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Entrevista - etiqueta sentimental

Bons modos como prioridade nas relações

Amigas com dinheiro
Recorte do cartaz de Amigas com dinheiro (2006): mais que portar-se à mesa

Quando encontrar o amor da sua vida dê quanto beijos quiser, na boca ou onde o casal preferir - dependendo, é claro, do local. No entanto, quando for cumprimentar um conhecido "dê apenas dois beijos no rosto, um em cada bochecha". É o que explica a consultora mineira de etiqueta social Carminha Ker. Ensinando bons modos de convivência há 18 anos, Carminha iniciou sua carreira na extinta escola Socila, e, atualmente, ministra cursos em empresas e dá aulas particulares. Para quem pensa que a modernidade e o mundo virtual dispensam regras de etiqueta a consultora avisa: "etiqueta é artigo de primeira necessidade. As normas devem permanecer nas conversas pela Internet". Nessa entrevista, ela esclarece algumas dúvidas básicas para evitar problemas e gafes, até mesmo, nos relacionamentos amorosos.

- Carminha, qual o papel da etiqueta nas relações humanas modernas?
C:
Etiqueta são regras de comportamento que foram elaboradas para nos auxiliar a saber como proceder em público. Etiqueta, boas maneiras e cerimonial, ao contrário do que muitas pessoas pensam, é muito mais do que elegância social, e não é privilégio só das altas elites, mas já faz parte do cotidiano de todos nós, nas ruas, salões, restaurantes, escritórios, em vários ambientes, não sendo mais considerado "artigo de luxo", mas artigo de primeira necessidade.

- Alguns dizem que "no amor e na guerra vale tudo". A etiqueta proíbe algo para o amor, há uma espécie de etiqueta sentimental?
C:
Sim. Alguns dizem que no amor e na guerra vale tudo, mas.... nem tanto. Mesmo que o parceiro seja maravilhoso, atraente e sensual, nada de ir direto ao assunto, pois uma abordagem sutil é sempre mais eficaz.

- No início de um relacionamento é comum querer impressionar o outro e ser bastante educado. A convivência, a intimidade leva as pessoas a esquecerem da etiqueta com o companheiro?
C:
Inúmeras vezes, sim. Com o passar dos anos de um relacionamento, as pessoas vão se descuidando de pequenos gestos de carinho, gentileza e educação. No entanto, não só dizer "por favor" ou "muito obrigado", mas muitas outras "palavrinhas mágicas" devem ter espaço não só no namoro, como durante todo o casamento.
"Quem 'entra' em um programa de bate-papo é quem deve cumprimentar, e ao sair, ao desconectar, é preciso se despedir"

- Hoje, o homem ainda deve puxar a cadeira para a mulher sentar à mesa, abrir a porta do carro, ou aguardar a mulher subir primeiro no ônibus?
C:
Sim, num restaurante o homem sempre deve puxar a cadeira para a mulher se sentar, pois este é um gesto de delicadeza e educação, caso ele não o faça, o garçom sempre tomará a iniciativa. Atualmente as mulheres levam os maridos ao trabalho, não havendo possibilidade da gentileza de abrir a porta do carro, porém, quando os dois saírem para algum programa o homem deverá abrir-lhe a porta do carro e ela com certeza se sentirá "uma lady". Quanto ao ônibus, o correto seria que os homens aguardassem que as mulheres entrassem, o que raramente ocorre.

- No caso dos relacionamentos homossexuais, um dos parceiros deve fazer esse papel de cavalheiro, protetor, ou esse cuidado ficaria em desuso?
C:
Neste caso não haveria necessidade, mas cada um deve agir de acordo com sua conveniência. As normas de comportamento foram testadas e modificadas através dos tempos, adaptando-as ao nosso estilo de vida, visando um bom convívio social no meio em que vivemos.

