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27 janeiro 2009

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Entrevista - homossexualidade em foco (Klecius Borges)

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Afetividade sem preconceitos

Recorte do cartaz de "Todas as cores do amor" (2004)

O ano de 2008 foi encerrado com uma triste constatação: o Brasil ainda ocupa o primeiro lugar no mundo em crimes por homofobia, segundo o GGB, Grupo Gay da Bahia, a mais antiga associação brasileira de defesa dos direitos humanos dos homossexuais. "É preciso ampliar a visibilidade, mostrando à sociedade que não há nada errado em ser homossexual", afirma o psicoterapeuta Klecius Borges, que há cerca de oito anos trabalha com terapia afirmativa para gays, lésbicas e bissexuais. Nessa entrevista ele, que também é autor do livro "DeSiguais", fala sobre a importância de não rotular a sexualidade alheia, aceitar a própria orientação e viver a plenitude em uma relação homoafetiva.


- Ser homossexual significa apenas transar com alguém do mesmo sexo?
K: Não há uma única definição para homossexual. Para definir homossexualidade é preciso levar em consideração os conceitos de identidade sexual, orientação sexual e comportamento sexual. Há indivíduos que têm comportamento homossexual e não se consideram homossexuais. Via de regra consideramos o homossexual como aquele indivíduo que se identifica como tal e reconhece sua orientação como predominantemente homossexual, isso é, um conjunto complexo de atrações - física, emocional e espiritual por pessoas do mesmo sexo.

- Geralmente, o indivíduo é educado para ser heterossexual, seja pela família ou pela mídia. A pessoa constrói essa espécie de identidade hétero e depois pode percerber-se homossexual. É preciso ficar atento para não reproduzir em uma relação homo comportamentos heterossexuais?
K: Essa reprodução é natural, pois não há ainda muitos modelos públicos de relações homossexuais. Isso deverá mudar com a crescente exposição pública de relacionamentos homoafetivos.

- Há um certo mito de que o gay masculino é sempre mais sensível e o gay feminino mais "durão". A sociedade e os próprios gays podem se frustrar por acreditar nesse estereótipo?
K: O estereótipo é fruto de diferenças culturalmente associadas aos gêneros feminino e masculino, respectivamente. As mulheres são vistas como mais sensíveis e os homens com mais durões. Se considerarmos que as orientações sexuais envolvem identificações com os papéis sexuais, entenderemos o porque das associações. Porém, isso não é uma regra. Há homossexuais, tanto homens como mulheres, que não apresentam identificações evidentes com o sexo oposto.
A homossexualidade é uma expressão natural e espontânea da sexualidade humana e não uma escolha"
- Alguns dizem que em um casal gay sempre haverá um parceiro mais masculino e outro mais feminino. Isso é real, ou uma forma sutilmente preconceituosa de fantasiar a relação como sendo um homem unido a uma mulher?
K:
Trata-se de uma fantasia projetada a partir do ponto de vista heterossexual.

- É preciso "sair do armário" e dizer ao mundo que se é gay ou é possivel se aceitar e ser feliz dentro do armário?
K: Sair do armário não significa necessariamente dizer "ao mundo". Essa saída costuma ser seletiva e depende de uma serie de fatores pessoais, familiares e sociais. Há pessoas que alcançam um certo equilíbrio psicológico e emocional sem estar completamente fora do armário. Há outras, porém que necessitam viver de forma aberta e não aceitam dissimulações ou uma vida dupla. De qualquer forma, se entendermos que a homossexualidade é uma expressão natural e espontânea da sexualidade humana e não uma escolha, fica evidente que as pessoas que conseguem viver sua vida afetiva e sexual de forma plena, tendem a ser mais felizes e realizadas.


- Normalmente heterossexuais não informam aos pais ou amigos que são héteros. É importante ou necessário para o homossexual fazer isso?
K:
Heterossexuais não precisam informar, pois por pressuposto todos são heterossexuais. Essa é a norma. Homossexuais que não contam a seus pais sobre sua orientação afetivo-sexual terão que passar suas vidas distantes física e emocionalmente de seus familiares. Terão com eles uma relação sem intimidade, pois estarão escondendo uma parte importante de quem realmente são.


Recorte do cartaz de Shelter (2008)


- Às vezes as pessoas percebem que um amigo parece ser homossexual e acabam afirmando isso a ele constantemente, sem a pessoa ter ainda se descoberto. Pode ser prejudicial?
K: Devemos considerar que só o próprio individuo poderá saber de sua verdadeira orientação sexual.

