo aos preceitos cristãos e às instituições, fazendo de tudo para que ele permaneça desconhecido e incomunicável: o amor livre e verdadeiro.

Logo, não reconheço o amor romântico como amor, pois está longe de ser um sentimento nobre. Ele prega a doação, tolerância, entrega, abdicação, posse, abstinência, sofrimento, falta de liberdade e, por fim, a castração da sexualidade e do indivíduo. Crimes, violências, humilhações e doenças passionais... É ridículo demais aceitá-los como coisas normais.

Definir o que não é amor é bem mais fácil do que dissertar sobre ele.

Filme As muitas mulheres da minha vida
Recorte do cartaz de "As muitas mulheres da minha vida" (2007)

No blog, o senhor conta que foi casado por várias vezes. O que o levou a buscar entender o amor: a felicade ou a infelicidade amorosa?
C:
Meus casamentos foram todos ótimos, pois quando o deixaram de ser, eu rompi com eles. Por isso, não tenho trauma algum de casamento. Felicidade ou infelicidade não foram os fatores que me levaram a buscar entender o que é o amor, mas sim a minha insatisfação e ansiedade pela irrestrita liberdade de ir e vir e para me relacionar e amar quem eu quisesse. É interessante ressaltar que, em minha última separação, a minha preocupação não era ficar livre para descobrir o que é amar. Eu queria apenas ser livre. O sentimento de algo que queiramos chamar de amor e a busca do entendimento do que ele é foram consequências da liberdade adquirida. Por essa razão, afirmo que sem liberdade não se ama.

Quem sofre mais por amor o homem ou a mulher?
C:
Sem dúvida, a mulher. A sociedade e a família a preparam para viver o amor romântico, ser esposa, mãe e fiel, garantindo-lhe a felicidade através desses papéis e postura – apesar de isso estar mudando, lentamente. A frustração vem a galope, quando ela acorda e percebe que não conheceu a felicidade, que existem dois pesos e duas medidas, que o jogo é desleal e sujo, além da descoberta de que não é isso que sua alma quer. Após perceber a armadilha, vê-se acorrentada a um modelo de vida e comportamento, sendo muito difícil dele se livrar. Porém, apesar dessa dificuldade, grande parte das separações costumam ser iniciativas femininas.

Raramente, nós ouviremos de um homem que ele está frustrado com o seu casamento, pois, diferentemente da mulher, o seu ingresso nele é sem fantasias. Ele já vai preparado para ter uma infidelidade aceita pela sociedade, sem culpa e ciente de que terá que "rebolar" um pouco para poder continuar se relacionando com outras mulheres. O homem não sofre tanto durante o casamento, pois foi preparado para a parcial perda de liberdade. Seu sofrimento aparece quando a mulher pede a separação, quando então, normalmente, vira bicho, diante do absurdo do macho ser rejeitado pela fêmea, além de quase sempre achar que, durante um bom tempo ele foi" corno", já que ele só pediria a separação se já houvesse outra mulher à sua espera, para constituírem outro lar. Porém, raramente a mulher se separa e vai imediatamente morar com outro homem.

"A internet é perfeita para discutir o amor"
Os pensamentos femininos e masculinos possuem liberdades muito diferentes. Mesmo que ambos possuindo as mesmas oportunidades para atender às suas libidos, os homens deixam de fazer por opções próprias, por não terem tempo etc. As mulheres deixam de fazer o que intimamente desejariam por acharem que não devem, por "não ser justo", para não se sentirem levianas. Esta é apenas mais uma vertente do sofrimento feminino.

Por que resolveu usar a Internet para refletir e discutir o amor?
C:
Para um maior alcance dessas idéias que, na verdade, nem são minhas, são da própria natureza, do universo. Tenho sido apenas uma ferramenta de propagação. O blog foi, também, uma forma que encontrei para ouvir outras mulheres, de outros estados e com outras realidades, além das diversas das quais eu já havia obtido depoimentos, a fim de enriquecer ainda mais o meu livro. A Internet é perfeita para isso.

