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Entrevista - Paixão não é amor

Entre o passageiro e a solidez

Filme Totalmente apaixonados Recorte do cartaz de Totalmente apaixonados (2007)

No começo, quase tudo são flores, a paixão é que comanda. Depois o sentimento muda e as coisas parecem mudar mais ainda. O dito popular de que amor não é paixão é confirmado pela psicóloga Sueli Castillo, que há anos trabalha com a questão dos relacionamentos. Para a psicóloga, a paixão pessa principalmente pela idealização do companheiro. Em entrevista ao blog Sueli define com precisão os dias de hoje: "não se busca a pessoa ideal e sim um ideal de pessoa".

Grande parte das pessoas se queixa que estão sozinhas e não conseguem encontrar alguém sério. Se há tantas pessoas sérias procurando alguém sério elas não deveriam se encontrar?
S:
Acredito que existam pessoas sérias buscando encontrar pessoas sérias, mas essa seriedade me parece atualmente um tanto relativa. O momento atual trás consigo a instabilidade de valores. Para alguns ser sério é ser fiel, para outros é ser companheiro, para outros é preservar a relação como um porto seguro. Vejo muito mais desencontros do que encontros. Essa busca desenfreada por um companheiro por vezes prioriza o preenchimento da solidão, como cito "ter alguém para chamar de meu" e não ter alguém para amar.

E por que tantos indivíduos acreditam que só poderão ser felizes se tiverem um companheiro?
S:
Faz parte da natureza humana procriar e esse ato requer "naturalmente" um parceiro. Para que tenhamos vida é necessário, portanto a união física de um homem e uma mulher. Nesse momento de inicio de vida dentro do útero estamos unidos, amparados e aconchegados a uma mulher. Ao nascermos estamos sozinhos e desamparados. Como bem cita o Dr. Flavio Gigovate, essa sensação de desamparo nos acompanha durante nossa existência. Buscamos encontrar em um parceiro esse preenchimento do vazio que sentimos, a sensação de amparo, e com isso o sentimento de solidão nos aterroriza. Assim, a felicidade é depositada apenas na vida acompanhada, sendo o outro o único responsável pela felicidade em questão. O ser humano é só por natureza, nunca consegue se misturar no outro, por mais que acredite estar acompanhado. Mas, em contrapartida também é um ser relacional, precisa do outro para sua própria referencia de existir como tal. Tanto no social quanto no pessoal pessoa necessita de pessoas. O que não significa a obrigatoriedade de ter um companheiro.

"Paixão é sinônimo de dor"
No geral, quando alguém começa a se envolver romanticamente com outra pessoa, o parceiro é visto como alguém perfeito e a relação também. Pouco depois é comum ouvir "ele não era aquilo tudo". O que causa essa euforia sentimental no início dos namoros?
S:
Voltando à sensação de desamparo, o ideal de companheiro é criado em sonhos e fantasias. Não se busca a pessoa ideal e sim um ideal de pessoa. Com isso quando alguém começa a ser envolver com outra pessoa, o desejo idealizado começa a se manifestar, e com isso a outra pessoa não é percebida como é, e sim, como esta no imaginário de quem a idealiza. A pessoa amada não é real nesse momento e sim fruto do ideal de quem ama. Com o passar da euforia sentimental inicial, a pessoa começa a perceber que o companheiro não condiz com aquilo que imaginava e por vezes acaba apenas culpando o outro pela frustração que sente nesse momento. Ideal é ideal, e jamais será alcançado, uma vez que faz parte apenas do mundo perfeito, do imaginário de quem o idealiza.

Mas, também não se pode deixar de mencionar o fato de que quando se conhece alguém por vezes se quer mostrar o "melhor", quem nem sempre é compatível com a personalidade da pessoa. Exemplificando: a mulher que detesta futebol, mas no momento da paixão assiste aos jogos e até acaba torcendo pelo time do companheiro, mas tempos depois briga e não aceita mais; o homem que não suporta teatro, mas acompanha a mulher e após a fase do encantamento não suporta nem mesmo a sugestão de ir ao teatro. O melhor seria ser a pessoa mesmo, com defeitos e qualidades sem interpretações, uma vez que na vida real ninguém consegue representar por muito tempo.

