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Entrevista - Poliamor: o fim do amor romântico e a era do relacionamento aberto

Quando amar mais de um é normal

Filme Vicky Cristina BarcelonaRecorte do cartaz de Vicky Cristina Barcelona (2008)

"O amor e o sexo estão entre as principais causas de um grande sofrimento das pessoas, tirando miséria, tirando doença. As pessoas gastam um tempo enorme de suas vidas sofrendo por amor". Assim a psicanalista Regina Navarro Lins define o atual momento amoroso da sociedade ocidental. Autora do best-seller A cama na varanda e de mais sete livros que abordam o amor, ela se dedica a cerca de 15 anos ao debate das questões amorosas. Nessa entrevista ela fala sobre o fim do amor romântico, o início do poliamor e o futuro das relações amorosas modernas.

O ideal do amor romântico, de uma pessoa completar ao outro e fazê-lo totalmente feliz, chegou ao fim?
R:
Eu acho que o amor romântico dá sinais de que está saindo de cena. A mudança das mentalidades é lenta e gradual, não acontece de uma hora para a outra. Então, o amor romântico ainda existe, os ideais dele começaram no século XII e ganharam força no século XIX. É um amor idealizado, é um amor que você acredita que vai se completar na relação com outra pessoa, é um tipo de amor que prega a fusão entre os amantes, e que existe apenas no Ocidente. O ocidental ama estar amando, se apaixona pela paixão, aquela exaltação. E o amor romântico é calcado na idealização do outro. Você inventa uma pessoa, você conhece uma pessoa e atribui a ela características de personalidade que você gostaria de ter ou gostaria que ela tivesse, depois, na vida cotidiana, você fica reclamando da pessoa o tempo todo, querendo que ela se transforme para se encaixar naquilo que você idealizou.

O amor é uma construção social, em cada época as pessoas amam de um jeito. No momento, o amor romântico está saindo de cena porque nós estamos vivendo uma época em que se observa a busca da individualidade, algo que eu não acho negativo, é até positivo, pois a grande viagem do ser humano, hoje, é pra dentro de si mesmo, cada um quer saber das suas possibilidades, cada um quer desenvolver seu potencial. Por isso aquela ética do sacrifício pelo outro, que você tem que ceder, tem que se sacrificar pelo outro, pregada pelo amor romântico, é incompatível com o atual estágio da sociedade. Então, me parece que um novo tipo de amor está começando a surgir e o amor romântico está saindo de cena. O mais importante dessa saída de cena dele é que ele está levando consigo a exigência de exclusividade, porque ele está batendo de frente com os anseios contemporâneos, a busca da individualidade, pois o amor romântico prega o oposto, ele prega a fusão dos amantes, a exclusividade total, ele prega que um amante só tem olhos para o outro, nada no mundo interessa além da pessoa amada, nada tem sentido se o amado não estiver junto. O amor romântico traz a expectativa de que quem ama não deseja mais ninguém, quem ama não tem tesão por mais ninguém, uma série de equívocos nos quais as pessoas passaram a acreditar há bastante tempo, porque nós somos regidos por esse mito do amor romântico, e você vê isso nas novelas, no cinema, na música e em tudo mais. Felizmente, o amor romântico dá sinais de sua saída de cena e digo felizmente porque nele você não se relaciona com a pessoa real, você se relaciona com a pessoa que você criou.

"O ciúme não existiria no poliamor, na medida em que você não será trocado por outro"

O que caracteriza o poliamor, esse novo amor que substituirá o romântico e que é sempre citado nos trabalhos da senhora?
R:
Certa vez uma grande revista semanal me entrevistou sobre o poliamor, eu falei tudo que sabia, mas resolvi me aprofundar no assunto. O poliamor coincide com tudo isso que eu falo, eu observo que daqui há algum tempo menos pessoas vão querer se fechar em uma relação a dois, mais pessoas vão preferir ter relações soltas, com mais de uma pessoa ao mesmo tempo e isso coincide com esse fim do amor romântico. Enquanto o amor romântico é ocidental, o poliamor existe no mundo todo, por isso me dediquei a pesquisá-lo e encontrei muitas coisas, houve um congresso sobre poliamor na Alemanha, teve uma passeata em Londres, na Internet há mais de um milhão de citações sobre o poliamor em todas as línguas. Por isso, eu acho que o poliamor é uma tendência, daqui há 20, 30 anos, não é possível precisar quanto tempo, mas é muito possível que muito mais gente participe do poliamor, que consiste em amar várias pessoas e ser amado por várias pessoas. Na verdade, isso já acontece, mas as pessoas sofrem, porque não é aceito. Então, elas sofrem, elas são obrigadas a escolher, muita gente tem um momento da vida no qual está amando duas pessoas, mas é tomado pela culpa, é obrigado a decidir, gerando grande sofrimento. Em algum tempo isso se tornará mais fácil.

