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Nostalgia (Meu discurso de orador na formatura)


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Tempo, tempo, não me mude jamais



Recorte do cartaz de Sonhando acordado (2006): sonhar sempre!


Em 24 de agosto de 2007 eu li o discurso abaixo na colação de grau da minha turma de jornalismo. Quero crescer, amadurecer, mas nunca me distanciar do garoto que escreveu as palavras abaixo, que a vida nunca me impeça de sonhar.

"O homem só deseja o que lhe é possível". Foi isso o que Aristóteles disse sobre os nossos sonhos. Eu vim aqui para contar uma história para vocês, a nossa história, a história do nosso sonho. Talvez só nos entenderemos muita coisa do que eu vou dizer. E é bom mesmo que seja assim.

O ano 2003. O mês agosto. A hora pouco mais de sete e vinte da manhã. Cerca de 50 alunos iniciaram o curso de jornalismo, aqui mesmo, no UNI-BH. Éramos nós amigos. Logo no nosso primeiro horário, o professor Nísio Teixeira, fez duas perguntas para cada um: "qual o seu nome?" E "por que você escolheu o jornalismo?". Responder nosso nome foi fácil. (Menos para mim e para o Lyderwan). Mas difícil mesmo foi dizer por que resolvemos ser jornalistas. Poucos sabiam a resposta, e até hoje grande parte de nós ainda se pergunta: por quê?

No entanto, foi justamente a busca para essas e outras respostas que nos uniu. Me lembro muito bem do nosso primeiro intervalo. No corredor da comunicação, os calouros eram alvo do trote e nós seríamos as próximas vítimas. Para nos defender, o professor Nísio fechou as portas da sala e continuou a aula até o próximo mestre chegar, tudo para nos proteger de um universo desconhecido que nos esperava do lado de fora. Foi um gesto bonito. Quatro anos se passaram e eu me questiono: E agora? Quem vai fechar a porta e nos proteger dos perigos desse novo mundo que nos espera? Quem vai impedir que a vida nos pregue alguns de seus trotes? Eu não sei a resposta, mas eu sei que hoje não somos os mesmos.

A mudança mais fácil de se perceber é que nos tornamos jornalistas, entretanto, conseguimos muito mais. Alguns entraram crianças e hoje são adultos; outros entraram filhos e saíram pais; teve também quem entrou colega e saiu amigo. E isso não foi nada fácil. Misture pessoas dos mais variados cantos de Minas Gerais e com os gostos mais diferentes possíveis em uma mesma sala de aula. O resultado: uma "favela", no melhor dos sentidos. E tinha de tudo no nosso "gueto": de fã da Angélica a cantor de rock; de árabe a cidadã de Jaboticatubas; da galera paz e amor aos que ainda reclamam do cartão BH Bus; dos artistas aos anônimos; da turma do interior que chorava a saudade de casa aos que não viam a hora de sair de casa; das garotas calça jeans e rasteirinha às exuberantes terninho básico e scarpin. E um scarpin incomoda muita gente. Enquanto o mundo inteiro procurava por Bin Laden ele estava na nossa sala, com uma bomba que fere muito mais: a palavra. Nosso aspirante a terrorista só não contava com um escudo resistente: a amizade. Enquanto uns se afastaram por causa das diferenças, outros se uniram como nunca.

Se formos pensar bem, nesses quatro anos convivemos mais com nossos colegas de sala do que com a nossa própria família. E diante de tamanha convivência teve quem descobriu o parceiro para os trabalhos, o ombro para os momentos de tristeza, o ouvido atento aos "desabafos", o amigo eterno e teve até quem descobriu o amor, em suas diversas formas.