Há cientistas que dizem que o amor só dura dois anos, outros um pouco mais. A senhora concorda com essas avaliações que dizem que a paixão tem tempo para começar e terminar?
S:
Paixão é sinônimo de dor. A palavra é utilizada para descrever um momento doloroso da historia cristã: a paixão de Cristo. É uma situação onde a pessoa vive grande oscilação entre o riso e a lagrima. Em função do aumento de substâncias neurotransmissores como a endorfina e a serotonina que participam do controle do humor, comportamentos emocionais e ciclo do sono–vigília, a pessoa apaixonada vive uma fase de alegria e encantamento, mas frente à mínima contrariedade real ou imaginaria passa à tristeza e desilusão. Paixão cega, paixão emudece, paixão é ciúme, paixão é êxtase e paixão é dor. Muito antagonismo simultâneo. Concordo que a paixão tenha sim tempo para começar bem como tempo para terminar. Viver eternamente apaixonado dessa forma passional seria uma tortura para qualquer pessoa. Pesquisas demonstram que uma pessoa em media vive apaixonada dessa forma por dois ou três anos. Mas há pessoas que querem viver apaixonadas e assim como Vinicius de Moraes: "que seja eterno enquanto dure".

Filme Forças do destino Recorte do cartaz de Forças do destino (1999)

Alguns cientistas tentam até desenvolver uma pílula para prolongar o tempo da paixão. Quais benefícios o fim da paixão traz ao relacionamento e quais os conflitos?
S:
O fim da paixão pode ser um amor apaixonado, fato esse difícil de ser vivenciado. Vejo mais os conflitos uma vez que não existe um sincronismo entre os casais para o término da paixão. Sempre ela esfria primeiro em um dos parceiros e com isso muita dor acontece. Como admitir que a pessoa pela qual se esta apaixonado não sente mais com a mesma intensidade ou não sente mais a paixão inicial. Lágrimas, pedidos, súplicas, insistência, é o que se observa quando este fato acontece.

O amor seria mais duradouro ou mais verdadeiro se comparado à paixão?
S:
Mais duradouro sim, mas não mais verdadeiro. No momento da paixão pode existir idealização do outro, mas o sentimento é intenso e verdadeiro mesmo que seja por uma idealização de pessoa. A pessoa pode não existir daquela maneira, mas o sentimento pela pessoa idealizada é real.

"A racionalidade traz uma união tranquila, amorosa, mas também as dificuldades"
Há a chance de o indivíduo se apaixonar não pelo parceiro, mas pela relação, pelos prazeres e alegrias que a relação com outro alguém proporciona sem interessar quem é esse outro alguém?
S:
Não vejo dessa maneira. Você pode ser apaixonado por um esporte, por uma profissão, mas é parte do todo. A paixão por uma pessoa não é parte do todo e sim é o "todo " a todo instante.
E como trazer um pouco de racionalidade para o relacionamento e saber separar paixão de amor, e verdade de efeitos da paixão?
S:
Muito difícil racionalizar sentimentos, principalmente um sentimento tão intenso e perturbador como a paixão. Acredito que a racionalidade traga outro tipo de relação que pode ser uma união tranqüila, serena, amorosa, com planos, metas, sonhos, mas também as dificuldades, como contas a pagar, serviços a serem divididos, cansaço, dentre outros. A razão não oscila entre os extremos, portanto nunca se está transitando entre as polaridades. Ninguém melhor que o grande poeta Pablo Neruda para expressar o antagonismo da paixão, mas principalmente a intensidade da paixão:

"Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: 'A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros, ao longe'.
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis...
Em noites como esta eu a tive entre os meus braços.
A beijei tantas vezes debaixo o céu infinito.
Ela me quis, às vezes eu também a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como na relva o orvalho.
Que importa que meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Como para aproximá-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis.
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.
É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento.
minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes, os últimos versos que lhe escrevo"
(Pablo Neruda, Poema 20)

Eu poderia estar...