Sobre o projeto de seu livro "Paridade Sexual". Como será a obra e há alguma previsão para lançá-lo?
C:
O livro está, atualmente, com cerca de 170 páginas. Assim que me separei, parei de escrevê-lo, pois sabia que vivendo livre eu teria bem mais condições de enriquecê-lo com minhas experiências e conclusões. Logo depois criei o blog, que foi um passo maravilhoso em termos de trocas. No momento tenho me dedicado a ele. Quanto ao lançamento, não tenho pressa, pois minha maior urgência está em aprender a viver bem. No entanto, acredito que até o final deste ano ele estará indo para a editora.

De dentro da xícara - Faça sua pergunta!

FormSpring.Me

Filme Coffee and Cigarretes

Recorte do cartaz de Coffee and Cigarretes (2003)

Também estou no FormSpring (site para enviar perguntas a alguém, inclusive como anônimo). Empolgado com o serviço, resolvi aproveitar a idéia e publicar as principais dúvidas que recebo por e-mail, Twitter, MSN, Orkut etc com as devidas respostas para conhecerem um pouco mais a mim e ao blog!

Aproveita e manda sua pergunta ou dúvida sentimental também, adoro responder!

Dúvidas frequentes

Por que o blog se chama "Eu só queria um café..."?
Sou apaixonado por frases de filmes e quando assisti ao filme brasileiro "Não por acaso" (2007) e ouvi essa frase me identifiquei. "Eu só queria um café...", no filme, e aqui no blog, tem o significado de alguém que ama, mas não recebe o que deseja de quem ama, apesar de querer algo tão simples, como um café. Tem que assistir ao filme para entender... mas é isso!

Por que a foto de dois surfistas se o blog tem café no nome?
Ah, ser óbvio não tem graça! :P A foto do banner é do filme romântico "De repente califórnia" (2008), e vejo nela um simbolismo de quem contempla a imensidão do mar, de quem consegue ganhar o mar, mas ainda quer algo muito simples, como um café, como um amor, mas ainda assim não recebe...

Você escreve as crônicas baseadas nos filmes que estão nas fotos dos posts?
NÃO! Escrevo os textos primeiro e depois busco o cartaz de algum filme, de preferência comédia romântica (meu gênero preferido) para ilustrar, simplesmente por amar filmes e por os cartazes serem fotos de divulgação que, portanto, podem ser publicadas sem problemas de direitos autorais.

Todos as crônicas do blog são suas?
SIM! Todas as crônicas são de minha autoria.

Posso colocar um texto seu no meu Orkut/ Blog/ Nick/ Twitter/ Etc?
Pode sim, MAS, por favor, dê o crédito e coloque que a frase ou o texto é meu e não seu. Obrigado!

Você namora?
Não, nunca namorei (estou encalhado, candidatos, manifestem-se)!

Você escreve sobre amor e nunca namorou?
SIM! Nunca namorei, mas sempre amei e amo. Imagina se um médico homem (ou uma médica mulher que nunca engravidou) só pudesse escrever sobre gravidez caso tivesse engravidado? Seria complicado! As pessoas aprendem estudando, pesquisando, refletindo e observando. É o que faço em relação ao amor. Além disso amor é sentimento e relacionamento, mas não se resume a namoro.

Você é feliz?
Quase sempre sou sim.

Por que você só escreve coisas tristes?
Escrevo sentimentos sinceros, sem me preocupar se são de alegria, dor, saudade etc. Escrevo até algumas crônicas mais engraçadas e em todas tento ser otimista. Mas realmente a tristeza, pela intensidade, inspira mais.

Você pretende lançar um livro?
Não é tão fácil lançar... e, no momento, não tenho tempo para me dedicar a um projeto desses... mas, um dia, quem sabe...

Terminaram com você/ você foi abandonado/ você tem um amor platônico e por isso criou o blog?
Não! Criei o blog pois sempre gostei de escrever e de refletir sobre o amor. Nunca namorei, então, não terminaram comigo. Existem várias formas de abandono, mas do modo como perguntam, não fui abandonado. O verdadeiro amor platônico, definido por Platão em "O banquete", é amar a alma sem precisar do sexo com quem se ama. O amor platônico não extingue o sexo, mas ele não é o motivo para o amor. No entanto, as pessoas deturparam o amor platônico para um amor não correspondido ou um amor não declarado. Acho que nunca tive amores correspondidos (já tive relacionamentos correspondidos), mas todos meus amores foram declarados. Enfim, o motivo do blog não é curar uma dor de cotovelo, é discutir o amor!