Viver em um relacionamento aberto é sinônimo de poliamor?
R:
Não necessariamente. No relacionamento aberto, como é conhecido, cada um sai com outros parceiros do seu lado, pois toda relação tem códigos, tem pactos que você faz, mesmo inconscientemente. Então geralmente um relacionamento aberto, que as pessoas definem como relacionamento aberto, é cada um poder sair, ter sua vida, independentemente do outro, e você pode comentar com o outro ou não sobre outras pessoas com as quais se relacionou, sendo que a maioria das pessoas não comenta, pois hoje ainda geraria sofrimento saber. O poliamor vai além, ele pretende que seja natural para todo mundo amar e ser amado por outros que não sejam o companheiro, sem precisar de segredo nenhum, a idéia é que isso seja algo tranquilo, seu parceiro ficaria contente por você ser amado por outra pessoa. Os poliamoristas alegam que o cíume não existiria no poliamor na medida em que você não será trocado por outro. Já faz algum tempo que percebemos que o ciúme existe por conta do medo da perda, então, se eu vou a uma festa e meu marido se interessa por uma outra pessoa, imediatamente o companheiro fica com medo de que ele prefira a essa outra pessoa do que a mim. O ciúme vem do medo de não ser escolhido. Os poliamoristas alegam que isso não aconteceria no poliamor porque você não precisaria abrir mão de ninguém para estar com outra pessoa. Por esses motivos eu acredito que a relação aberta como é conhecida se diferencia do poliamor, porque o poliamor é muito mais aberto e tranquilo.

Filme Três formas de amar Recorte do cartaz de Três formas de amar (1994)

Às vezes parece que avançamos na compreensão do amor, mas não na prática amorosa. A senhora acredita que estamos atrasados na vivência do amor?
R:
Não! Eu acho o seguinte: nós vivemos uma repressão muito grande durante milênios, durante cinco mil anos o patriarcado se instalou, então, as pessoas eram muito reprimidas, o cristianismo criou um horror ao sexo, um horror ao prazer, tudo isso aliado à uma moral muito rígida, em que todos tinham que se enquadrar em modelos, quem não se enquadrasse em um modelo imposto era discriminado. As coisas começaram a mudar na década de 1960 com a pílula anticoncepcional, que foi um divisor de águas: a mulher pode escolher se teria filhos, o sexo se dissociou da procriação, o movimento gay pode surgir a partir da pílula também, porque depois da pílula os heterossexuais podiam fazer sexo só pelo prazer, igualando a prática heterossexual e homossexual. A pílula propiciou o movimento feminista, o movimento gay, o movimento hippie, a revolução sexual. Portanto, eu acho que essa repressão foi muito forte durante muito tempo e nós estamos no meio de um processo de quebrar com os preconceitos, de quebrar com os tabus, uma busca maior do prazer sem culpa, isso é um processo no qual estamos caminhando e assistindo uma profunda transformação nas mentalidades e vamos ver muito mais daqui há alguns anos. Eu não tenho dúvida de que uma criança que nasça hoje terá relações amorosas completamente diferentes das vividas no momento.

Algumas correntes filosóficas, como o estoicismo, dizem que o amor e paixão fazem grande mal ao homem. A senhora acredita que o problema é o amor ou nós que não sabemos amar?
R:
Eu acho que o que faz mal é mesmo o amor romântico! Esse tipo de amor que está na cabeça de todo mundo, ele faz mal porque cria expectativas impossíveis de serem realizadas, como a complementação total, a exclusividade, a eternidade, quer dizer, esse tipo de idealização do par amoroso é que gera sofrimento. Eu acho que a gente não tem ainda um conhecimento, uma vivência para falar do sofrimento causado por um outro tipo de amor, porque o amor romântico está entre a gente faz muito tempo. Na verdade, o amor romântico começou a ser uma possibilidade no casamento a partir do século XIX, e entrou como fenômeno de massa a partir de 1940, quando as pessoas começaram a casar por amor, porque antes ninguém casava por amor, casava-se por interesses econômicos, políticos, etc. Então esse amor romântico é prejudicial mas a maioria das pessoas quando falam em amor, pensam no amor romântico, e elas nem gostam quando você critica, para elas é bom sentir a emoção do amor romântico porque elas não conhecem outro tipo de emoção, fomos condicionadas a desejar essa exaltação que o amor romântico provoca.