O que eu podia, o que eu queria, o que eu faço

Foto de My life in ruins
Recorte do cartaz de My life in ruins (2009)

Desculpe interromper o conforto da sua viagem, mas é que eu, eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando ou traficando como muitos jovens da minha idade estão fazendo agora. Mas não, eu estou aqui humildemente, com meu coração na mão, pedindo que você por algum momento na vida me ame, e me leve embora para algum lugar em que as coisas não sejam assim tão difíceis. Para me ajudar não precisa gastar nem um centavo do seu dinheiro ou segurar qualquer papel sujo que te lembre de valores que o mundo esqueceu. Para me ajudar basta se permitir e me amar. E eu aceito vale-transporte desde que o meu destino seja o seu, desde que você venha comigo. Aceita? É, eu poderia estar com algum outro, acordando com alguém ao lado em domingos vazios, segurando alguma mão no escuro do cinema. Eu poderia estar me contentando com amores medíocres como os de alguns conhecidos meus (como o seu, por exemplo). Eu poderia estar não mais sonhando com você. Eu poderia estar te esquecendo. Mas você me conhece: poder não é sinal de eu querer, não quer dizer que eu faça. Eu só espero que não desvie o rosto, que não finja que está dormindo e escute logo o meu aviso, pois você também deve saber que, no meu caso, não querer não é sinônimo de que eu não consiga! Obrigado pela atenção.

Texto inspirado em jovens que adentram os ônibus do transporte público de BH com seu texto do "eu poderia estar" decorado, tentando a todo custo obter a atenção de que necessitam. Qualquer semelhança não será mera coincidência.

Nada parecido com saudade

Então lembro quando não tenho

Filme Minhas adoráveis ex-namoradasCena de Minhas adoráveis ex-namoradas (2009)

"Sinto muito. Eu achei que uma pequena parte sua sentiria a minha falta ao me ver partir"
(Tudo acontece em Elizabethtown -2006)

Há dias em que eu ando nas ruas desviando olhares, rejeitando buzinas, acenos e vozes que porventura me chamem. Tenho medo de passar perto do seu trabalho, daquele restaurante que você gosta, de ver aquela verdura com seu "nome" na salada, e até de dançar aquela sua música na boate. Parece que, por onde ando, você me segue, eu te vejo, marcamos desencontros sem eu ao menos saber aonde é que está você. E ainda assim eu sinto vontade, de que houvesse menos vazio no mundo, de que houvesse mais você, e de que já não existisse nada parecido com saudade. Você se foi, mas eu já sabia que não há nada terno ou eterno para sempre, e mesmo que a eternidade seja, ninguém nunca viverá o bastante para descobrir. Por isso eu lembro, se eu já não tenho. E enquanto espero, não por você, mas por alguém que eu ainda não sei o nome, ou quem sabe pelo esquecimento dos dias em que tanto te esperei, ofereço ao mundo o meu amor, mesmo sabendo que amar nem sempre é o suficiente.

"E talvez algum dia, algum dia, nós poderemos ser mais que amigos e o amor nos achará de novo. Folhas vermelhas e um futuro triste, o tempo devolverá o amor que compartilhamos, no tempo em que nós nos emprestamos"
(Autumn Goodbye - Britney Spears)

Rapidinhas - notícias de amor

Direto ao que interessa e sem dramas

Filme O amor é cego
Recorte do cartaz de O amor é cego (2001)

Um giro ligeiro (e prazeroso) pelo que anda sendo publicado na Internet sobre amor e relacionamentos.

Ciência prova que o amor é cego!
Mais um estudo científico explica o ditado popular de que "o amor é cego". Pesquisa realizada pelo neurologista André Palmini, da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), mostra que o cérebro do apaixonado desativa o julgamento crítico e o estado de alerta contra ameaças do ambiente, por isso quem está apaixonado não vê defeitos e/ou desconfia de quem ama. A ciência prova também que agimos de modo diferente quando amamos e quando estamos apaixonados: no auge da paixão os mecanismos de defesa quase não são ativados, enquanto no amor, a consolidação do sentimento, o comportamento cerebral muda e a pessoa amada passa aos poucos a ser vista como as demais. O que a ciência não sabe ainda é por que as pessoas ainda continuam juntos mesmo após o fim da paixão.

Mistério...

Apenas 16% dos brasileiros traem seus parceiros?
É o que afirma estudo realizado pelo Ministério da Saúde sobre o comportamento sexual do brasileiro. De acordo com a pesquisa, os homens traem mais do que as mulheres: 21% contra 11%, respectivamente. No entanto, apesar de traírem mais, os homens andam mais inteligentes do que as mulheres, pois dentre os 63% que não usam camisinha durante o sexo casual, 75% são mulheres que dispensam o uso do preservativo, contra 57% dos homens. Além disso, cresceu o número de brasileiros que transam com parceiros eventuais: de 4% da população em 2004 para 9,3% em 2008. Outro apontamento da pesquisa parece confirmar aquela velha história de que casados fazem menos sexo do que os solteiros: 11% dos casados não fizeram sexo durante um ano!