Todos os textos de amor são para a mesma pessoa?
Não...

O que é o amor?

Amor é...

Filme Banquete de amorRecorte do cartaz de Banquete do amor (2007)

Amor é um destino feliz ao fim de um caminho difícil por uma estrada sem atalhos. Amor é quando a esperança tem paciência. Amor é colecionar detalhes. Amor é quando a gente sonha acordado e só sabe que é verdade porque tem alguém ao lado sonhando o mesmo sonho que você. Amor é querer pertencer ao outro, não por submissão ou posse, mas por entrega. Amor é a cada dia que passa estar sempre mais perto do início do que do fim. Amor é quando a solidão tem vontade de ser você. Amor é tentar concentrar ao assistir um filme, mesmo sabendo que ao seu lado está a pessoa mais linda do mundo. Amor é encontrar alguém que reúna os seus defeitos preferidos. Amor é nunca mais tirar a barba só porque ele um dia disse que gostava. Amor é procurar roupas parecidas com aquela que ele elogiou. Amor é aprender não só a fazer, mas a querer fazer. Amor é ter sempre alguém na mente enquanto o corpo se esforça para fazer outras coisas. Amor é convencer o outro a fazer o que será melhor para ele, nunca o que será melhor para você. Amor é não desistir. Amor é nunca se despedir, e isso não é não ter fim. Amor é quando a ausência não se faz presente, pois de algum modo se está sempre ali. Amor é ter orgasmos não só no sexo. Amor é quando ao deixar alguém você sente que deixou a você mesmo. Amor é perceber que a sua felicidade é importante para o outro. Amor é quando é simples de sentir, complicado de explicar e trabalhoso para se manter. Amor é quando o seu espírito descobre um abrigo e não é o seu corpo. Amor é não se contentar com pouco sem exigir mais do que o outro pode dar. Amor é sentir a necessidade de ser sempre sincero. Amor é quando dói mentir. Amor é o infinito onde as paralelas do sentimento e do relacionamento deveriam, mas nem sempre se encontram. Amor é o que se leva uma vida para acontecer e muitas outras para se esquecer. Amor é um estado raro em que em alguns casos a felicidade supera a reciprocidade. E chega o tempo em que finalmente se aceita que o verdadeiro amor não é aquele que necessariamente se concretizou de verdade; o amor da sua vida não é aquele que fica a vida toda por toda a sua vida; o amor que importa em sua existência é o que você sente por aquela só pessoa, por tanto tempo, anos e dias sem jamais pensar que desperdiçou um segundo sequer de sua vida. Amor é escolher sentir saudade. Amor é, por fim, o que só você entende.

O leitor só queria...

Glyssia Grace (PA)

Glyssia Grace
"Eu só queria... dizer que não sei se foi amor o que um dia eu senti, olho para trás e vejo o tanto que com o tempo eu aprendi. Dizer que não precisamos descarregar no outro a responsabilidade sobre a nossa felicidade, mas sim fazer e acontecer juntos! Acredito também que não existe perda de tempo com alguém, tudo é experiência e serve como aprendizado para relacionamentos futuros.

Amor pra mim.. é um sentimento lindo que te faz rir, chorar, perder a cabeça, fazer loucuras. É um estado da alma no qual você tem todas as emoções misturadas, a flor da pele. E acredito que o coração é capaz de amar várias vezes..

Na vida eu aprendi... Que a família vem em primeiro lugar, os amigos são a família que nos permitiram escolher e que fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho.

Minha frase preferida é: 'Viva todo o seu mundo, sinta toda liberdade' (Fernanda Mello/ Rogério Flausino/ PJ)"

Glyssia Grace - estudante da cidade de Belém no estado do Pará - conheceu o blog quando procurava por texto de reflexão sobre a vida e amor.

Marina Meireles (SP)

Foto Marina Meireles

"Eu só queria... ter a certeza de que quem está ao meu lado é recíproco. De que essa desconfiança conquistada no passado se desfizesse a cada momento vivido à dois eu pudesse me surpreender, e perceber que o que realmente tinha era só uma insegurança tola.