Realmente nós mudamos. E quantas coisas nós vivemos juntos. O primeiro churrasco no sítio do Telê; o aviãozinho de papel que acertou a professora; as tardes no laboratório quatro de informática; a fila do Restaurante Popular; os cochilos na biblioteca; as festas na casa dos colegas; o jornal Momento Atenas; a despedida dos colegas que seguiram outro rumo e deixaram saudade. Isso tudo é apenas uma pequena parte da nossa história, um tempo e um sentido só nosso. "Atenção: um, dois, três, olha o último quatro". Se o computador travar, não se preocupe, o "comando maça" resolve tudo. Para quem não escutou o que a professora disse: "a informação está no quadro". Se não entender algo relacionado à política, sem dramas: "naturalmente que Marilena Chauí e a politiqué" estão aí para nos ajudar. E a Walderrama? Quanta falta nos fez. "Estão comigo gente? Estão comigo?". Como nós ampliamos o nosso arcabouço teórico, não somos mais a turma de "meninos criados com Danoninho" que deixava a mestra "emputecida", até porque "isso não é nada ético".

Depois de tanto tempo juntos, hoje celebramos o dia de mais uma conquista: o diploma de um curso superior. Agora somos jornalistas. Quando entramos para essa faculdade acredito que nós fomos um pouco além do que Aristóteles disse, nós desejamos o impossível. E hoje será o primeiro passo que vamos dar, oficialmente, como profissionais. Que a gente não erre os passos e acerte os caminhos. Devemos agradecer por tudo que aprendemos aqui e não nos contentar com isso, buscar muito mais. E eu tenho uma boa notícia: não é hora de fechar as portas para nos proteger de nada. Chegou o momento de abrir as portas e provar que nós somos capazes de conquistar o nosso espaço. Me recordo das nossas conversas e do nosso sonho imaturo de querer mudar o mundo. Eu não posso garantir que nós vamos conseguir, mas nada, nada pode nos impedir de tentar. Nessa noite, parece que de certa forma é o fim. Mas não é o fim, é um novo começo. Que os nossos sonhos não se transformem em planos, que a nossa amizade não se transforme em mera lembrança e que a gente consiga um dia entender que, na verdade, foi o jornalismo que nos escolheu. É a nossa chance de provar que ele fez a escolha certa.

Quando fui eleito para ser o orador da turma eu logo me lembrei de uma frase de um seriado que talvez alguns de vocês conheçam, Dawson's Creek. Eu quero encerrar com essa citação ao seriado, acredito que muitos hoje se sintam assim: "Eu costumava ter medo de tantas coisas. Que eu nunca cresceria. Que eu ficaria preso ao mesmo lugar eternamente. Que meus sonhos estariam sempre fora de alcance. É verdade o que dizem. O tempo prega peças em você. Um dia você está sonhando, no outro seu sonho se tornou realidade. E agora que aquele garotinho assustado não mais me segue para onde eu vá, eu sinto a falta dele. Verdade. Porque há algumas coisas que eu queria dizer a ele: para relaxar, para se animar, porque tudo vai ficar bem. Eu quero que ele saiba que conhecer pessoas que gostam de você, que entendem você, que aceitam você por quem você é, vai se tornar muito raro. [...] Essas pessoas que contribuíram para quem eu sou, estão comigo onde quer que eu vá e, enquanto a história vai sendo reescrita de pequenas formas a cada dia, meu amor por eles apenas cresce. Porque a verdade é que aqueles foram os melhores anos. Erros foram cometidos, corações foram partidos, lições duras foram aprendidas, mas tudo agora são lembranças boas. Como isso aconteceu? Como podemos, tão rápido, esquecer o ruim e romantizar o bom? Talvez, seja porque nós precisamos acreditar que o tempo que passamos juntos significou alguma coisa, que nós estávamos lá um para o outro naquele momento de nossas vidas que nos definiu, um momento de nossas vidas que nunca esqueceremos. Eu não posso jurar que foi exatamente assim que aconteceu. Mas foi assim que me pareceu". Meus amigos, a gente se encontra por aí! Muito obrigado.


Sobre o autor
Ruleandson%20do%20Carmo Ruleandson do Carmo , autor de todas as crônicas deste blog , é jornalista, doutorando em Ciência da Informação (UFMG) e ama falar de amor. Saiba mais
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10 comentários :

  1. Olá!!!

    Tô aqui indicada pela Ritinha lá do Unibh! Amei seu blog!

    Me formo em jornalismo agora em Junho e confesso que estou cagando de medo. é cagando mesmo, porque eu acho que não existe outra palavra para o que eu sinto.