- Muitos casais e amigos conversam por mensageiros instantâneos na Internet (programas de bate-papo, como MSN). As regras de etiqueta permanecem nos contatos virtuais?
C:
Sim, permanecem! Portanto, quem "entra" em um programa de bate-papo é quem deve cumprimentar, pois quem chega a um local é quem cumprimenta, e ao sair, ao desconectar, é preciso se despedir, assim como deve ser feito em um ambiente físico.

- Em relação aos e-mails, todo e-mail recebido deve ser respondido?
C:
Atualmente a quantidade de e-mails recebidos ultrapassa em muito a nossa disponibilidade de tempo para respondê-los. Podemos sim, fazer uma seleção respondendo aos que nos forem mais importantes.

- Há alguma maneira mais indicada para convidar alguém em quem se está interessado para sair?
C:
Há sim. A maneira mais indicada, além do telefone, é convidar pessoalmente, porém se o convidado não estiver interessado em aceitar o convite evite ficar aborrecido. Na hora de decidir a programação, quem convida tanto pode sugerir o programa como pedir sugestões.

A família da noiva
Recorte do cartaz de A família da noiva (2005): conhecendo a família de quem se ama

- No momento de pagar a conta, o que diz a etiqueta?
C:
Segundo a etiqueta tradicional, quem convidou sempre deve pagar; mas, nos tempos modernos, pode-se perfeitamente dividir a conta, o que não infringe nenhuma regra de etiqueta.

- Celular e relacionamentos amoroso. Essa junção pode causar muitas dores de cabeça. O que sugerem as normas da boa educação nas seguintes situações:
Você ligou e a pessoa não atendeu, deve-se retornar insistentemente?
C:
Não! Tente apenas mais uma vez.

- A pessoa não quer ou não pode atender o celular, o certo é desligá-lo?
C:
Caso você não possa atendê-lo no momento, desligue-o e procure retornar quando possível.

- Se o celular estiver ligado e eu não posso atender, o que é mais educado: retornar mais tarde dizendo que não podia atender ou atender rapidamente e dizer "desculpe, me ligue mais tarde"?
C:
Dependendo do seu grau de intimidade com quem ligou e do assunto a ser tratado ambas as atitudes podem ser tomadas.

- O momento de conhecer a família ou amigos do companheiro. Há algum comportamento que seja de bom tom no momento de ser apresentado às pessoas queridas do parceiro?
C:
Quando formos apresentados às pessoas queridas do parceiro, não há necessidade de levar nenhum presente. Mas ao sermos convidados para um jantar ou almoço a ser realizado na casa dos mesmos, é de bom tom levarmos uma pequena lembrança, como: uma caixa de bombons, um vinho, um vaso de flores, fazendo o mesmo quando vamos visitar estas pessoas em outra cidade.
"Etiqueta também é encontrar um tempo para sermos educados, atenciosos e para doar um pouco de nós para as pessoas"
- Você marcou um compromisso com o parceiro e não pode ir, qual a antecedência para cancelar? O certo é explicar o motivo, como agir?
C:
Se o motivo do não comparecimento for imprevisto, pode-se avisar por telefone sem nenhuma antecedência. Caso contrário avise antes do horário combinado para que o parceiro tenha tempo de se desprogramar.

- Agora quem levou o "bolo" ou está quase levando. A pessoa está aguardando o companheiro chegar e ele não chega, o que fazer?
C:
Bolo é bolo, e quem levou não deve estar nada satisfeito, portanto, ficar esperando sem tempo determinado é impraticável. Ligue e procure saber o que aconteceu.

- E se você de fato levar o "bolo", deve esperar o outro se desculpar ou procurar uma satisfação naquele momento?
C:
Com sinceridade, ganhar bolo não é bom, mas muitas vezes há sim um motivo justo, portanto, espere pela explicação do outro.