- Sabemos que o desejo é inconsciente e não há como escolher a orientação sexual - ser hétero ou homossexual. Entretanto, como decidir a forma de se viver a sexualidade?
K: Não há um único caminho. Cada pessoa tem que descobrir como viverá sua afetividade e sexualidade. Isso certamente dependerá de fatores familiares, pessoais e sociais.

- No sexo gay há o passivo e o ativo, em relações com penetração. Por que vigora uma tendência a acreditar que o gay passivo é "mais gay" do que o ativo?
K: Trata-se de um preconceito com raízes no machismo.
Há bissexuais, há pessoas que não têm certeza de sua orientação afetivo-sexual, e há quem use a bissexualidade como defesa contra o preconceito"
- Em 2008 a cantora norte-americana Katy Perry explodiu com o hit "I kissed a girl" (Eu beijei uma garota), e jornais noticiaram uma nova orientação: os hétero-flexíveis, héteros que não vêem problemas em beijar algúem do mesmo sexo. Avanço, modismo ou banalização da causa gay?
K:
Essas tendências refletem mudanças sociais que são consequência da liberação de costumes. Não tem a ver com orientação sexual, a predominância de desejo sexual, mas sim com uma maior liberdade de experimentação.


- Nesse cenário, há gays que vivem a homossexualidade, mas não admitem serem chamados de gays, pois às vezes relacionam-se com o sexo oposto. É benéfico não querer ser "rotulado", é um auto-preconceito ou um dia a pessoa terá que colocar fim à essa "adolescência" de experimentações e se definir?
K:
Não há regras. Há pessoas que de fato são bissexuais, pessoas que não têm certeza de sua orientação afetivo-sexual - por isso a fase de experimentação - e pessoas que usam a bissexualidade como defesa contra o preconceito.

- E como, na prática, o gay pode ajudar a diminuir o preconceito em relação à homossexualidade?
K:
Ampliando a visibilidade. Mostrando à sociedade que não há nada errado em ser homossexual. A maior parte dos problemas enfrentados pelos homossexuais decorre do preconceito e da discriminação social.

13 dos desabafos - DESABAFE!:

  1. Primeiro?

    =D


    Ficou maravilhosa a entrevista RU.

    =D

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  2. Pierce,
    Primeiro, moço! Obrigado, fico feliz que tenha gostado, vamos ampliar a visibilidade da causa para tentar minimizar o preconceito! Abração!

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  3. ja quero textos sobre o tema! [se possivel, claro] (os dois ultimos textos sobre homossexualidade aqui postados, estavam perfeitos) quero mais \o/ hehehe..

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  4. Anônimo,
    Teremos mais em breve e se for considerar quem escreve todos são! (risos) Abraço

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  5. Dica para próxito texto.
    Tema: Carta de um filho homossexual para seus pais. E a vergonha que os pais sentem!

    algo assim :S

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  6. Olá,estamos fazendo um trabalho escolar sobre os homossexuais ,e gostaria que vc nos ajudasse ,falando sobre os preconceitos que vc sofre ,algo a mais que possa completar o nosso trabalho ,por favor me ajude !!! e me responda esta ai meu e-mail :thata_gabriele@hotmail.com
    Espero sua resposta o mais rapiido se possivel antes de terça-feira dia 10 .!
    Beeijos

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  7. thata,
    Será um prazer colaborar, já te enviei e-mail. Abraço.

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  8. nossa vc não me respondeu me responde por favooor!
    o prof adiou o trabalho thata_gabriele@hotmail.com

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  9. simone,
    Verifique novamente seu e-mail, por favor, lhe respondi sim, recebi um e-mail seu e novamente respondi. Abraço.

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  10. OLÁ ESTOU FAZENDO UM TRABALHO SOBRE A DISCRIMINAÇÃO DOS HOMOSSEXUAIS NAS EMPRESAS...MEU EMAIL. aderilm@hotmail.com
    ateciosamente,
    aderilma

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  11. Anônimo,
    Caso queira entrar em contato, envie e-mail pelo Menu de contato do blog. Obrigado.

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  12. Ótima entrevista, esclarecedora e educativa.
    Continuem assim, descobrir este blog e adorei.

    parabéns.

    abs.
    Ruben

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"deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar"
(Ronaldo Monteiro/ Ivan Lins)

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