    Em Junho deixo de ser uma mera estudante... E me torno uma profissional. E pra melhorar a situação ainda terei que mostrar para a família, sociedade e afins que sou capaz e conseguir um emprego.

    Cara!
    Isso dá um medo eterno! Não sei se canalizo meu pensamento na monografia ou no meu futuro.

    Bjus
    Lívia Dutra

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  2. Emocionante seu discurso.
    Discursos de formatura são ritos de passagem. Depois do fim existe vida, eu vejo. Me formei em 2005, em Direito. E disse: e agora?
    Bom, a resposta, é a gente que faz mesmo. Não tem jeito. Tudo se rearranja como um cubo mágico.
    Mas não existe mágica. Existe desejo de seguir ou não. Existe perseverança. Existe uma luta que continua. Existem muitas jornadas dentro do pacote.
    Certas pessoas a gente nunca mais vê, embora o orkut aproxime as coisas.
    Certas opiniões você nunca mais tem.
    Certos amores você nunca mais sente.
    No entanto, tudo o que foi fica eterno em nós, como uma impressão digital na alma. É impressionante.
    Até a fila interminável do xeróx!
    Até aquele dia de chuva que complicou a volta pra casa.
    Até aquele show em que ele desapareceu na multidão...
    Valeu a pena!!!

    Sucesso moço, em todos os agoras que viver!!!

    Sopro de Eves!!

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  3. se eu estivesse lá teria chorado. ehhe

    sinceramente, ru. apesar d não t ver há um tempo, eu imagino q daqui pra frente a sua vida vai mudar ainda mais. talvez mais do q no dia em q vc leu esse discurso. mas certas coisas são pra sempre. o q vc é bem lá no fundo não muda.

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  4. Eu estava lá nesse dia e quase chorei. Foi, tipo, emocionante.

    E adoro a parte que você fala da Ana Rosa!


    E quem é Walderrama???

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  5. Uma delicia seu blog.
    Tenho uma relação muito particular e racional com o "amor".
    Vc escreve de maneira inteligente e estigante.
    Não raras vezes consegue transpassar as emoções que sentia em exato momento.
    Amei...
    Bjsssss
    Ubisss

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  6. Lívia Dutra,
    Obrigado por ter visitado o blog! Canaliza na sua vida e na monografia, as duas estão em você! Obrigado e beijos!

    --

    Edwirgen,
    Obrigado e amém!

    --
    Otavio,
    Eu quero ler seu discurso, em breve!

    --
    Flavimar,
    Obrigado, torper! Walderrama é um jogador com um cabelo louro imensoooooooooooooooooo e a professora parecia com ele.

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  7. Ubisses le gatho,
    Obrigado e espero que blog continue sendo assim para você!

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  8. Ru
    NOssa, a cada dia te admiro +.....
    Que discurso impressionante e emocionante!!!
    Existem tantos medos em nossa mente e em nossos corações, e não sei se felizmente ou infelizmente, tudo sempre muda....e o que fica são as lembranças que nos servem de base, alicerce e força para os momentos em que bate o desespero...as vezes até mesmo uma fuga, quando a realidade não se é da maneira com que sonhavamos....
    Sei que ja faz algum tempinho, mas mesmo assim meus desejos de sucesso em sua carreira, que se depender dos textops que vc escreve, voce será em breve um dos melhores jornalistas do Brasil...
    Bjos

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  9. Jaque,
    Seu comentário me fez ler novamente o meu discurso e lembrar de tudo, que saudade, que tempo bom... Beijão e muito obrigado por suas palavras!

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  10. Olá nobre amigo! Belo discurso! Ainda não sei bem mas o nostálgico sempre me traz pensamentos de renovação... Mas é bem verdade que muitas vezes aciono a tecla "autopilot" e me pego revirando meus "arquivos" de memória a procura de ideias reaproveitáveis rs. Suas palavras me inspiraram a reconhecer que independente dos momentos que vivenciamos, somos nós os responsáveis por escolher como recordá-los. Ta aí... Aquele velho adágio "recordar é viver" não é só um conceito empoeirado rs. Bom, ainda faltam 3 anos e meio para me formar, mas acho que já tenho uma ideia do que me aguarda... Renovar é crescer! Abração! :)

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