O amor pra mim é a cada gesto demonstrado, cada silêncio interrompido, no perdão e no erro, no olhar acolhedor e também nas críticas necessárias. Acima de qualquer espécie de amor, onde exista LEALDADE e cumplicidade.

Na vida eu aprendi que embora tenhamos familiares, amigos, amores, amantes, você caminha sozinho. Às vezes se torna difícil e o amparo é feito daqueles que amamos.

Minha frase preferida é: 'Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica e nenhuma força jamais o resgata' ( Carlos Drummond de Andrade)"

Marina Meireles - estudante, nasceu e mora na capital do estado de São Paulo - conheceu o blog por meio de outros blogs que já lia e diz que "desde então sou fã assídua".

Para participar, clique aqui ou envie e-mail para ruleandson@gmail.com e desabafe! Os leitores que já enviaram os textos terão seus desabafos publicados nos próximos meses, desabafe você também!

Rapidinhas - notícias de amor: Especial serviços online

Direto ao que interessa e sem dramas

Filme SOS do AmorRecorte do cartaz de S.O.S do amor (2005)

Confira alguns serviços online que podem ajudar você a melhorar sua comunicação no amor e sua vida amorosa, em geral.

Para entender a língua de quem se ama
Entender o que a pessoa amada nos diz e quer é tarefa das mais complicadas, principalmente, se quem se ama fala literalmente outra língua. No entanto, nada que um bom dicionário ou tradutor online não possa ajudar. A Babylon empresa responsável pelo programa homônimo líder mundial em tradução, lançou na Internet diversos sites gratuitos com dicionários e tradutores virtuais, como o Tradutor Inglês-Português e o Dicionário Online que traz também a definição de palavras de vários idiomas, em uma coleção de dicionários, glossários e enciclopédias online. Os serviços são boas pedidas para traduzir conversas, blogs e pequenos textos, visto que a tradução, como o próprio site alerta, é tarefa árdua e que exige contextualização de certas expressões não literais. Portanto, para traduzir aquelas frases de amor que só ele ou ela te diz pode ser bastante eficaz.

Testei a convite da Babylon os sites do Tradutor e dos Dicionários e estão aprovados, como ferramentas de auxílio às traduções simples, como o publieditorial (post publicitário) acima esclarece.

Tirar suas dúvidas de amor e sexo através da Web
Conflitos, dúvidas, e inseguranças são comuns na vida, ainda mais na vida a dois. Questionamentos surgem a todo momento nas relações amorosas. Encontrar as respostas para esse dilema não é tão fácil quanto buscar por algo na Internet, mas alguns blogs podem te ajudar a encontrar uma luz no fim do túnel:
  • "Meu Melhor amigo gay" - responde dúvidas de mulheres em busca de melhorar seus relacionamentos com os homens, de modo bem humorado (hilário). São comuns dicas como "Então vamos acabar com essa chatice de que em fim de namoro a gente tem que ficar mal, dormir muito e engordar o dobro!". Envie suas dúvidas para o e-mail meumelhoramigogay@gmail.com ou acesse o blog.
  • "Sexy Help Desk" - tira dúvidas de leitores e leitoras sobre sexo, principalmente, sobre como agir durante o sexo e vencer tabus. Há a resposta para dúvidas como "Sou vagabunda por querer transar com dois ao mesmo tempo?" e dicas para a prática do sexo anal. Quente, não? Envie sua pergunta para sexyhelpdesk@gmail.com ou visite o blog.
  • "A melhor das intenções" - conta com colunistas que respondem dúvidas dos leitores ou comentam sobre amor e relacionamentos nas bem humoradas colunas "Palavra de gay", "Palavra de macho", "Palavra do leitor", "Palavra da leitora", "Palabra de casada" e "Palavra de consultora", além de dicas interessantes postadas em todo o blog. No espaço você encontra dicas de etiqueta sexual, respostas a dúvidas como "Ela não sai do meu pé. E agora?". Imperdível!

Foi bom pra você? Até a próxima rapidinha!

Para sugerir links à seção clique aqui.

