"Quanto mais conheço os homens, mais amo o meu cachorro". "O melhor amigo do homem é o seu cachorro". É através dessas e de outras frases que muitos expressam seu amor incondicional a eles, os cães domésticos. Com o apaixonado jornalista Ulisses Tavares não poderia ser diferente. Aos 57 anos, Tavares, que, dentre cerca de 15 atividades que exerce, também é escritor, se uniu à apresentadora e amante dos animais Luisa Mell para lançar a antologia "Poemas que latem ao coração". Nessa entrevista, ele conta como foi reunir poemas sobre cães de diversos autores, o trabalho com Luisa e, claro, fala sobre o amor aos cachorros.
Quando o senhor começou a escrever?
U: Quando caí do berço e bati a moleira (risos). Fui uma criança precoce que lia Kafka aos seis anos de idade. Me alfabetizei completamente aos cinco anos, sozinho. Aos oito anos já escrevia poemas e ganhei alguns prêmios nacionais de poesia. Aos nove, sentado numa almofada para alcançar a máquina de escrever, já era editor de jornal, da Folha de Sorocaba. Enfim, uma aberração.
"As mulheres passam, os cães ficam"
U: Amor nunca sai de moda. Só muda a roupagem, a maneira de se apresentar. Como poeta, escritor, dramaturgo, compositor letrista, se eu deixasse o amor, como assunto, de lado, estaria ignorando aquilo que realmente importa ao ser humano. Tirando o amor, o resto é shopping center.
Em seu novo livro, o senhor reúne poemas sobre o amor aos cães. O que motivou a escolha do tema?
U: Nunca, em toda minha vida, os cães deixaram de estar presentes. As mulheres passam, os cães ficam. E quem mais aguentaria um escritor sem reclamar? Não tenho nenhuma dúvida que, mais que o ser humano, os cachorros são totalmente capazes de nos aceitar como somos. Você conhece alguém que aceite seus defeitos dando uma lambida, um abanar de rabos?

O senhor acha que os cães possam nos entender?
U: Recente pesquisa científica mostrou que os cães evoluíram mais que nossos "primos" chimpanzés! Eles conseguem entender o nosso olhar, a direção do olhar, a intenção do dono. Apressamos a lei darwinista com isso. Cães só faltam falar? Qualquer um que tenha cachorro sabe que eles falam. E muito bem (risos).
Há quem diga que quanto mais conhece os homens, mais admira o seu cachorro. O senhor acredita que a decepção com os relacionamentos amorosos faz as pessoas valorizarem mais o amor aos cães?
U: Não chego a tanto. Mas sem dúvida o sistema atual de relacionamento entre as pessoas precisa ser repensado. Será que é normal isso de valorizarmos tanto os carros, as bundas de silicone etc? Os cães nos ensinam um caminho melhor.
"Tudo que o livro vender será revertido em benefício aos cães"
U: Os caninos, literalmente, cagam e andam pra essas coisas (risos). Mas os donos de cães, sem dúvida, irão gostar.
Como foi a parceria com a apresentadora Luisa Mell e qual a participação dela no livro?
U: A Luisa Mell é uma celebridade com sinceridade. Ela, realmente, veste a camisa da causa animal. Tudo que o livro render, tanto pra ela, como pra mim e para os outros poetas irá, em ração ou abrigo, beneficiar os cães abandonados. Não é muito, mas fará a diferença.
O próximo projeto é o "Poemas que miam ao coração". Conte um pouco sobre o novo livro e me diga: o senhor prefere amar aos cães ou aos gatos?
U: Como budista que sou, todo ser senciente é digno de respeito e compaixão. Gatos, inclusive, claro. Mesmo sendo fã dos cães, se eu puder fazer algo bom para os gatos, farei.