Olha, duvido que apenas 16% dos brasileiros traem os parceiros, Ministério da Saúde! Se ainda fosse 16% são fiéis, passava. Agora, mais da metade das pessoas que fazem sexo com desconhecidos não usam camisinha? Burrice pouca é bobagem, né?

19 motivos para se fazer sexo todos os dias
O blog Testosterona, que se autodefine como o blog do macho moderno, publicou uma lista com 19 benefícios à saúde proporcionados pela prática sexual. De perda de peso, passando por saúde mental, até a cura de problemas digestivos, o post é uma boa pedida.

Só faltou dizer que o sexo une ainda mais os casais apaixonados (momento ternurinha)! E você tá esperando o quê para ter todos esses benefícios? Mas use camisinha!

Foi bom pra você? Até a próxima rapidinha!

O leitor só queria...

Cristina Ramos (MG)

Foto Cristina Ramos

"Eu só queria... esquecer as decepções do passado e viver como se nada de ruim tivesse acontecido. Encontrar alguém que me complete, que me entenda e que esteja disposto a ser verdadeiro e compartilhar comigo uma vida cheia de coisas boas. Queria que não houvesse mais desilusões, inveja, rancor, hipocrisia. E que eu fosse correspondida e pudesse amar sem medo de que amanhã eu pudesse me arrepender das coisas que fiz para ter quem eu queria, perto de mim!

O amor é um sentimento lindo, desde que seja vivenciado por duas pessoas que se respeitam e que tem como objetivo serem felizes juntas.

Na vida eu aprendi que por mais que se diga que não existe amor impossível, há momentos que nem por insistência conseguimos conquistar alguém. Ao contrário, insistência demais afasta ainda mais a pessoa da gente.

Minha frase preferida é: 'A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu' (Mônica Montone)".

Cristina Ramos - estudante, nasceu e mora em Mariana - MG - conheceu o blog procurando por crônicas de amor no Google.

Daniele Gustavo (PA)

Foto Daniele Gustavo

"Eu só queria... um amor para poder chamá-lo assim, não pela trivialidade, modismo ou coisa assim mas pelo simples fato de o ser simplesmente...

Amor é... um sentimento incondicional, que resiste a tudo, a todos, que mesmo quando não é correspondido, ainda assim consegue nos fazer bem, e que quando é correspondido nos faz sentirmos tão felizes como nunca pensamos ser possível, amor é vida, é ter constantemente, alma, sentidos, coração abertos...é ser capaz de extremos...de altas virtudes...

Na vida eu aprendi... que somos aquilo que escolhemos ser, que o mundo não para porque você se decepcionou, que as pessoas só fazem com você aquilo que você permite...que nada como um dia após o outro...que a felicidade que você busca depende primeiramente de você e não dos outros...

Minha frase preferida é 'Carpe dien', aproveite o dia..."

Daniele Gustavo - estudante, nasceu e mora em Marabá - PA - conheceu o blog em um wikisite do Limão.

Para participar, clique aqui ou envie e-mail para ruleandson@gmail.com e desabafe! Os leitores que já enviaram os textos terão seus desabafos publicados nos próximos meses, desabafe você também!

Quando a gente esquece...

Tudo indo
Cena de Não por acaso (2007)

"o meu sorriso forçado me distrai, mas não me satisfaz, pra que viver uma vida sem sentido?"
(Sandy Leah/ Junior Lima/ Victor Pozas)