O amor e o sexo estão entre as principais causas de um grande sofrimento das pessoas, tirando miséria, tirando doença. As pessoas gastam um tempo enorme de suas vidas sofrendo por amor, com seus medos, fantasias e culpas. A minha intenção ao discutir o amor é contribuir para a mudança das mentalidades, para que as pessoas vivam melhor, com mais prazer. Ainda existe muita repressão com relação ao sexo, ainda existe muito tabu, muito preconceito com as relações amorosas. Por isso defendo idéias mais libertárias.

"As pessoas buscam o amor romântico porque foram condicionadas a isso e acreditam que é o único amor"


Por que a senhora acredita que o amor tem tanta importância para as pessoas na sociedade contemporânea?
R:
O amor, em um sentido amplo, o amor entre parentes, entre amigos, tem importância porque ele faz com que o indivíduo se sinta menos desamparado, porque nós todos somos profundamente desamparados a partir do momento em que saíamos do útero de nossa mãe, pois no útero temos a total satisfação das nossas necessidades, e quando nascemos somos tomados por um sentimento de falta, de desamparo. Então, você amar e se sentir amado é maravilhoso, porque atenua o seu sentimento de desamparo. Agora o amor romântico é uma outra história, ele é uma construção social cheia de expectativas, por isso eu acho que ele é importante, as pessoas buscam o amor romântico porque elas foram condicionadas a isso e acreditam que é a única forma de amor. Mas no momento em que elas vivenciarem outro amor ele será importante também e talvez até mais do que o amor romântico.

Por que a senhora escolheu se dedicar ao amor enquanto psicanalista?
R:
Eu sou psicanalista há 35 anos, durante muitos anos eu atendi em consultório, dei aula na universidade e não trabalhava com essa questão amorosa especificamente, mas eu sempre percebi que isso gera muito sofrimento, as pessoas sofrem demais por conta do amor e das questão sexuais. Há uns 15 anos eu abri uma instituição em que eu podia dar palestras e eu escolhi o tema amor porque eu sempre achei que as pessoas gostariam de discutir isso e foi muito bom porque a procura foi imensa. Então, comecei a me aprofundar nisso, em discutir as questões amorosas, pois para isso você tem que estudar muito, estudar a história das mentalidades, que vai além da história tradicional de datas e nomes, hoje existe uma quantidade enorme de livro sobre as mentalidades, sobre casamento, sobre as relações, sobre o que as pessoas viviam, o que sentiam. Em 1997 lancei meu primeiro livro, A cama na varanda, um best-seller e o primeiro dos meus oito livros, sempre trabalhando com o amor, e quanto mais eu lia, mais eu me apaixonava pelo tema, e hoje acho que a coisa mais interessante que tem é você mergulhar no estudo do amor.

Qual a importância da Internet para o debate amoroso?
R:
Uma importância imensa! Porque as pessoas podem falar livremente, se quiserem ficam anônimas e tem uma comunicação instantânea. Então, você escreve no Orkut e na mesma hora alguém entra, já lê o que você escreveu e pode responder. A Internet é fundamental não só para debater o amor, mas para qualquer discussão. Provavelmente até o fim do ano eu estarei lançando dois livros. Um que eu escrevi baseado no que os usuários do meu site declaram, pela interação com esses usuários, o que me deu uma amostragem de como as pessoas estão pensando o amor e o sexo hoje, quer dizer, pelo menos as pessoas de uma determinada faixa social e que se interessam por amor e sexo, pelo que elas participam através do site e respondem.

Talvez

Pode ser que seja

Filme A razão do meu afeto

Cena de A razão do meu afeto (1998)

"Somente os amores não realizados podem ser românticos"
(Vick Christina Barcelona - 2008)


Talvez o amor não seja o que sonhei. Talvez o tempo não traga o que esperei. Talvez meu destino seja nunca ter. Talvez eu não seja a pessoa certa para você. Talvez eu também não seja a pessoa errada, e o nosso erro seja esse, só saber viver nos extremos. Talvez eu seja apenas esse vazio entre o que você quer e o que eu não posso ser. E de vazios ninguém vive. Vazios podem dolorosamente ocupar espaços, mas não preenchem almas que anseiam por um pouco mais. Ou talvez não seja nada disso. Talvez eu seja o amor da sua vida, mas não dessa vida. Talvez ainda haja magia, ainda haja verdade, e, por algum encanto, passe a tempestade e surja um arco-íris, trazendo o reconforto dos sonhos de criança. E talvez além do arco-íris, junto com um pote de ouro, exista um fim para tudo o que se sente sem não mais querer sentir. Talvez possa-se trocar toda a riqueza do tesouro por não se ter mais sentimentos, pensamentos, por alguém que não se pode alcançar. Talvez o prêmio para quem soube amar seja um dia não mais doer, todo amor que não era pra ser. Talvez.