- Sinceridade x etiqueta. Como ser educado e ao mesmo tempo sincero com o parceiro, dizendo, por exemplo, que a roupa não ficou bem nele?
C:
Ninguém gosta de ouvir críticas a seu respeito ou do que está vestindo. Fique na sua, apenas não elogie e se o parceiro perguntar, diga-lhe que outra roupa lhe cai melhor.

- Ex-parceiros também pode trazer problemas e saias-justas, por exemplo: ao encontrar um ex (acompanhando ou não) deve-se sempre cumprimentá-lo?
C:
Claro que sim, pois faz parte da boa educação.

- O ex deve ser convidado para o casamento do ex-parceiro?
C:
Nesta situação, não. Se acabou o namoro acabou o relacionamento. Procure evitar surpresas desagradáveis.

- Por causa do troca-troca de companheiros, tornado público por algumas celebridades, muitos se questionam se ao romper um romance é de bom tom, por respeito ao ex, esperar um tempo até circular com novo companheiro. O que a senhora acha?
C:
Não é preciso esperar nenhum tempo, cada um é dono de sua vida.

- Algumas pessoas culpam o tempo, a correria, o trabalho, o stress por não poderem ser tão atenciosas e educadas com quem amam. São desculpas aceitáveis?
C:
Não, mesmo apesar desta vida corrida, sempre podemos encontrar um tempo para sermos educados, atenciosos e para doar um pouco de nós para as pessoas, não só as que amamos, como as que precisam de nossa atenção.

- E como ter etiqueta, mas não tornar-se chato?
C:
Agindo naturalmente.

Só quando perde... (ou Cafajeste)

Um dia a gente aprende a dar valor

Filme Alfie
Recorte do cartaz de Alfie (2004): cafajeste é sempre cafajeste

"Não consegue encontrar a companhia certa. Eu acho que quando se tem muitas as coisas se tornam complicadas, poderia ser fácil, mas é assim que você é, baby"
(Nikesha Briscoe/ Rafael Akinyem)

Não tem jeito, tem gente que realmente não tem jeito. Aliás, o único jeito é dizer "foi um prazer, passar bem, até nunca!". Não adianta se preocupar com quem não se preocupa. Não adianta se importar com quem não se importa. Não adianta amar quem não ama. Não se adianta quem só retrocede. Cafajeste, nasceu para ser cafajeste, vai crescer cafajeste, vai morrer cafajeste! C-A-F-A-J-E-S-T-E, galinha, filho da puta, insensível, ladrão de coração, copulador irrefreável, safado, sem vergonha, idiota ou retardado sentimental (expressão recentemente criada pela Madonna). Os nomes podem ser vários para definir um só tipo: um cara com carinha bonitinha, visual ajeitado, comportamento polido, palavras doces estrategicamente planejadas, gosto refinado e o desejo publicamente confesso de encontrar o amor da vida dele. "Que gracinha", diria Hebe Camargo ao conhecê-lo. "Que armação barata", dirá você (e eu) após se apaixonar por um destes. O mais irritante nesse tipinho é que ele nunca sabe de nada, nunca vê nada. Faz você se apaixonar sem querer, coitadinho, ele não pode ser punido por ser assim tão apaixonante, né? Te magoa também sem querer, não é ele que é grosso, insensível, medíocre, é você que é sensível em excesso (nesse momento, contenha-se para não agredí-lo fisicamente). Não retorna porque não viu a sua ligação, não responde porque não viu o seu e-mail, perdoe-o, ele não tem culpa de ser tão ocupado (transar com tudo o que se move e respira ocupa tempo, compreenda!). Ele não tem culpa de nada... NADA! É isso o que ele é, repita comigo: "ele é um nada!". Ah, mas diga isso só para você mesmo, pois, se você ousar dizer a ele que ele é promíscuo, arrogante, insensível, bestial, ele vai ficar muito, muito bravo com você. É o que é ainda mais irritante nele: ele acha que é não um cafajeste! Ele se vê como um príncipe, um partidão, um bom garoto! Como pode? Não, não! Não tente entender, não gaste nem mais um minuto pensando em quem não pensa em você. Mande-o para a puta que pariu (não se reprima, fale palavrões com todas as letras, faz bem! Não é à toa que Dercy viveu mais de 100 anos!). E homem cafajeste é homem cafajeste, independentemente da orientação sexual. Cajafeste faz mulher sofrer, cajafeste faz gay sofrer - sim, meninas, muitos dos seus amigos gays só são sensíveis e românticos com vocês, é complexo, mas há muitos gays agindo como héteros em relações homossexuais, o que eu chamo de "héteros enrustidos" - enfim, cafajeste não presta! Você vai sentir saudade, carência, mas se a coisa apertar compre um cachorro ou vá cuidar do que você já tem. Só ame cachorros de quatro patas, é seu novo lema! E não pense que ele está saindo da sua vida, ou você está saindo da vida dele, na verdade, é você que está voltando para a sua vida. Não caia no papo dele de que você o está perdendo por não saber esquecer o passado. É ele quem perdeu você por não lembrar de você no passado e por esquecer de te incluir no futuro. Também não deseje nada de ruim para o cafajeste, ok? A vida dele já é uma merda, imagina se você ainda pedir para ficar pior? Vai que os céus atendem seu pedido! Deixa estar. É, não tem jeito, só quando a gente perde a gente aprende a dar valor. Amando esse idiota você se perdeu, então, agora, aprenda a se dar valor!