"Olha o passarinho!". É assim que desde a infância eles pedem o nosso melhor sorriso, para ficar registrado a todos o quanto você é capaz de sorrir, o quanto você é feliz. Tem dias em que eu me forço a imaginar que há alguém em algum lugar, escondido, camuflado, tirando fotos minhas a todo momento. Assim, fica mais fácil eu sorrir, fica mais fácil fingir, não passar o recibo, não ficar feio na foto. Não ser feliz é sinônimo de feio hoje em dia, não é? E o sinônimo de amor? "É amar", canta Zé Ramalho e o pai da Sandy. E eu queria muito te mandar todas as minhas fotos sorrindo que esse fotógrafo imaginário tira, queria te esfregar sorrisos, te mostrar toda a alegria que você não me deu (ou me deu e tirou). Queria te encontrar e dizer "estou sorrindo, estou bem, eu te esqueci". Mas não dá, não tenho tudo que eu queria, e ainda queria trocar o "queria" pelo "tenho". Seria um nome mais bonito, fotografaria melhor: "Eu só tenho um café...". Entretanto, as fotos reveladas saem todas borradas, manchadas das ilusões, da falsidade auto-convencida. A verdade é que eu ainda sinto falta, sinto falta da sua aprovação, de te perguntar se algo que eu fiz está bom ou ruim, sinto falta do teu apoio, sinto falta de te apoiar, sinto falta de falar em plural. Ainda te tenho aqui, sem você. Quando a gente esquece, a gente não lembra. Eu não esqueci, mas eu posso sorrir e acreditar que tudo vai ficar bem. Sempre há a chance de repetir a foto.

"Eu só queria um café..."
(Não por acaso - 2007)

Rapidinhas - notícias de amor

Direto ao que interessa e sem dramas

Recorte do cartaz de A vingança dos nerds (1984)

Um giro ligeiro (e prazeroso) pelo que anda sendo publicado na Internet sobre amor e relacionamentos.

Nerds são os melhores no sexo
Estudo científico realizado na Inglaterra revela que os profissionais da área de tecnologia são os que mais se preocupam em agradar as parceiras na hora do sexo, além dos que mais utilizam brinquedinhos éroticos. Quem diria, hein? E se você ainda prefere aqueles fortões gostosões, as saradonas de academia ou aquele empresário rico, saiba que os profissionais de esportes e fitness são os que menos se preocupam em agradar aos parceiros durante o sexo, e os empresários são os que fazem sexo com menor frequência! O quê? Não acha que o sexo é tão importante assim? Especialistas afirmam que a falta de sexo pode envelhecer até 10 anos!

Então, não seria a hora de dar um chance para aquele nerd amigo seu e de quebra rejuvenescer a pele?

Romeu & Julieta: casais reais se casam na sacada de Julieta
Já imaginou se casar na sacada que teria inspirado William Shakespeare a escrever o clássico "Romeu & Julieta"? Pois, agora, você já pode! O pátio da casa da família Dal Capello, na cidade de Verona, na Itália, virou local de casamentos para apaixonados que desejam se unir no local que teria servido de cenário para os pombinhos da história de Shakespeare. Apesar de alguns historiadores afirmarem que não é essa a sacada que inspirou o autor, a procura pelo local tem sido cada vez maior.

Gente, faz alguma diferença o local do casamento? O que importa é o amor que unirá ao casal! A meu ver quem fica colocando coisas de mais no casamento está, na verdade, tentando dar à cerimônia a beleza que a relação por si só não tem! Hoje parece tão distante imaginar famílias inimigas se opondo ao relacionamento entre seus filhos, mas esse conflito é mais contemporâneo do Shakespeare poderia imaginar. Um egípcio cortou o próprio pênis após seus pais o proibirem de se casar com uma moça de uma família mais pobre. Inacreditável!

Tem algum problema? Vai dormir, que melhora!
Minha sábia e analfabeta avó sempre me dizia "não tem nada de bom pra fazer? Vai dormir!". E não é que cientistas descobriram que vovó estava certa? Pesquisadores de uma universidade americana comprovaram que dormir pensando em um problema estimula a criatividade e aumenta a chance de encontrar soluções. Segundo os estudiosos, a fase do sono conhecida como REM, estágio mais vívido dos sonhos, permite que o cérebro forme novas conexões nervosas sem a interferência de conexões que atrapalhariam tal processo quando estamos acordados ou dormindo sem sonhar. Por isso o importante para resolver os problemas não é só dormir, mas ter um sono de qualidade.

De todo modo, sonhar, em todos os sentidos ajuda. Agora quando seu chefe vier com aquele problema para você resolver, ou seu parceiro quiser discutir a relação, você já saber o que fazer: durma!

Foi bom pra você? Até a próxima rapidinha!