"E, talvez, não seja assim tão fácil, talvez, assim seja melhor. E, talvez, cada um reme pra um lado, mas os mares que te cercam, talvez, sejam iguais aos meus e a gente segue em frente"
(Junior Lima)

O que leva tempo, o que o tempo leva

Conselhos de amor

Filme Hitch - o conselheiro amorosoRecorte do cartaz de Hitch - o conselheiro amoroso (2005)

"Quem não sabe fazer, ensina"
(Leões e cordeiros - 2007)


Existem pessoas que escutam "enfiar o dedo na tomada dá choque" e ficam com medo de acender até uma lâmpada. Há pessoas que desafiam e aprendem levando choque. E tem também um terceiro grupo que não acredita em tudo que lhe dizem, mas observa atentamente o comportamento de quem nunca levou um choque, o de quem vive levando choques, e ainda resolve ler sobre o tema e entender melhor a eletricidade. Com relacionamentos também é assim. Você não precisa ter namorado quinhentas pessoas para entender os sentimentos de quinhentos namoros. Até porque são milhares de tipos de pessoas, enquanto amores são só duas possibilidades: os que vão dar certo e os que não vão dar certo.

Então, observando muitos relacionamentos, avisos, choques, e estudando sentimentos, eu posso afirmar sem medo da ignorância:

o que leva tempo, geralmente, o tempo não leva; "eu te amo" não é "bom dia", mas alguns vão repetí-lo como meras palavras; o que é desconhecido não pode ser amado; o que é imediato dificilmente é sincero, pode até ser intenso, nunca profundo; o que vem rápido costuma ir embora da mesma forma que chegou; leviandade não vira sentimentalidade; tesão não é amor; paixão não é amor; sem tesão e sem paixão é só amizade; sem amizade, quando o tesão e a paixão passarem, vai passar também o que se achava amor; o que não é construído sobre bases sólidas não dura e nem se atura; beleza não põe mesa; não é necessário comer o bolo inteiro para saber se ele é bom (entenda como puder); caráter não é genético; quem ama demais é capaz de odiar demais; quando se está com alguém somente para exibir aos outros a decepção chega ao perceber que, na verdade, ninguém se importa com a sua vida; fingir que nada aconteceu não resolve; demora um pouco, mas pessoas bacanas também encontram a reciprocidade; quando você ama alguém que precisa mudar para merecer ser amado é preciso que você mude de amor; quem dá sem receber, um dia cansa; traição nunca termina bem; quanto mais carência, menor o grau de exigência e maior o grau de ilusão; se o seu número de amores é maior que o número da sua idade, provavelmente você mente, na idade ou no amor; amar sem ser amado dói, mas passa, e, no fim, você cresce; só sofrendo a gente aprende a dar valor; nem todo mundo que sofre evita que outros sofram; e, finalmente, o que parece óbvio, entretanto, há quem não perceba: quem não acredita que o amor pode durar, não se esforçará para que ele permaneça, e, consequentemente, pode ter vários amores, sem ter tido nenhum.

São algumas coisas que vejo e sinto mesmo sem querer. São aqueles conselhos que todo mundo dá e todo mundo não ouve. Mas, eu insisto, não enfie o dedo na tomada, você vai se machucar! No fundo, todo mundo sabe o que fazer, só que cada um escolhe seu modo de confirmar.

"É preciso pisar leve, ai, é preciso não falar, meu amor se adormece, que suave o seu perfume, dorme em paz rosa pura, o teu sono não tem fim"
(Vinicius de Moraes/ Claudio Santoro)

Rapidinhas - notícias de amor

Direto ao que interessa e sem dramas

File Camp Rock
Imagem de divulgação de Camp Rock (2008)

Um giro ligeiro (e prazeroso) pelo que anda sendo publicado na Internet sobre amor e relacionamentos.

Músicas sobre sexo atiçam libido dos jovens
Pesquisa realizada na Universidade de Pittsburgh compravou que letras de músicas interferem na vida sexual de jovens entre 13 e 18 anos. O estudo aponta que composições que fazem alusão ao sexo motivam os adolescentes a terem uma vida sexual mais ativa. E quem não sabia disso?