"Chorando se foi, quem um dia só me fez chorar..."
(Márcia Ferreira)

Amor no ritmo do Carnaval

Sem máscaras para o amor

Cartas de CasanovaRecorte do cartaz de Casanova (2005)

Todo ano tem aqueles dias de pular, curtir folia, é chegado o Carnaval. Quem tem par vai pular junto, quem não tem vai se arranjar. E quem não se arranja? Dança o samba da lembrança vestido de Pierrot. E, se esse samba eu danço, é que o coração ficou no balanço do teu beijo como enredo. Não me espera Colombina, não me apressa Pierrot, essa noite eu não chego cedo, tô de caso com o amor. Só quando for quarta de cinzas vou te dar a tua nota, tua escola é nove e meio, e pra levar nota dez não vai ter jeito: vem sambando de fininho, vem amando aqui juntinho até o próximo Carnaval.

"Falta rango, falta escola, falta tudo a toda hora, tá na hora de mudar. Vivo com essa vida dura, são milhões de criaturas, brasileiro sempre acha algum motivo pra comemorar"
(Duller/Fabio Alcântara/Augusto Conceição)

A tampa da panela

Lero-lero x realidade
Cartaz de Sem ReservasRecorte do cartaz de Sem reservas (2007): a receita para o amor

"Relacionamentos nem sempre se ajustam como uma luva"
(Garota da vitrine - 2005)

A tampa da panela, a alma gêmea, o chinelo velho para todo pé cansado, a metade (não ácida) da laranja. Quem nunca sonhou com isso? EU! Leia de novo: EU! "Mas, você não é romântico, apaixonado, idealista, utópico e persistente?". Sou e acrescente realista à essa contraditória lista! E é por isso tudo que eu não acredito nas expressões que tentam definir, classificar uma única pessoa no mundo que foi criada apenas para você e para a qual você também foi criado. Na verdade, eu até acredito, eu quero acreditar, eu preciso acreditar. No entanto, não creio em uma pessoa que vá se encaixar com perfeição na minha "panela". Isso é bem papo de novatos na "cozinha". Toda panela nova se encaixa com perfeição na tampa, mas com o tempo, com o uso, incorreto e apressado, principalmente, você descobre que para a comida ficar boa novamente você vai ter que deixar uma beiradinha para o ar sair, a panela ganha um amasso, a tampa perde o cabo e elas já não se encaixam tão bem.