Fugir de casa

Um novo lar

Doce lar
Recorte do cartaz de Doce Lar (2002): de volta às origens

Eu já fugi de casa com uma sacolinha. Juntei duas ou três roupas, enfiei num plástico e disse adeus à minha mãe. Andei até o portão e olhei para trás, para conferir se alguém me via. Me escondi e só reapareci algumas horas depois. Queria que sentissem minha falta e que deixassem eu fazer tudo o que eu queria. Tinha cinco anos. Voltei para casa e após mais duas ou três fugas frustradas descobri que era para o meu próprio bem que as coisas não podiam ser sempre como eu queria.

Hoje, tenho mais de duas décadas de vida e ainda costumo desaparecer para ver se sentirão minha falta. Não só minha família, mas aqueles que eu amo. E, principalmente, aquele cuja mãe eu gostaria de chamar de sogra. Mas não adianta muito fugir, o negócio é ficar e mudar de casa, se necessário. Mudar, nunca fugir.

Às vezes, sinto aquela vontade de morar sozinho, de viver sem meus pais na cola. Meu irmão já saiu de casa e tem razão "em uma certa idade ou você casa ou sai de casa". Poderia ser os dois de uma vez só, mas não sei qual dos planos se encontra mais distante. O problema é que após um tempo parece que você vive em uma época e seus pais em outra, você fala uma língua e eles outra. E já começo a me sentir um inquilino em minha própria casa, ou "na casa onde eu habito" como minha mãe sempre me lembra.

Me falta só o dinheiro para seguir meu caminho, por isso restringi minha habitação ao meu quarto e à noite, à sala, onde vejo meus filmes e seriados. No mais, meu quarto é minha casa, é nele que me refugio e me escondo. Não mais com uma sacolinha, mas com a mesma vontade de fugir do mundo. Acho que ainda sou aquele garotinho que só quer chamar a atenção, afinal, eu tenho até um blog! Mas um dia eu saio, mudo e encontro meu lar, para ver se eu paro de sentir a minha falta em meio a paredes que não me pertencem e corro para um mundo que eu preciso saber até onde vai.

Amor ao próximo, por favor!

Chega de sofrer!*

Recorte do cartaz de O passado (2007): deixa pra lá

"Amai ao próximo como a ti mesmo", disse sabiamente o Pai Celestial. Eu como filho obediente, vou amar ao próximo, o próximo e o próximo, porque já vi que amar ao anterior não dá em nada! Se a fila anda, benzinho, minha calça estava presa na sua roleta, mas agora eu cortei, libertei. Me dá logo meu troco pra eu aproveitar com outro. Vou amar ao próximo como a mim mesmo e não se preocupe, mandarei um cartão-postal de todos os lugares que você nunca quis ir comigo. Até um dia, anterior. "O próximo, por favor!".

* Agradecimentos ao amigo Flavimar Diniz pela frase no MSN que inspirou este desabafo.

Fala sério

Não dá para acreditar
Filme O show de Truman

Recorte do cartaz de O show de Truman (1998)

Antes de eu nascer o médico avisou à minha mãe "não há chances de a senhora levar mais uma gravidez adiante". Eu teimei e não só nasci, como nasci de oito meses e dando muito trabalho. Acabei de chegar nesse mundo novo e o médico já me enfia um tapa na bunda sem dó! Olhei para o médico e não senti raiva: desconfio que começou ali mesmo o meu historio de paixões mal resolvidas por homens que me tratam com indiferença. Mamãe aproveita e me dá um nome junção de Julio Iglesias, roubando a sonoridade inicial do "ruli", com "and" de Anderson, e "son" de Hudson, resultando em Ruleandson, que fui obrigado a aprender a falar antes dos três anos.

Aos quatro anos fiz greve de fome para dançar, e com muito custo fui aceito em uma escola de ballet. Aos cinco a professora do jardim mandou brincarmos de animais, fingi ser um cachorro, ela mandou eu parar de latir e eu a mordi. Fui parar na diretoria, sem entender o motivo, afinal, elas nos mandou "fingir com vontade". Aos 12 anos, após dançar por oito longos anos, ganhar prêmios, convites para ir ao exterior, e faltar pouco para me profissionalizar, acordei um belo dia sem a menor vontade de dançar e nunca mais apareci na escola. Fui fazer teatro. Fiz peças por quase dois anos e quando ia começar a ganhar dinheiro, cansei daquela vida. Fui fazer cinema. No primeiro curta o diretor disse "faça uma expressão estupefata" eu disse - com cara de "de que porra é essa?" - "O QUÊ?", e ele gritou " é isso! Roda, roda, roda"! Filmamos num morro de BH, em meio a tiros, carcaças de animais, e a uma comida que me deu um piriri gangorra. Assim, eu, que não faço minhas necessidades sólidas fora de casa, fui obrigado a defecar em plena mata (sem o papel higiênico tradicional, apenas folhas de plantas). Não preciso dizer que também larguei o cinema, né? Fiquei pensando no que fazer da vida e, enquanto isso, fui cumim, garçom, bordadeiro, entregador de panfletos, pintor de anúncios em muro, vendedor ambulante, secretário, operador de telemarketing, e agora sou jornalista e estudante (novamente).