Música para transar é muito bom, já tive experiências boas ouvindo Madonna. Agora é engraçado, a música fala de sexo e as pessoas vão transar, tem uma tonelada de músicas falando sobre amor, respeito, ajuda ao próximo, cuidar do meio ambiente, e ninguém as segue. Será que as pessoas são influenciadas mesmo ou apenas fazem o que já tinham vontade? Fica a afinada dúvida...

Mulheres otimistas vivem mais, descobre estudo
Se quem canta seus males espanta (e sua libido aflora), cientistas nos Estados Unidos descobriram que o otimismo reduz o risco de doenças cardíacas em mulheres e que as otimistas vivem mais do que as pessimistas. Em estudo anterior a mesma equipe havia comprovado que o otimismo tem o mesmo efeito nos homens. Ainda segundo a pesquisa, mulheres com sentimentos hostis e que não confiam nos outros têm 16% mais probabilidade de morrer por causa de doenças do coração do que as otimistas.

Então, agora tá mais do que comprovado: bom humor e otimismo, faz bem ao coração. Sorria e acredite, sempre!

Está com alguma DST? Avise ao seu parceiro por um cartão virtual do governo
O Ministério da Saúde (MS) lançou um novo serviço em seu site: agora é possível enviar um cartão virtual anônimo ao seu parceiro, ou ex-parceiro, informando que você descobriu ter alguma doença sexualmente transmissível (DST). O MS revela que cerca de 10 milhões de brasileiros já tiveram algum tipo de DST, por isso o objetivo da campanha é incentivar as pessoas a fazerem exames para verificar possíveis DST e também facilitar o momento difícil de contar ao parceiro que se tem alguma doença.

Melhor usar camisinha sempre que do receber um cartão virtual desses, não? Tô fora dessa!
Foi bom pra você? Até a próxima rapidinha!

Cansado

Um pouco farto de não me fartar

Cena de Minha vida sem mimCena de Minha vida sem mim (2003)

Então, hoje, assim estou, cansado de fatos, medos, sentimentos e desejos que sempre me levaram do nada a lugar nenhum. Cansado de pessoas que não se cansam de me magoar. Cansado de gente que nunca vai se importar. Cansado de tipinhos que se acham tão valiosos que se sentem no direito de me deixar em uma sala de espera, aguardando o momento em que, enfim, resolverão de fato se entregar. Cansado de gente covarde. Cansado de agradar a gente que se revela tão desagradável. Cansado de gente que mente, que usa, que se sente, cansado de gente que não é gente. Cansado de me preservar, cansado de me entregar, cansado de morrer na praia, cansado de nadar no raso, preciso mergulhar fundo em um mar seguro, preciso saber quais cores tem no fundo do Oceano. Cansado de lutar para não me tornar um cínico. Cansado de me esforçar para não cansar de ser uma pessoa boa. Cansado de me sentir raridade em um mundo de pessoas tão pequenas e comuns. Cansado, MUITO cansado de tentar e tentar. Cansado de coisas das quais não se pode descansar. Só me resta enfrentar.

O leitor só queria...

Betânia Nobre (CE)

foto Betânia Nobre

"Eu só queria... um espaço garantido de liberdade e respeito para todos nós, onde a ética e o altruísmo fossem uma constante, que a gentileza, a cortesia e a fraternidade fossem frequentes a ponto de não nos surpreendermos com gestos gentis, como hoje ocorre. As pessoas estão aceleradas, grosseiras, indelicadas, torpes, vis e covardes, voltamos à barbárie.

O amor para mim é um compartilhar, um doar-se e encontrar-se no outro.

Na vida aprendi que o melhor que podemos fazer é ser leal, primeiro a nós mesmos, depois aos outros, que ser autêntico é a forma mais precisa de alcançar paz de espírito.

Minha frase preferida é 'Você é senhor do seu silêncio e escravo de suas palavras' (autor desconhecido)"

Betânia Nobre - historiadora, nascida em Jaguaruana, no estado do Ceará, moradora de Manaus - conheceu o blog após vê-lo listado entre os blogs de uma das seguidoras de seu blog.

Para participar, clique aqui ou envie e-mail para ruleandson@gmail.com e desabafe! Os leitores que já enviaram os textos terão seus desabafos publicados nos próximos meses, desabafe você também!