Em silêncio

Por esperar

Filme Sempre ao seu lado

Recorte do cartaz de Sempre ao seu lado (2010)

Cheguei ao mundo chorando. Chorar foi a forma de provar que estava vivo. Mas se esse meu primeiro choro alegrou aqueles que me amavam ainda sem me conhecer, meus choros seguintes - também de dor como o primeiro - podem incomodar aqueles que me amam por me conhecer. Todo choro é de desespero, seja por não aguentar de dor, seja por não saber como lidar com tanta alegria. Só que ninguém gosta de pessoas desesperadas. Na infância chorava para que me notassem, me socorressem, mas na vida adulta isso não adianta muito. Os amores não dão certo, as amizades passam por crises, as pessoas se afastam, e chorar nada resolve.

Dentre as vivências que me fizeram chorar, de alegria e de tristeza, nada supera as lágrimas daquela amizade apaixonada. Foram os melhores choros de felicidade, foram os mais merecidos choros de momentos não tão felizes assim. Da perda, ficaram os choros solitários de saudade. Choros daqueles que ninguém entende, ninguém apóia, ninguém consola. Então, chega a hora de deixar de chorar. Quando não se consegue o que se quer de um jeito é preciso mudar de jeito. Sem chorar, sem as pirraças do coração fazerem efeito, aprendi a esperar, ao invés de chorar. Não que um dia a saudade deixe de doer, mas, um dia, a gente cresce e aprende a chorar em silêncio. E, muitas vezes, esperar e sentir esperança é um jeito de chorar em silêncio, sem que se note, sem que se veja, sem que se importem. Não importa, chorar, mesmo que em silêncio, sempre será um jeito de provar que ainda se está vivo e esperando.

"Ei, ele não vai voltar. Agora você não precisa mais esperar por ele"
(Sempre ao seu lado - 2010)

Guia de Nicks para MSN e Orkut - 2010!

Digite aqui uma indireta para alguém

Foto Guia de Nicks para msn e Orkut
Precisa desabafar? A crise de existência chegou? Está com saudade? Brigou com alguém e quer dar aquela cutucada? Está feliz da vida e precisa compartilhar isso com o mundo? Tem algo a dizer mas está sem inspiração? "Eu só queria um café..." pode te ajudar com o Guia de Nicks para MSN e Orkut!

Confira as sugestões incluídas na atualização de uma das seções mais acessadas aqui do blog (foram incluídas frases das crônicas de 2009 e desse começo de 2010).

Desabafe, com "Eu só queria um café..."!

Sugestões de nick:
DECLARAÇÕES
CRISES DE EXISTÊNCIA
APAIXONADO
ESPERANÇOSO
DECEPCIONADO OU TRAÍDO
ARREPENDIDO
TÉRMINO
SAUDADE
CUTUCADAS

Obrigado a você que coloca frases das crônicas no MSN, no Orkut, no Twitter (trabalheira diminuir para 140 caracteres) etc e dá os créditos devidos. Quem quiser bater um papo comigo no msn é só adicionar: ruleandson@gmail.com

Sexta-feira

Hoje o dia-a-dia de ontem

Filme Eu odeio o dia dos namorados

Recorte do cartaz de Eu odeio o dia dos namorados (2009)

Preste atenção, nessas rimas tolas e amargas, por vezes, vastas desse meu coração.

É sexta à noite e penso que faz uma semana. Da gente ali jogado na cama, enquanto teimoso o mundo girava. O meu coração esperançoso se fazia, enquanto você me abraçava a alma não mais vazia. Na sexta de hoje o que eu tenho é chamado tristeza, na sexta de ontem eu só tinha a certeza de que seria você o alguém que de mim apagaria a dor e assim mereceria ser chamado de meu amor. Tolo coração com paixão cedeu ao seu encanto, esperanças, sonhos, tudo abandonado em um canto qualquer sem canto. Mudo agora está o mundo sem sua voz, perdeu-se aquilo que um dia havia entre nós. A saudade voa e a solidão ecoa por partes que eu sequer sabia que existiam em mim. É sempre assim, quando alguém se entrega a alguém que nega. Eu acreditei no seu abraço, no seu sorriso, em tudo isso, mas eu só sonhei, não há mais laço, nem abrigo, já não há você comigo. Ah, sorte grande a desses que não machucam seu coração, que andam pelo mundo com alguém que lhe aquece em meio a multidão. Ignorantes são eles que nunca se doeram por perder um grande amor. O importante da ferida não é a dor, mas a nossa capacidade de cicatrizar. Não chegou ainda a minha hora, mas vai chegar eles vão ver, até lá sem demora preciso escrever. Mas agora o que eu faço com cada coração marcado a caneta em cada sexta-feira em que eu espera para te ver? E agora o que eu faço com os dias e com o espaço que eu guardei bem aqui ao meu lado pra te levar juntinho a cada passo?