E não seria assim com as relações? Se você quiser um relacionamento vai ter que aprender a se relacionar, vai ter que aprender a ceder, a abrir mão, a dar as mãos. A questão, a resposta, não é achar a tampa da panela, não é ser a tampa ou ser a panela, as frigideiras também são úteis. A questão é saber cozinhar! Não quero uma tampa, não quero nada que me sufoque, que me limite. Duas panelas podem sim ser felizes juntas e destampadas. Quero alguém que eu ame e que queira me amar. QUERER! É essa a palavra-chave que resume tudo na vida.

Se você quiser você pode amar, sim! Basta querer amar. Não adianta a vida te dar o melhor presente do mundo, o presente que você precisa, ou o presente que você quer (perceba, são coisas distintas), você vai ter que abrir ao embrulho! Não adianta a vida te dar o melhor emprego do mundo você vai ter que trabalhar! Tudo na vida dá trabalho, é custoso, nada é de graça, e quem quer, faz! Portanto, não adianta encontrar a tampa e jogar ela fora, guardar na estante, no armário da cozinha. No primeiro problema, é muito fácil desistir e largar a tampa (ou a panela). "Não era A tampa da panela", "não era A alma gêmea", e etc., é um modo muito simples, muito cômodo de culpar a vida, o destino, Deus (ou seja lá como você chama o desconhecido), por sua incapacidade, por sua falta de dedicação e vontade de amar. Olhe para você! Quer a tampa da panela? Então, aprenda a cozinhar primeiro!

"Mas eu não ficaria bem na sua estante"
(Pitty)

Obs.: Para quem gosta de panelas, tampas e amor, fica a dica da comédia romântica Sem reservas (2007) é uma lição sobre amar, ser amado e a importância de QUERER amar!

Já não mais

Por que eu deveria estar triste?


Recorte do cartaz de ABC do amor (2005) : nada é tão grande quanto o primeiro amor
"Sentar ao lado dele e ter esperança não vai adiantar"
(House)


Já não creio mais em tanta gente, nem admiro os passos de quem passa à minha frente. Já não vejo mais tanta graça em ser o primeiro, sendo que, na verdade, eu nunca vi. Não consigo mais seguir sem rumo, quero escolher um caminho onde eu nunca mais não seja a opção. Já não mais me encanta o que não foi de encanto, nem me alivia um sorriso que no fundo te busca em todo canto. Eu sei que já disse que não acreditava mais em tanta gente, mas em você eu acreditei. Não sei agora o que me magoa mais: eu não ter percebido a tempo que você era uma mentira ou você não ter se salvo a tempo de ser sim uma verdade.

"E você não ouviu toda a minha alegria através das minhas lágrimas, toda a minha esperança através dos meus medos. Você sabia que eu ainda sinto a sua falta de algum modo?"
(Eric Foster White)

É culpa do cinema!

Quer saber? Cansei!


Recorte do cartaz de A rosa púrpura do Cairo (1985)

Ah, quer saber a verdade? Cansei! "Você é muito romântico, isso é culpa dos filmes que você assiste. Você espera que o amor seja como no cinema e se frustra por não ser assim na vida real", ouvi ontem e sempre. Claro, a culpa não é minha, nem de quem está ao meu lado, nem da nossa junção, é dos filmes de amor, das comédias românticas! O cinema tem pouco mais de 100 anos e as relações humanas milênios, mas constatar que uma relação não é perfeita é culpa dos filmes, descobrir que seu amor não é assim tão perfeitinho é culpa do cinema, ok?

E você acabou de transar e achou ruim também por culpa daquele filme pornô que você assistiu, não foi porque ficaram meia hora em cima de você e você nem sentiu cócegas não, tá? É culpa do cinema, é culpa dos filmes eróticos. Aliás, você só quer amar porque o cinema te convenceu que existe amor, você só quer transar porque o cinema te convenceu que existe sexo além do papai e mamãe.