Da tamanha esperança

Ponto de vista amor

Cena de Sex and the city - O filme

Cena de Sex and the city - O filme (2008)

Espero que em paz recebas este bilhete:

Eu andei e pelo chão eu vi você andando ao meu lado, comigo, nos mesmos passos. Ledo engano, era só a minha própria sombra. Era só a minha sombra, mas eu queria que não fosse. São os erros costumeiros desses olhos que sempre viram "nós" onde só havia "eu". Mas era como eu via, foi como eu vi. O amor foi meu ponto de vista. E, assim, sem temer a vida, te contei meu sonho, te deixei meu ponto, que não foi final, mas foi sinal. Agora, perdido em devaneios, me questiono: por que levastes, tudo aquilo que não me destes? Da tamanha esperança, da imensa saudade, ainda carrego tudo, ainda não tenho nada.

"- Às vezes, as pessoas ficam tão tristes que não sabem lidar com a tristeza delas, aí elas escrevem bilhetes.
- Eu achava que as pessoas choravam quando estavam tristes.
- Às vezes não é o suficiente!"

(Terminator - As crônicas de Sarah Connor)

Odeio casais (in)felizes

Porque quem é não precisa dizer que é

Filme Os queridinhos da América

Recorte do cartaz de Os queridinhos da América (2001)

"Não precisa fazer linha comigo, nasci desalinhada, você sabe"
(Fernanda Mello)

Eu odeio casais felizes! Ou melhor, eu ODEIO casais que querem parecer felizes! E a Internet se tornou o habitat natural e preferido dos casais (in)felizes. Quem são eles? Bom, sabe aqueles casais que postam fotos no Orkut (ou postam no Twitter o link para as fotos) de todas as viagens do casalzinho 20? Eles vão à padaria e você recebe o aviso de atualização: "Fulano adicionou 95 fotos ao álbum 'Eu e meu amor queimando rosca'...". Ei, não me entenda mal, é rosca de padaria, mente suja! Passam dois dias e um novo nick aparece no MSN: "Muito feliz, obrigado, amor. Fim de semana perfeito!". O namoro nem bem começou e um dos pombinhos já está jurando amor eterno a um desconhecido no próprio blog. Amor, né? Hummm... sei...

Aviso, quando ver coisas do gênero: DESCONFIE! Deixa o sexto sentido falar mais alto, deixa pular livre a pulga atrás da orelha, meu caro. Quem está feliz, quem é feliz, de verdade, não precisa lembrar aos outros a todo momento de que está feliz. Quem é feliz não necessita ficar gritando ao mundo "ei, olhem para mim, eu estou feliz!". A verdade é que quem fica expondo sua suposta felicidade ao mundo, atualizando fotos e mais fotos de um namoro aparentemente perfeito quer, no fundo, é se convencer de que é assim tão feliz quanto as fotos mostram.

Por isso, eu quero falar com você. Sim, com VOCÊ, que eu sei que está lendo. Pára o show! Quando a noite escurece e você deita só (sim, é possível estar só mesmo tendo alguém no outro travesseiro) não tem câmera nenhuma fotografando, quando a vida real te chama, não tem ninguém comentando nas suas fotos do Orkut, não tem nenhum espectador observando seu coração pedindo por uma vida mais sincera e feliz de fato. Você pode enganar meio mundo, mas nunca o mundo inteiro, nunca seu próprio coração. Então, para que se sujeitar a isso? Por que mentir a si mesmo? Você não precisa fingir só para fazer o social de que tem alguém ao lado.

Se as fotos são para atingir quem você ama de verdade, vá lutar por esse amor, indiretas só te levam diretamente a lugar nenhum. Se as fotos são para provocar o ex que seu par ainda ama, libera essa pessoa, libera essa energia para ficar ao lado de quem realmente gosta. Se as fotos são para mostrar aos invejosos que você é feliz, desista, ninguém te conhece tanto quanto um inimigo, então, você não vai enganá-los. Além disso, a grande verdade da vida é que ninguém se importa com a sua vida, pois só uma pessoa pode sentir e viver a sua vida, e esse alguém é você.

Portanto, quando vier o próximo flash, não diga "xis" diga "xô", xô para toda baixa autoestima, para toda dependência da opinião alheia, xô para qualquer felicidade que não seja a real em sua vida! Vamos ser sinceros, o único sentimento seu em relação a esse modelo aí nas suas fotos chama-se carência e carência nunca construiu uma relação, não uma saudável. Não se sujeite a viver de aparência. Eu conheço casais que traem, brigam, se agridem, conheço casais que nem sexo fazem mais, convivo com casais que não se amam, mas quando entram no mundo virtual não deixam de exibir a falsa felicidade, e quem conhece a realidade deles apenas sente vergonha alheia. Por outro lado, conheço namorados que são infinitamente felizes e quase não os vejo online, eles não tem um álbum virtual para cada passeio, nem revelam como teoricamente foi maravilhosa a última noite deles, justamente porque eles estão ocupados demais sendo realmente felizes. Já nos ensinou Clarice Lispector: "não tenho tempo para mais nada, ser feliz me consome muito".