Se na infância eu era gordinho - chegava em casa com as bochechonas roxas de tanto apertarem - hoje, luto para acrescentar 7000 calorias à dieta e engordar um quilo de cada vez. Toda vez que vou ao médico ele diz "sua saúde é de ferro", no entanto, já quase enferrujei com alergias mil, asma, bronquite, pneumonia dupla e dengue hemorrágica.

No amor, me apaixonei algumas vezes na vida por algumas pessoas e essas pessoas nunca se apaixonaram por mim. Quando finalmente me descobri, me apaixonei por um amigo e li Aristóteles dizer "o ideal do amor é a amizade em excesso". Pensei, "pronto, vai dar certo", para agora descobrir que no fim da vida Ari (já somos íntimos) disse "amigos, não há amigos"! Por que não me avisou antes, Ari filho da *%$#?

As pessoas vivem me pedindo conselhos de amor, 90% dos e-mails e telefonemas que recebo todos os dias são com esse fim. Os aconselhados dizem que minhas dicas resolveram a vida deles, enquanto eu estou encalhado há 23 anos! Isso é justo? Na época em que eu achava que era hétero nenhuma mulher me queria, agora que tenho certeza de que sou gay algumas me pedem em casamento, enquanto alguns deles, que antes davam em cima de mim, agora só querem amizade em preto e branco, jamais colorida.

Aos 21 anos estava em uma festa, babando por um besta do qual eu gostava, ele se aproxima, eu acredito que vai me agarrar, mas não! Ele me pede para segurar a Coca-Cola e a vodka dele para ele beijar dois ao mesmo tempo, na minha frente! Dois! E eu com as bebidas dele, nas duas mãos, mais atraente do que nunca, assistindo à cena. Semanas depois, ele, gay por natureza, em uma festa só com héteros, prefere beijar dezenas de mulheres a me beijar! Será que eu sou tão feio assim, meu Deus? Por ironia do destino, vou à festa de aniversário desse mesmo idiota que eu amava, lá vejo ele pegando outro na minha frente e sofro como um condenado, agora esse ser que ele pegou na minha frente me convida para sair? Eu mereço?!

No trabalho, a sucessão de êxitos não poderia ser diferente! Quando estava no meu último emprego recebi uma outra proposta para ganhar, inicialmente, três vezes mais do que no outro, me arrependi e disse para o recrutador "não posso fazer isso, ganho pouco mas sou feliz. Vou lutar pelos meus sonhos, lutem pelos seu sonhos" e saí da entrevista, aos prantos e deixando todos com cara de espanto. Um mês depois meu emprego me demitiu e estou desempregado desde então.

No momento, sinto uma vontade louca de voltar a dançar, mesmo depois de ter largado tudo na dança. Para completar, sinto falta de indivíduos pelos quais fiz tudo e além de nem sequer lembrarem que eu existo, ainda questionam minha sinceridade. Para piorar, dias atrás eu estava estudando dentro de casa, os cachorros latem e me aparece um marginal armado na janela da minha casa e me diz "vou esconder aqui ou eu te mato". Convidei o bandido para entrar, dei água, ele trocou de roupa para fugir, e, enquanto disse que ia buscar mais água para ele, eu consegui fugir. Detalhe, ele também fugiu daqui de casa antes de ser preso, mas o infeliz amassou e jogou no lixo a MINHA garrafinha de água que eu dei a ele para não sentir sede na fuga, aquele ingrato!

FALA SÉRIO! Que vida é essa? Eu tenho certeza de que quando eu for morrer um anjo (ou não) vai aparecer olhar no fundo dos meus olhos e dizer "Olha ali para aquela câmera. Sua vida toda foi uma pegadinha do Divino"! Corta!

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