"E, ainda que eu tente, um sorriso não me sai natural, quando já me viram com o olhar perdido, algumas libras a menos e umas lágrimas a mais. Me diz, por acaso, aonde vai agora que eu não estou? Me diz, por acaso, aonde eu vou agora que você não está?"
(Shakira)


Agradecimento especial à leitora Poliana Raposo pelo depoimento no Orkut com belas palavras que vieram, literalmente, na hora certa! Obrigado!

É ativo ou passivo?

Preconceito interno, externo e nada terno
Filme Do começo ao fimRecorte do cartaz de Do começo ao fim (2009)
Nem de longe eu me encaixo no estereótipo do machão, muito menos faço qualquer esforço para tal. Minha voz não é das grossas, meu andar não é o mais viril, tenho uma risada que se houve a quilômetros de distância, escrevo sobre amor, assisto a todas as comédias românticas em cartaz, uso creme hidratante e perfume até para dormir (só), sei todas as coreografias da Britney Spears e as danço diariamente pela casa (de cueca). Sou gay e, muito prazer, sou ativo! Isso mesmo, no sexo eu como, eu não dou, nunca dei e ainda não senti vontade de dar, caso interesse saber. Então, apesar de sempre me mandarem tomar no cu e/ou acharem que eu já o faça, eu não gosto e não tomo. Pronto, falei!

Por que eu tô falando isso? Simples: os gays não satisfeitos com o preconceito que sofrem de praticamente toda a sociedade por não se encaixarem no modelo comportamental sexual que os outros julgam ser o correto, ainda criaram padrões de comportamento, estereótipos gays e discriminam, rotulam e debocham entre si de outros homossexuais e eu, sinceramente, CANSEI de algumas caras de espanto e de algumas piadas incrédulas de mau gosto.

Tudo por haver um preconceituoso senso comum que diz que o gay mais sensível e delicado em comportamentos, crenças e falas (vulgo afeminado) é sempre o passivo no sexo (aquele que é penetrado); enquanto o gay menos sensível e mais viril (vulgo discreto) é sempre o ativo no sexo (aquele que penetra). Trata-se de uma bizarra tentativa de fantasiar relações homossexuais como se fossem relações heterossexuais, nas quais a mulher hétero (ou o gay mais delicado) é penetrada pelo homem hétero (ou o gay mais viril). Que pensamento pequeno é esse que, simplesmente - por em um modelo hétero tradicional de relacionamentos (nem todos se limitam a isso) os comportamentos e papéis serem esses - vai tentar transpor isso para um universo completamente diferente?

E o preconceito é tão grande, que há gays e pseudo-héteros (e muitos, por sinal) que chegam até a pensar que o passivo é gay, mas o ativo não é. É tanta discriminação com o gay passivo (ou com o que acham que é), que todos nós, às vezes, sem perceber, quando queremos ofender muito alguém recorremos ao palavrão máximo e ordenamos: "vai tomar no cu"! Como se tomar no cu, como se ser passivo no sexo anal fosse algo baixo, sujo e ofensivo. Qual o problema de tomar no cu? Há quem goste e você nem ninguém tem nada a ver com isso!

Sem termos idéia da profundidade da questão, esses estereótipos do passivo e do ativo limitam a vida sexual de vários gays. Conheço gays mais delicados que sentem vontade de serem ativos no sexo, mas não o fazem com medo do namorado rir da cara deles, ou do que as pessoas vão pensar, ou até de não conseguirem um cara que tope ser passivo para eles. Pára, por favor, pára! Há também gays que se interessam por um cara, mas não tentam nada por pensarem "ah, ele é mais afeminado, deve ser passivo também, como eu". Como assim?