Então, colega, eu quero te dizer: termina essa farsa e parte para outra, mas, por favor: SE VALORIZA! E não pense que sou amargo, ou mal amado, definitivamente, meu bem, o mal amado, NÃO SOU EU!

E, ah, lamento se a carapuça servir: se a roupa é seu número e não gostou disso, culpe a sua dieta e não a grife!

"Enquanto isso, eu via você se contentando com as migalhas que ele jogava para você. Você merece mais. Sempre mereceu"
(Brothers & Sisters)

Rapidinhas - notícias de amor

Direto ao que interessa e sem dramas

Filme da Magia à sedução
Recorte do cartaz de Da magia à sedução (1998)

Um giro ligeiro (e prazeroso) pelo que anda sendo publicado na Internet sobre amor e relacionamentos.

Macumba online
Não é de hoje que muitas pessoas apelam para algum tipo de simpatia ou feitiço para ter aquela ajudinha no campo sentimental. E em plena era da Internet, em que as pessoas fazem quase tudo online, a macumba também chegou ao mundo virtual. O site Macumba Online oferece gratuitamente o serviço de macumbarias encomendadas pelos visitantes. Até o momento foram realizados mais de 101 mil feitiços através do site, lançado em Janeiro de 2008. Dentre as macumbas mais pedidas pelos usuários do serviço, "trazer a pessoa amada" e "conseguir sexo" estão entre as cinco mais solicitadas, enquanto "conseguir casar" ocupa a 15ª posição.

Cada um com sua fé, mas fazer macumba pela Internet para conseguir amor já é demais, não?! Não sei o site é uma brincadeira ou se realmente há algum macumbeiro por trás...

Carta de amor perdida há 10 anos une casal
Ambos aos 42 anos de idade, Steve Smith e Carmem Ruiz-Perez conheceram-se há 17 anos, e, após ficarem noivos, romperam o romance, quando Carmem mudou-se de Paris por causa de um emprego. Algum tempo depois, Steve enviou uma carta para a ex-noiva, mas a mensagem, colocada em um bancada por alguém da casa dela, caiu atrás da lareira e somente agora, durante uma reforma, foi recuperada. Ao finalmente receber a carta, a espanhola telefonou para Steve que, como ela, estava solteiro desde que romperam. No fim do último mês, os dois reencontraram-se e casaram-se em Paris, onde vive Steve.

Coisa de cinema! Trate logo de enviar sua carta para aquela pessoa especial, mesmo que ela não leia agora, vai que um dia, seu telefone toca, daqui há 10, 17 anos.

Divorciados adoecem mais, diz estudo
Pesquisa da Universidade de Chicago revela que o divórcio prejudica por longo tempo a saúde dos indivíduos de tal modo que nem um novo casamento consegue reverter a situação. Mas se pensa que a pesquisa é uma apologia ao casamento ou uma campanha contra o divórcio está enganado, o estudo aponta que a incidência de doenças crônicas entre os divorciados é 20% maior do que em pessoas que nunca se casaram. Outra conclusão da pesquisa é que solteiros e casados que nunca se divorciaram têm o mesmo índice de doenças crônicas. Entretanto, a saída não é manter-se solteiro, pois de acordo com a socióloga Linda Waite, condutora do estudo, o casamento traz benefícios imediatos à saúde.

Difícil, não? Se divorciar, você sofre e ainda prejudica a saúde, se continuar em uma relação ruim, também, se ficar solteiro não terá os benefícios do casamento. Amor já está quase virando questão de saúde pública!

Foi bom pra você? Até a próxima rapidinha!

Não fale

Segredos escancarados
Recorte do cartaz de A agenda secreta do meu namorado (2004): saber amar

Ele me contava tudo da vida dele e ainda assim eu era sempre o último a saber. Me contava um pouco de tudo que eu não sabia muito de nada. Nada a mais do que ele queria que eu soubesse. Eu sei o shampoo que ele usa, as roupas que ele gosta, do medo de barata, do filme preferido, dos livros que ainda não leu, de como era na infância, de como não quer ser na velhice, da sua estranha fantasia erótica, das celebridades que o levam ao delírio. Só não sei quem o coloca pra dormir ou o faz levantar. Não sei quem roubou o coração dele e nem quem o devolveu. Só sei dos amores dele quando raramente me conta os que terminam. De mais sei cada vez menos dos amores dele. Inconformado, perguntei: "Você me fala a cor da sua cueca, mas não me fala sobre a sua vida amorosa. Por quê?". Engoli sem suco quando respondeu: "Eu não falo da minha vida amorosa com você porque eu te amo".