O amor é um produto, meu caro, ele não existe, só querem vender para você comprar!. Sei... Os milhões faturados pelos filmes de amor provocam a insistência humana no amor, e os bilhões faturados pelo cinema pornô explicam a vontade humana de fazer sexo? Entendi! É tudo externo, nada interno. Culpa do cinema essa vontade minha de namorar e amar, de amar e ser feliz! Quem disse que temos que amar e ser amados e juntos sermos felizes? Malditos filmes, me iludiram! Também culpa do cinema, essa minha vontade de tocar, de acariciar, de sentir. Quem disse que sexo tem que ter prazer? Ordinárias películas, me fizeram acreditar!

Cansei! Vamos tomar crédito pelo que fizermos e ser sinceros? Não há amor perfeito (ainda bem!), não há o cara perfeito, todo mundo pode brochar (sentimental e sexualmente falando) e a vida real e os sonhos existem bem antes do cinema. Assim como não não há fórmula para um bom filme, também não há formula para o amor, não há fórmula para o sexo, vamos esquecer as regras, que tal? Não tem alma gêmea e se tiver diga não ao incesto! O mundo é sim um grande shopping, é verdade que a vida é uma venda e troca de produtos, amor, sexo, e tudo mais, mas ainda é você quem escolhe no que acreditar. E mais: ainda é você quem decide onde prega o seu código de barras. Só não aposte tanto em liquidações, DVD pirata, reprise ou remake, nunca serão como o filme original!

"Até achava que aqui batia um coração, nada é orgânico é tudo programado e eu achando que tinha me libertado..."
(Pitty)

Foi só um olhar

O que eu devia saber


Recorte do cartaz de Sintonia de amor (1993)

Olho longe enquanto o coração me avisa que o nosso amor nunca foi de dois. Foi só um que amou, foi só um que tentou. Não foi nosso, foi meu. O mais difícil agora é saber ser eu o só um que ainda sente saudade. Não queria ter essa minha parte que sente sua falta e parece precisar te amar pra eu me sentir de verdade. O amor é mesmo um mistério. Não ter acontecido não significa que não tenha existido. Foi só um olhar, em você tão longe, em eu aqui tão perto, em tudo aquilo que não se encontra um nome quando a distância dos corpos não consegue eliminar o pedido pela permanência das almas.

O leitor só queria...

Suley Melo (MG)


"Eu só queria... um amor com sabor de fruta madura, um amor com ar de namorinho de portão, um amor de acelerar o coração a cada amanhecer, um amor com cenas inesquecíveis que voltam em câmera lenta na mente de quem viveu, um amor com gosto de beijos lentos e doces, um amor com abraço que protege e aquece, um amor que desenha o ser amado enquanto ele dorme, um amor que deixasse um sorriso de piano o dia todo no rosto, um amor que não durma sem me contar as coisas do seu dia, um amor sincero em suas expressões, um amor que sabe ser amigo e companheiro, um amor que se desculpa quando preciso, um amor como o de quem amanhece como se não tivesse dormido, um amor onde dois corpos se tornam um, um amor que acredite que se a gente quiser o mundo se ajeita, um amor que não se esqueça de ligar só para dizer que está bem e que sente saudades, um amor para falar dessas vidas tão usuais quanto as nossas vidas, um amor que dá arrepios ao encostar, um amor com jeito de edredom em um domingo de chuva, um amor que elogia, um amor com cheiro de chuva que sabemos exatamente o que quer dizer, um amor de aceitação de virtudes e defeitos, um amor que faz rir, um amor que se faz par, um amor que não sai do pensamento, um amor que sobrevive ao tempo e suas adversidades, um amor onde só importe a enorme vontade de estar junto em sua eterna conchinha!


O amor para mim não é o que divide e sim o que soma! Na vida eu aprendi que dois nunca serão um! Minha frase preferida é 'estamos todos deitados na sarjeta, mas alguns estão olhando para as estrelas' (Oscar Wilde)".