Comportamentos, gestos e falas não definem o gosto sexual de ninguém (muito menos como alguém se comporta entre quatro paredes, SURPRENDA-SE!). Posso afirmar com conhecimento de causa e experiência na questão: não é preciso ser do tipo "machão" para ser ativo, muito menos é necessário ser do tipo "afeminado" para ser passivo. Primeiro porque há sim quem seja só um ou outro, mas há quem curta de tudo, mas segundo, e principalmente, porque não tem nada a ver uma coisa com a outra, definitivamente, não tem!

Então, que tal acabar com esse preconceito, encarar o mundo gay sem modelos de relações héteros e deixar as pessoas em paz? Não me leve a mal, mas cada um cuida do próprio cu. Ninguém é obrigado a ser, muito menos pode ser impedido de ser ativo, passivo, flexível ou o escambal só porque alguém diz que é assim! Sexo é para dar tesão, dar prazer e ninguém tem que fazer, nem vai fazer o que não sente vontade, não gosta ou simplesmente não quer, só para confirmar um estereótipo! As coisas não são assim! E se eram já não são mais, entendeu? E caso não queira entender, sem qualquer preconceito, mas VAI TOMAR NO CU! Eu não tomo, mas posso te ajudar, com imenso prazer, a tomar no seu!

No ano que (você) se foi

365 dias

Filme Jogo de amor em Las Vegas
Cena de Jogo de Amor em Las Vegas (2008)
"Eu quero ver o mar, eu quero ver o mar, eu quero ver o mar... se voltar desejos ou se eles foram mesmo, lembre da nossa música, música. Se lembrar dos tempos, dos nossos momentos, lembre da nossa música, música"
(Vanessa da Mata/ Liminha)



Era meia-noite quando o celular tocou. Do outro lado era você me desejando feliz ano-novo. Você não gosta do Natal, mas do ano-novo você gosta. Então, eu queria te contar um pouco de como foi o ano que você me desejou que fosse bom. Bom, aqui está quase tudo igual, e, geralmente, quando temos essa sensação é sinal de que na verdade nada mais está na mesma, não é? Muita coisa no meu coração não mudou, mas a realidade mudou. Sabe como é meu coração, ele insiste em ignorar a realidade. Ainda vivo em um mundo paralelo, agora um pouco diferente, sem você nele. No mundo real, no mundo de verdade, daqui a pouco é meia-noite de novo, de novo vai chegar o ano-novo e, dessa vez, o meu telefone não vai tocar. Mas eu vou te desejar feliz ano-novo do mesmo jeito. E, aqui, por um algum motivo que eu não quero entender, ainda há alguma parte em mim que deseja que você - mesmo distante, daqui tão de perto - também me deseje feliz ano-novo. E eu só queria que você soubesse que não houve um dia desses 365 dias passados, no ano que (você) se foi, no qual eu não tenha pensado em você ou desejado que você voltasse. Ou eu voltasse. Já não sei mais quem partiu primeiro. Mas eu senti saudade por todo esse ano e desejei que fosse diferente. Não que o meu desejo tenha adiantado algo, mas eu ainda assim quero te lembrar que eu desejei... No outro ano você teve que me telefonar na virada, pois, mais uma vez, não estávamos juntos. Esse ano, você não vai me telefonar, mas, novamente, não estamos juntos. Viu, como não mudou tanta coisa assim? Por isso, nesse ano eu não vou fazer pedidos. Para que se eles não se realizam? A vida não é como a gente deseja, ela é como ela deve ser e do nosso destino não se pode fugir, caso ele exista mesmo. Então, que venha o ano-novo, o novo ano, que venham os velhos sonhos e que venha força para encarar e aceitar a vida como ela um dia vai acabar sendo. Não é esse um jeito covarde de desistir, mas sim um jeito corajoso de recomeçar. Feliz ano-novo, feliz amor novo (ainda que o mesmo de um novo e melhor modo)!

"- Eu fiz o que eu vim fazer.
- Você os separou?
- Não, eu me despedi..."

(O casamento do meu melhor amigo - 1997)

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