Feliz aniversário

Dos sonhos que ficaram
Filme Cake
Recorte do cartaz de Cake (2006)
Para T.G.
"Descobri. Ou melhor, aceitei: eu nunca vou esquecer o amor da minha vida. Nunca. Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora me chama!"
(Fernanda Mello)
Faz alguns dias que eu me apaixonei por alguém, e dessa vez não era você. Foi bom saber que eu ainda consigo me apaixonar, mas foi ruim perceber que eu nunca vou sentir por ninguém o que eu sinto por você. Apesar de nunca ter sido, você é o meu primeiro namorado, pois em meu coração você ganhou esse papel, por tudo que você representou, no momento em que você apareceu. E, sabe como é, ninguém nunca esquece o primeiro namorado. Por isso, você vai ter sempre o seu lugar, um lugar especial e inalcançável, que nenhum outro conseguirá alcançar. Nenhum outro vai ocupar o lugar que você preenche, mas agora eu percebi que existem muitos outros lugares para os quais um coração pode caminhar. Então, em algum momento, alguém será mais especial do que você em minha vida, mas o seu lugar, a sua importância estarão sempre lá! E seja quem for que entre na minha vida, essa pessoa vai ter que saber conviver com isso. No entanto, confesso, o mais difícil mesmo tem sido eu saber conviver com isso.
Seja por qual motivo for, eu sempre vou te amar! Mas eu agora sei, felizmente, separar o fato de você ter esse lugar no meu coração do fato de conviver com você. Não é porque eu te amo que eu tenha que conviver com você, e eu acho que não conviver e não te procurar de modo algum já é o máximo que posso fazer, para te esquecer, para permitir que nós sigamos nossas vidas. O resto não compete a mim.
Por não ter o amor, eu perdi um amigo, pois você era meu amigo, e antes de tudo eu te amava enquanto amigo e como amigo você também me amava, e eu tive que reconhecer que eu não dava conta mais e tirar você da minha vida. Não foi fácil e não sei nem se foi justo conosco o que fiz, mas tive que pensar em mim. Eu me esforço para não gostar, mas nas poucas vezes em que te vi, nesse tempo em que me afastei de você, aprendi algo que os meses de distância não foram capazes de me ensinar: NINGUÉM REALMENTE MANDA NO CORAÇÃO, e não adianta eu planejar, ou ensaiar, tudo funciona no modo razão, mas a vida opera no modo emoção. Portanto, eu vou esquecer você quando eu tiver que esquecer e se eu tiver que esquecer.
E eu já sinto falta de todos os presentes que eu não te entregarei nesses próximos aniversários, de cada hora de cada dia em que você completará mais um ano e eu não terei feito parte da sua vida, eu não terei estado ao seu lado. Sinto falta antecipada de todas as coisas boas que eu sei que você viverá, mas eu não receberei um telefonema seu para compartilhar cada nova conquista, você não vai me contar. Sinto falta de ser convidado para a sua festa, mesmo sabendo que não devo ir. No Natal, não haverá mais um pedido irônico para ceiarmos juntos e no reveillon você não me ligará para desejar um feliz ano novo. Eu nunca mais sentirei o seu abraço e, talvez, a gente finja que não se viu quando a gente se ver por aí. E eu vou ter que conviver com a falta que tudo isso me faz e eu vou ter que aprender a ser feliz de algum modo. Mas tudo isso é necessário e não é porque eu não te amo, não é porque eu não te amo mais, é justamente pelo contrário, e, quem sabe, um dia, você vai me entender. A gente não daria certo. Somos iguais em sermos diferentes e não dava mais para eu ter tão perto o que eu queria, mas não tinha.

E em meio a tudo eu não me preocupo comigo, eu me preocupo em como ficarão os nossos sonhos agora que não podem mais contar com a gente para realizá-los?
(Eu ainda queria fazer aula de violão com você. Feliz aniversário, T.G.!)
"Eu sempre sentirei saudade. Mas o nosso amor é como o vento, não posso ver, mas posso sentir"
(Um amor para recordar - 2002)
"Mas não se esqueça das canções que fizeram você chorar e as canções que salvaram sua vida. Sim, você está mais velho agora, você é um porco que ficou mais esperto, mas elas foram as únicas que ficaram com você por todo o tempo"
(Morrissey/Marr)

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