Suely Melo - bióloga, nasceu e mora na cidade de Uberlândia em Minas Gerais - estava navegando em outros blogs quando viu um link para o "Eu só queria um café...": "achei o nome interessante e fui ver se o café estava quente ou frio, achei ele no ponto e sempre volto!", diz.

Andressa Cabral (RJ)


"Eu só queria... conseguir abrir teus olhos e fazer você enxergar que tudo isso já foi longe demais, mas que ainda é possível voltar atrás, contornar essa situação criada há anos e que nos atormenta a cada dia que passa. Enquanto dormes, vejo que o mundo lhe mostrou diversas vezes, como isso vai terminar, mas você insiste em continuar se afundando. E aquele sorriso, que vi n’outro dia, em um futuro próximo, vai se transformar em lágrimas, nas nossas lágrimas.

O amor para mim é a junção de vários outros sentimentos, em pequenas dosagens, para criar uma composição perfeita, pura, nobre, e livre. Só que o amor vem sendo desgastado, pois é usado verbalmente de forma errada por aqueles que não conhecem as suas reais aplicações.

Na vida eu aprendi que buscar incessantemente pela identidade é perda de tempo. Identidade não se busca, é algo que se tem, desde sempre. Basta abrir os olhos e enxergar a si mesmo. Minha frase preferida é de minha autoria: “A resposta está diante dos nossos olhos, a gente é quem insiste em não enxergá-la”.

Andressa Cabral - estudante, nasceu e mora na capital do estado do Rio de Janeiro e escreve no www.dressapivo.blogspot.com - conheceu blog através de uma comunidade do orkut, na qual tinha um trecho do texto Àquela letra do alfabeto, "desde então indico os textos para amigos", conta.

Para participar,
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Calendário

Um X escarlate para cada dia aproveitado


Recorte do cartaz de Garotas do calendário (2003): aproveitando cada dia

"A vida não dói tanto quando a gente para de pensar que ela poderia ser de outro jeito"
(Law & Order)


Naquele calendário, entre a sala e a cozinha, ele soma os dias. A cada dia, que insiste em condensar em 24 horas uma vida, ele marca um X no que foi passado, vivido, vencido, atravessado, e anota, em letra miúda, o que fará no próximo dia. Ele não gosta da rotina, mas planeja seus dias. Contraditório, como em cada palavra, gesto ou silêncio consentido entre ele e seus pensamentos. Se o julgam pelo que ele fala, jamais poderão saber o que ele pensa. Aquele calendário mais se parece com um jogo-da-velha jogado em solo e representa como ele vive a vida: firme, mas só, em traços marcantes, duvidosos e solitários. Na verdade, que ele bem sabe, ele coleciona dias e usa cada X traçado naquele calendário para se convencer de que realmente conseguiu viver mais um dia. Aqueles dias ele que vive com tanta sede por, no fundo, temer que um dia lhe neguem a água que ele tanto acha precisar. Naquele calendário está marcado em rubro o burro medo de viver que ele maqueia em vontade gritada de aproveitar a vida. Aproveitar, não viver. Entre aquelas datas, números, dias, compromissos e riscos, ele tenta se descobrir, descobrir o dia que será só dele. Todo dia, quando ele cruza cada X, ele também espera quem cruze seu caminho, e fique presente nele por alguns bons dias, que certamente serão marcados na data correspondente ao dia. Ele espera e sonha, mas teme perder o calendário e tudo que faz tanto sentido para ele guiar seus dias. A cada dia ele soma mais um dia, mais um dia que não foi feliz, mais um dia que não foi triste, mais um dia que foi só mais um dia. No fim do mês ele vira a página e começa uma nova vida, ele que sempre se reinventa, sem nunca variar, sem nunca se entender. E só, sempre só, como cada dia sem par, marcado a contragosto, naquele calendário.

"Se eu não faço mais questão de ter, se eu não tenho mais, passo o dia feliz sem você, mais um dia feliz sem você"
(Rodrigo Neto/ Tico Santa Cruz)

Príncipe encantado

Onde está o encanto?

