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26 abril 2010

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Desde que no mundo não há farmácias

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Do que (não) mudou

Filme Poção do amor número 9

Recorte do cartaz de Poção do amor número 9 (1992)

Se encontraram naquela noite e o sorriso nos lábios chegou antes de os corpos se encontrarem em um abraço. Quando se ama e não se amam o abraço é o maior contato entre dois corpos. Por isso ele e ele também caprichavam no abraço, que era quase um gozo entre almas. Logo começaram alguma brincadeira boba somente para puxar assunto. Havia sempre tanto para falar um com o outro que quase sempre o silêncio tomava o lugar das palavras, palavras tímidas, que com medo de dar esperança além do devido se deixavam guardar no peito. Tinha que ir embora, mas dele ouviu um pedido para que fossem se encontrar com amigos. Disse que não podia, somente para insistir. Ele gostava que insistissem, lhe tentava parecer aos outros que mudara de idéia. Ao terceiro re-convite aceitou, já apressado e feliz por atencedência pelos momentos que sabia que seriam maravilhosos ao lado dele. Sem muito dinheiro no bolso, pegaram um ônibus para chegar ao destino deles naquela noite. Era estranho e maravilhoso, mas ao lado dele ele se sentia grandioso nas coisas mais pequenas. Era como se as ruas agora fossem deles, era como se o mais veloz sonho estivesse os conduzindo, era tanto silêncio que ele ouvia o peito dele bater, ofegante. Não se conteve ao ver uma farmácia e disse: "Eu amo farmácias, sabia? Adoro o cheiro, passear pelos corredores e me imaginar comprando toda a área de perfumaria". Dele ouviu gargalhadas, sempre arrancava risos dele, por mais que se sentisse um palhaço ele gostava daquela sensação de fazê-lo rir. Veio a resposta dele: "Mais uma coisa", disse sem ser óbvio, como sempre. "Mais uma coisa o quê?" retrucou ele. "Mais uma coisa para eu lembrar de você. Toda vez que eu ver uma farmácia agora eu vou me lembrar de você!". Voltou o silêncio. A noite passava, outros assuntos surgiam, novas falas, novos risos, mas ele só pensava no "eu vou lembrar de você". Pronto, se não pudesse ser amado, pelos menos já não seria esquecido. E ele gostava mesmo de farmácias. Para aquelas quantas dores procurava em remédios camuflados de abraços aquelas tantas curas que lhe faltavam. Não sabia por que ou talvez não pudesse admitir que sabia, mas dele ele teve o esquecimento. Já faziam alguns meses - que evitavam tornarem-se anos - que eles não se viam mais. Ele sabia que há coisas que nunca se dá conta de saber. Há o que se sabe, há o que se acredite. Sabia, mas acreditava que não fora esquecido por aquele que amava, pelo menos não por impulso, erro ou acerto. Era o mundo que mudara sem pedir licença. O mundo conservou a saudade, a esperança e se esqueceu do mais importante. Então, a culpa não é de quem ele ama. Como se lembraria, desde que no mundo não há farmácias?

17 dos desabafos - DESABAFE!:

  1. Me lembrei de redbull e café *-* e agradeço por ainda existirem no (meu) mundo.

    Não digo que são milhares de coisas que nos lembram um amor, mas sempre tem aquelas que marcam mais. Aquelas que fazem a diferença e te fazem sorrir quando vê uma propaganda de TV ou mesmo um carrinho de pipoca. Coisas simples, mas importantes. Esquecer machuca...

    Sem palavras aqui Ru. Queria dizer alguma coisa diferente do que ando dizendo e comentando nos seus textos, mas a cada dia eu sinto uma coisa diferente e é impossível, para mim, colocar isso em palavras. Desculpe por isso.

    Só digo que senti. Espero continuar sentindo. Parabéns. sz

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  2. Uau! Achei bastante delicado o texto desta postagem, ainda mais ao deixar uma tênue linha de nostalgia que me fez suspirar. Não sei fazer comentários decentes, até porque todas as suas postagens são mesmo lindas. Então só digo - mais uma vez - que amei...

    PS: acho que agora as farmácias irão me lembrar café... hehe. :*

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  3. - Hemilly Mares,,
    Oh, mocinha, muito lindo seu comentário! Obrigado! :D Que bom que sempre sente, espero que ainda sinta por muito tempo! Obrigado, um beijo e que nunca sejamos esquecidos!

    --
    Bárbara Gusmão,
    Está muito decente seu comentário! :D Muito obrigado! Ah, a nostalgia...

    E obrigado por se lembrar de mim também a partir de agora com as farmácias! (risos) ;)

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  4. Priscilla Simões Müller,
    Obrigado! :) Bem-vinda e espero que continue mesmo por aqui e que desabafe também! beijos!

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  5. Ru, querido!ganhei um selo "Prêmio dardos" e indiquei o seu como um dos meus blogs favoritos...dá uma passadinha no meu blog pra conferir e pegar seu selo...bjsss

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  6. Metamorfoses,
    Obrigado pelo selo, mocinha! Beijos!

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  7. caraaaaaamba, arrazou demais ;~~
    como sempre..
    haaaa se eu morasse em minas,
    você ja tava casado :X
    eaehauehua

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  8. Anônimo,
    (risos) Obrigado pelo elogio à crônica e pelo pedido indireto de casamento! :D Beijos!

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  9. Me lembrou esse poema:

    "Ele queria alguém com quem podesse ficar em silêncio.
    Ela, queria aprender a falar.
    Caminharam longo tempo. Conversaram alto e sem som.
    Conheceram lugares diferentes.
    Mas agora, querem continuar a caminha.
    As pernas estão frenéticas com as diversas possibilidades pela frente.
    Querem sair feito doidos por ai.
    Experimentar, experimentar.
    Ainda querem conversar.Ele com sua fala mudo, ela com seu silêncio alto.
    Continuaram andando. Cada um com suas pernas tortas.
    Até que um dia...um dia elas se esbarrarão."

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  10. Anônimo,
    Lindo poema! ;)

    --
    Roberta,
    Obrigado, mocinha! :D Que bom que gostou...

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  11. Adoro o seu blog! Mesmo! Sou sua seguidora. Dá uma passada no meu cantinho e siga-me os bons! Bjs

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  12. Que fofo...ameiii...
    certos detalhes nunca se esquece...
    lindao Ru..
    parabéns novamente

    Ju Feres

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"deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar"
(Ronaldo Monteiro/ Ivan Lins)

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