Recorte da versão 2008 do Príncipe Eric de A pequena Sereia em Disney Heroes de David Kawena

"Quem sabe o príncipe virou um chato que vive dando no meu saco"
(Cássia Eller)


"E viveram felizes para sempre!". Quando eu era pequeno eu ouvia, assim como você, a história dos príncipes encantados. A princesa estava em perigo, o amor era a salvação, o príncipe aparecia e tudo tinha um belo final, com passarinhos cantando, bules falantes e cavalos brancos com asas. Hoje acho mais fácil encontrar um bule que converse, um passarinho cantando Frank Sinatra e voar nas costas de um cavalo branco do que encontrar um príncipe encantado. Não que os príncipes não existam, o problema é que eles perderam o encanto!

O que fazia um príncipe ser encantado? Seu cavalo branco (alado ou não)? Sua ligação com a realeza? Seus milhões? Sua bela forma física? Sua roupa justa e sua capinha? Não, não. O que o fazia ser era o seu encanto. E encanto não se compra, não se adquire, ou se tem ou não se tem, não há meio termo. Não há príncipes quase encantados, e a única coisa que você ganha beijando sapos esperando que virem príncipes é "sapinho", às vezes, literalmente.

Os tempos passaram e os príncipes mudaram. Largaram os cavalos brancos e agora querem surgir montados em Ferrari, Cherokee, ou Honda. Esqueceram de matar o Dragão para salvar o amor e passaram a pegar tudo quanto que é "dragão" que surge na reta. Trocaram a calça justa e a capa por roupinhas de playboyzinho compradas em qualquer Vide Bula da vida. Deixaram de colecionar virtudes e batalhas vencidas contra o mal para somar amores de uma noite. Se tornaram tão dignos que não dá para saber se é melhor amar a bruxa ou o príncipe.

E não adianta jogar as tranças, comer a maça, cantar à beira mar, porque eles só vão olhar para você se suas formas compensarem meia hora de diversão. Romantismo? Jamais! Caso demonstre alguma ponta de romantismo você será chamado de pegajoso, grudento, ultrapassado, e perderá seu "príncipe". Agora, a maioria é assim, mas não são todos. Em algum lugar, em algum canto deve haver ainda os príncipes encantados. O negócio é "dar faxina no seu castelo", ajudar todos "anões" que surgirem pelo caminho, ensinar as "feras" a ler, até encontrar o príncipe encantado.

Tudo bem, é até perdoável jogar a trança de vez quando para um príncipe falso e sem encanto subir ao quarto (ninguém é de ferro), mas eu não desisto de vestir aquela bela roupa, perder o All Star pelas escadas (que meigo) e se minha carruagem virar abóbora, não ligo, a última moda é o bio-combustível, não é?

Se nada der certo, desisto! Espeto meu dedo numa agulha, durmo 100 anos e espero ser acordado. Caso também não funcione. eu compro um despertador potente, um bela garrafa de vodka e desperto pronto para a próxima. Que seja por um dia, uma hora, ou anos, mas que venham príncipes, que venha amor, que venha encanto. E viva os príncipes realmente encantados e os que permanecem fiéis aos sonhos e ainda acreditam no amor, e em todo o seu encanto, momentâneo ou eterno, mas encanto!

"Todos já amamos, mas só sabemos que não é amor de verdade quando tudo acaba. E se não existir um cara? Ou dois, ou três, ou quatro, ou cinco? E se o amor de verdade não existir e estivermos com medo de admitir isso? Nós nos produzimos, fingimos ser algo que não somos, viramos nossa vida do avesso e nos perdemos em algo que sonhamos ser melhor do que o que achamos que somos. E se aquilo que procuramos simplesmente não existir? [...] Por que tudo tem que ser tão... apenas tão?"
(Amor ou amizade - 2000)

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